terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Jardinagem urbana e picaretagem

Luiz Mott*
Adoro plantas! Dizem que os taurinos têm o dom de saber plantar e fazer de pequeninos espaços, jardins paradisíacos. No exíguo quintal de minha casa nos Barris, cultivo quase uma centena de arbustos, flores e palmeiras que eu mesmo plantei, inclusive uma gigantesca filha da palmeira imperial do casarão onde viveu Anísio Teixeira em São Lázaro. 
Já escrevi nesse espaço um S.O.S. em defesa da centenária cajazeira ao lado da Misericórdia e alertei os riscos de desaparecimento das principais palmeiras imperiais de Salvador e do inigualável bambuzal do nosso Aeroporto Dois de Julho. Há menos de um mês uma bela touceira de bambu gigante no dique do Tororó estava em chamas, um crime ambiental! 
Faço agora grave denúncia: quem foi o responsável que mandou cortar as três belas e frondosas árvores do raro jasmim manga (pluméria rubra), que embelezavam a entrada da Concha Acústica do TCA? Aliás, essa milionária reforma da Concha deixou muitíssimo a desejar, pois no lugar dos aprazíveis bancos, jardins e dos ditos jasmins, construiu-se uma rampa anacrônica l que descaracterizou completamente o paisagismo original. 

Outro absurdo: a Orla da Barra ficou linda, tornando-se o principal espaço de socialização de soteropolitanos e turistas, porém, desde sua inauguração, até hoje, gastou-se uma fortuna com diversas iniciativas de jardinagem, todas redundando em retumbante fiasco. Primeiro colocaram nas imediações do Farol grandes vasos de ferro, com belas palmeiras que logo morreram devido à maresia. Tentaram mudas adolescentes de jasmim manga e “onze horas”, ambas tiveram vida curta. Gastaram outro tanto com um arbusto de folhas leitosas, novo fiasco. Desfecho: removeram os tais belos vasos - onde estarão? 

E as caras placas de grama em frente ao Farol da Barra do verão passado? Só sobrou pequenina nesga de gramado cercado pela Marinha, o resto virou poeirento chão de terra batida.
Jardinagem urbana não é coisa para amadores. Respeitem nossas plantas e não joguem fora nossos impostos!
*Antropólogo e Professor Catédrático da Ufba

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Metro de Salvador, um modelo de excelência e modernidade para os baianos

Carlos Martins*
O metrô de Salvador, durante 13 anos, tornou-se símbolo de incompetência, de mau uso de recursos, sem vantagens para o caótico trânsito e população de Salvador, nos seus 12 km originais, que o apelidaram de “metrô calça curta”. Mudanças de projeto que custaram mais de um bilhão de reais, nunca foram devidamente explicadas pelos gestores da época.
No entanto, três anos após o governo do estado assumir oficialmente o metrô, a situação inverteu-se. O sistema metroviário de Salvador transformou-se em modelo de “benchmarking”, na contratação e eficácia de obras. Os 12 km da Linha 1 foram rapidamente concluídos, ligando a Lapa a Pirajá. Em 24 meses, o sistema ultrapassou a marca de 18 milhões de passageiros transportados.
Mas os avanços não pararam, e o metrô, patrimônio dos baianos, deixou de ser apenas de Salvador para ganhar a RMS, chegando até Lauro de Freitas, como será em breve com a Linha 2. Em ritmo acelerado, as obras atravessam a Paralela, avenida criada nos anos 60, e que no seu projeto destinava o corredor central para um futuro transporte de massa. Assim prevê o projeto original, que alguns “futuristas do agouro”, insistem em politizar, minimizando uma obra importante para a mobilidade da capital e da RMS.
A linha permitirá que o trajeto entre Acesso Norte e o aeroporto seja percorrido em 27 minutos, passando pelas 12 estações que compõem o trecho. Isso tornará Salvador a terceira capital do país em trilhos – 41 km no total - e a primeira a ter um metrô ligando o aeroporto ao centro. Ainda em fase inicial, o trecho Acesso Norte – Rodoviária da Linha 2 já ampliou em mais 30% o número de usuários.
Além disso, cerca de 700 ônibus metropolitanos serão retirados da malha urbana, dando fluidez ao trânsito, devolvendo sustentabilidade ao sistema de ônibus da capital e consolidando o conceito de Integração Intermodal. A cidade ainda ganhará equipamentos modernos de transbordo, como os novos terminais da Rodoviária, Pituaçu, Mussurunga e Aeroporto. A segunda linha do metrô baiano permitirá, também, a retirada de milhares de veículos particulares que transitam na Paralela, dando aos motoristas a opção do metrô. A linha que chegará ao aeroporto ainda terá destaque para questão ambiental. O paisagismo e urbanismo da obra preveem compensações ambientais, incluindo a substituição da vegetação estrangeira por vegetação típica da mata atlântica local. As lagoas artificiais, construídas para evitar alagamentos na avenida, sofrerão um tratamento adequado, e terão até o retorno de peixes, que já eram escassos.
Uma pista de cooper e uma ciclovia margearão a linha, apoiadas por bicicletários em cada estação, e quiosques de apoio. O projeto prevê, dentro do conceito de parque linear, cinco áreas de lazer, que terão equipamentos esportivos, dependendo unicamente da aprovação pela prefeitura. Passarelas modernas, com elevadores e escadas rolantes, e em consonância com as leis de acessibilidade, e três novos viadutos tornarão a mobilidade do pedestre mais segura e agradável. Portanto, longe de ser um “muro da vergonha”, a Linha 2 será um ponto de integração da cidade.
Além disso, as estações estarão harmonicamente integradas a paisagem e acessibilidade dos seus usuários, permitindo, ainda, a possibilidade de novos negócios e pontos de arte e cultura ao longo do sistema.
Em paralelo ao metrô, os corredores transversais, das linhas Azul e Vermelha, serão elementos indutores de uma expansão da cidade, ligando a orla atlântica à Bahia de Todos os Santos, e permitindo a integração com o metrô e o futuro VLT do subúrbio, assim como o BRT, se a prefeitura desejar.
Se os números já comprovam, a opinião dos baianos sobre o metrô diz ainda mais. Satisfação e aprovação, que demonstram que o metrô veio pra ficar, e será cada vez mais um orgulho de todos os baianos.

*Carlos Martins é secretário de Desenvolvimento Urbano do estado da Bahia

domingo, 8 de janeiro de 2017

Um crime contra a Bahia

António Riserio*
Salvador assiste hoje àquele que é o maior crime urbanístico contra a cidade, desde que Thomé de Sousa comandou sua construção no ano de  1549.
E não vejo ninguém bater na mesa. Nem sequer reclamar. Seguem todos silentes diante do que o governo estadual está fazendo na Avenida Paralela.
A Paralela é, hoje, o retrato mais preciso que conheço desta cidade. Tem de tudo: vendedores de crack, sede da Odebrecht, lojas (não vou dizer “igrejas”) evangélicas, oficinas de carros velhíssimos, revendedora de automóveis importados, condomínios, terreiros de candomblé, etc.
Era uma avenida bonita. Quase 20 km de extensão, com um belo canteiro central, obra de Burle Marx. Lateralmente, havia lagoas e bosques. Mas o governo do Estado da Bahia está destruindo a avenida. Montando ali uma ferrovia murada ligando Salvador e Lauro de Freitas.
Mas o mais grave nem é a destruição do verde. É que teremos uma ferrovia MURADA. Olhem no mapa. A Avenida Paralela passa justamente entre os bairros pobres do miolo da cidade e os bairros privilegiados da beira do mar. Com o MURO, a cidade ficará irremediavelmente apartada. Teremos o nosso MURO DA VERGONHA.
De um lado, vai ficar a cidade pobre tipo Pau da Lima. De outro, a cidade privilegiada tipo Pituba-Costa Azul. A segregação será oficializada – e por um governo que faz de conta que é de esquerda. Nem mesmo um cachorro vira-lata conseguirá passar do Cabula para Piatã. Comparativamente, o Minhocão é obra delicadíssima.
Não posso esperar nada da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Este órgão existe apenas para carimbar oficialmente as ordens do governador. Foi a Secretaria que assassinou a área de proteção ambiental de Pituaçu, deixando que invasões “white collar”  reduzissem o parque ecológico ao tamanho de um dedal. E a destruição do parque de Burle Marx foi autorizada pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente.
Mas onde estão os baianos, que não protestam? Onde estão os ambientalistas que tempos atrás defenderam as lagoas do lugar, virando inclusive manchete na mídia local? Onde estão os ambientalistas que abraçavam a velha igrejinha do Rio Vermelho? Todos calados, comprados, cooptados.
Onde estão os celebrados artistas locais? Onde estão os contestadores da tropicália? Onde estão Capinan e Caetano Veloso? Cadê a axé music? A cidade que se foda, que o importante são as coreografias do próximo carnaval?
Tudo indica que sim. Política e culturalmente, Salvador vive hoje os seus mais tristes e desprezíveis dias.
*Antonio Risério é antropólogo e escritor

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

As cidades e o mundo

Marcos Magalhães*
A primeira infância da internet quis desmanchar no ar o que há muito tempo parecia tão sólido: a importância do local. 
Algumas boas ideias na cabeça e uma conexão confiável bastavam para ligar as pessoas e as empresas ao espaço global. Não importava tanto se estivessem em uma praia esquecida ou no coração de Manhattan. 
Na segunda década do século XXI, porém, o local onde você está se tornou mais importante do que nunca. E as cidades estão prontas para desenhar o perfil econômico do planeta.
No Brasil, as eleições municipais são vistas frequentemente como uma bússola que indica os caminhos da política estadual e da política nacional. A escolha de um prefeito se torna mais importante quando fortalece as chances de outros políticos nas eleições que acontecerão dois anos depois. 
Uma espécie de antessala das decisões que realmente contam para o país. Em todo o mundo, porém, as cidades se tornam cada vez mais protagonistas. Tanto pela conexão com a economia global quanto pela ligação com a própria realidade local.
Duas novas linhas de pensamento mostram a importância estratégica das cidades. 
Do lado mais globalista, o estrategista indiano Parag Khanna, que tem no currículo os cargos de conselheiro geopolítico do governo dos Estados Unidos e de pesquisador sênior da Universidade de Singapura, coloca os grandes centros metropolitanos como polos de uma cadeia global de produção. 
Do lado do “localismo cosmopolita”, como define Jon Rae, diretor da Schumacher College, no sudoeste da Inglaterra, as cidades são atores principais de economias locais mais prósperas e resilientes.
“Nós estamos entrando em uma era”, diz Khanna em seu recente livro “Connectography — Mapping The Future of Global Civilizaton”, “em que as cidades serão mais importantes que os estados e onde as cadeias de produção serão uma fonte de poder maior que a dos militares. Na medida em que as populações, a riqueza e o talento concentram-se em grandes cidades, elas gradualmente tomam o lugar dos países como os principais centros gravitacionais do mundo”.
A mensagem parece atual para grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro e Salvador, que correm o risco de ficarem isolados da disputa mundial por talento e investimentos. 
Os recentes debates sobre as eleições municipais no Brasil passaram bem longe desse tema, é claro. Assim como dos argumentos quase opostos, e quem sabe complementares, levantados pelos integrantes do movimento Cidades em Transição, que tem na Schumacher College e na pequena cidade de Totnes as suas principais raízes. 
O principal lema do movimento é o de estimular “economias cooperativas mais próximas de casa”.
“O local importa”, diz Robin Hopkins, cofundador da Transition Network, uma organização internacional que estimula práticas de fortalecimento da economia local. 
As pequenas cervejarias, que já são responsáveis por 12% do mercado nos Estados Unidos, estão entre seus exemplos. Microempresários cervejeiros de Londres, relata Hopkins, decepcionam os jornalistas que lhes perguntam como vão expandir seus negócios. 
Eles afirmam que não querem crescer. Preferem permanecer pequenos e manter um “ecossistema de fantásticas cervejarias” na capital inglesa.
Hopkins é autor do “Manual da transição”, uma espécie de guia para líderes locais interessados em aderir ao movimento. Suas regras são tão simples quanto universais. 
A primeira delas sugere a mudança da expressão “de algum lugar” para “aqui” e tem como bandeira moedas locais como a libra de Totnes, que circula apenas na cidade e evita que o dinheiro local seja sugado para os grandes centros. 
Ele lembra que dois grandes supermercados ingleses instalados em Totnes vendem 20 milhões de libras por ano em alimentos, vindos de várias partes do mundo. 
Se apenas 10% das vendas fossem de alimentos produzidos na própria região, a economia da cidade receberia um grande estímulo.
O “localismo cosmopolita” não pretende fechar fronteiras — as mesmas que andam perdendo importância na análise globalista de Parag Khanna. Mas reforçar as economias locais. 
O futuro das cidades está em jogo no mundo inteiro, seja pela sua conexão com as grandes cadeias globais de produção, seja pelas maneiras criativas de reinventar as potencialidades locais. Está na hora de o Brasil prestar mais atenção ao tema. 
Os prefeitos que tomaram posse ontem já podem buscar inspiração em cidades inovadoras espalhadas pelo mundo.

Marcos Magalhães é articulista no jornal O Globo

domingo, 1 de janeiro de 2017

Requalificar o Centro Antigo

Paulo Ormindo de Azevedo *
No mês passado, a Prefeitura anunciou um programa para revitalizar o centro antigo de Salvador, que inclui bairros que vão da Sé à Lapinha e do Comercio ao Tororó e Barris.
O abandono da área se evidencia pelo número de ruinas, a demolição de 31 imóveis na Montanha, em 2015, e a falta de agua para inaugurar o Palace Hotel.
Desde a administração de Mario Kertész, esta é a primeira vez que a Prefeitura manifesta interesse pela área, um dos principais atrativos da cidade.
Mas tenho dúvidas que apenas incentivos fiscais e a criação da Vila Cultural da Barroquinha, que não se sabe bem o que é, possam recuperar uma área tão extensa.
Primeiro, pela situação legal das ruinas.
Ninguém sabe a quem pertencem, pois três gerações não fizeram inventários. Segundo, por imaginar que a iniciativa privada vá se interessar por um novo “shopping a céu aberto”.
Não sou pessimista, apenas acho que o enfoque é equivocado.
A recuperação daquela área só é viável com um plano urbanístico envolvendo município, estado e União, que contemple os aspectos físicos, ou de infraestrutura; sociais, com ênfase na habitação; e econômicos, com incentivos aos serviços.
Isto é programa de estado e não de governo municipal.
As 1.500 ruinas podem se converter em 10.000 habitações do programa Minha Casa e Minha Vida.
Ele pode começar com o projeto da Faculdade de Arquitetura/Conder para o Pilar, já pronto.
No artigo “O que o centro antigo precisa”, publicado neste jornal em 3/2/2013, apontei as obras de infraestrutura necessárias: melhorar o acesso ao Centro Histórico com passarelas ligando o Pelourinho ao Desterro e o Carmo à Saúde e galerias e elevadores subterrâneos conectando a estação de metrô do Campo da Pólvora à Baixa dos Sapateiros, ao Terreiro de Jesus e ao Comercio, instalação de escadas rolantes ligando a Preguiça e a Contorno à Pr. Castro Alves e criação de um centro cultural dinâmico no Pelourinho, aproveitamento os cines Jandaia, Excelsior e Pax, este com um estacionamento vizinho subutilizado.
Finalmente, dar uso cultural ao Solar do Saldanha e não apenas burocrático.
*Arquiteto e Professor Titular da Ufba
 SSA: A Tarde, 1º/01/2017

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Orla da Ribeira conserva estilo vintage

Luis Felipe Pondé*
Uma das maiores contradições do mercado de turismo é que quando você fala de uma praia legal e vazia, logo ela estará cheia de gente ouvindo música alta e chata. Trânsito infernal. Enfim, um mundo de gente querendo ser feliz. E isso é uma das maiores pragas do mundo contemporâneo. Felicidade em bando é como um enxame de insetos famintos por sangue.
E me entenda: esse enxame não é necessariamente de gente pobre. Ricos e gente com diplomas também formam enxames de felicidade no mundo. A diferença é que estes não sabem que também formam um enxame de famintos por sangue. Acham-se acima da categoria "enxame".
Se estiver procurando uma praia que pode ser, talvez, à prova de enxames, sejam de ricos ou de pobres, proponho a orla (como se fala na Bahia) da Ribeira e a praia do Monte Serrat –ambas no extremo da cidade baixa, em Salvador. Puro "vintage de verdade", o que é raro num conceito que pressupõe uma certa dose de fake para existir.
A cidade baixa, pra quem conhece Salvador, é uma região esquecida. De lá, muita gente conhece a igreja do Bonfim, quando vai brincar de culto afro-brasileiro ou quando vai experimentar a travessia pela balsa (que na Bahia chamam de "ferryboat") pra ilha de Itaparica –onde fica o Club Med (mais brega impossível).
Outro destino comum, no comecinho da cidade baixa, é o Mercado Modelo, um inferninho de quinquilharias afro e similares. Mas que vale a visita se você estiver a fim de uma experiência antropológica feita na medida certa para o consumo de massa.
"Ser esquecido" é uma das formas mais radicais de se manter a elegância em se tratando de turismo. E a cidade baixa "profunda" é, seguramente, um lugar esquecido do mundo. Ninguém chega lá.
Mauro Akin Nassor/Fotoarena

Praia da Ribeira, em Salvador (BA)
PARAÍSO DE SILÊNCIO
A orla da Ribeira, uma praia absolutamente calma (toda a região ali é parte da baía de Todos os Santos), água brilhante e mansa, é um paraíso de silêncio, sem trogloditas felizes. Poucos carros. "Only locals", gente também esquecida pelo mundo. Casas antigas, sem reformas afetadas, assinadas por arquitetos arrogantes. Dois lugares na orla da Ribeira merecem uma visita, além da praia em si.
O primeiro é a Sorveteria da Ribeira, datada dos anos 1930. O sorvete dá de dez a zero num monte de "sorvetes italianos" por aí. Sabores locais como tapioca (antes de a tapioca virar moda) são imperdíveis.
Outro lugar especial é a oficina de azulejos do artista Prentice, um homem idoso completamente tomado pela sua arte. Seus temas variam de santos católicos a orixás africanos, passando por desenhos tipicamente portugueses. Sua própria oficina e casa onde mora são uma experiência por si só, na medida em que revelam todo o estilo "lisboeta-baiano" da virada dos século 19 para o 20, marca de grande parte da cidade baixa em Salvador.
A praia do Monte Serrat (ou avenida da Boa Viagem), uma pequena baía dentro da baía de Todos os Santos, fica um pouco adiante da igreja do Senhor do Bonfim.
Afora a praia de água tranquila e distante do frenesi comum na Bahia, o forte de Monte Serrat, datado do período colonial, é um pequeno colosso. Vazio de turistas, traz uma das panorâmicas mais lindas de Salvador.
A cidade baixa, lugar esquecido da capital, pode ser uma experiência mais atraente do que as praias badaladas de Trancoso e sua superlotação chique para paulistas entediados com a riqueza.ode ser, talvez, à prova de enxames, sejam de ricos ou de pobres, proponho a orla (como se fala na Bahia) da Ribeira e a praia do Monte Serrat –ambas no extremo da cidade baixa, em Salvador. Puro "vintage de verdade", o que é raro num conceito que pressupõe uma certa dose de fake para existir.

* Filósofo e professor, residiu em Salvador na juventude

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

A vida é dádiva

Mateus Araújo
Para comemorar os 50 anos de música, a cantora Maria Bethânia fez, em 1º de fevereiro, show gratuito na praça de Santo Amaro da Purificação, sua cidade natal, na Bahia. Com bom humor, ela topou dar entrevista, por telefone, ao repórter Mateus Araújo (que também assistiu à apresentação). De Santo Amaro, Bethânia conversou com o JC: contou da emoção de voltar à sua cidade, lembrou, com saudade, de sua mãe, Dona Canô, falou de fé e de seu dia a dia. Confira trechos:
JORNAL DO COMMERCIO – Quando se assiste a um show seu, a impressão que se fica e os comentários que se ouvem é de uma sensação de êxtase. O que acontece, Bethânia, quando você olha para a sua plateia e quando você canta para ela?
MARIA BETHÂNIA – A minha entrega é absoluta, a minha vontade de atingir de tocar as pessoas. O contrário eu não sei bem. Mas, certamente, eles ficam entusiasmados. Você usou “êxtase” que é uma palavra bonita e religiosa. Eu tenho muita confiança nas coisas. Vim para o mundo traduzir isso, lembrar as pessoas sentimentos, posições, valores. E isso vai fundo. Graças a Deus!
JC – A Maria Bethânia que está no palco são várias ou uma só?
BETHÂNIA – É uma só. Mas o Brasil é muita variado, rico, deslumbrante, comovente em muitas situações; em outras, terrível. Minha vida é cantar isso. Desde que comecei a cantar e descobri que queria me expressar. Aquela frase de Ferreira Gullar que diz “a arte vive porque a vida não basta” foi meu impulso na vida. A minha sensibilidade foi dada por Deus, que aprendi com minha família, meus pais, meus colegas, fica à disposição disso.


JC – Naquela estreia, em Opinião, em 1965, você assumia um papel diretamente político. Era o primeiro espetáculo contra a ditadura militar. Mas você nunca gostou de se dizer uma artista política.
BETHÂNIA – Não é gostar. Em arte cabe tudo, ela permite permear o que quiser. O que nunca gostei são limites. “Bethânia é uma cantora de protesto.” É mentira! Sou de protesto, de romantismo, chique, brega. Não gosto de limites. Quando canto político arrebento, mas gosto de arrebentar dizendo eu te amo. É mais duro dizer “eu te amo”, principalmente nos tempos de hoje, quando há gente queimada viva mostrada na televisão, gente degolada. Fora o que acontece de ruim mais de perto da gente.
JC – Havia uma frase de Millôr Fernandes, no cartaz de anúncio da sua estreia de Opinião, que dizia “seis meses e um diretor farão dela a grande cantora brasileira”.
BETHÂNIA – Millôr? Ele nunca gostou dos baianos. Você veja como é vida. E meu pé pega um pouco na Bahia. Não sou baiana radicada, vivo no Rio desde os 17 anos, mas tenho casa na Bahia por causa da minha família. Os meninos (Caetano Veloso e Gilberto Gil) que são baianééésimos apanharam, coitados.


JC – A aproveitando que você disse ser uma voz do Brasil: O que é o Brasil para você?
BETHÂNIA – Minha terra, um lugar mágico, lindo. Que está sendo destroçado. Mas a natureza está dizendo: “cansei, estão tirando a água, querem que eu tire o ar?”. Mas o Brasil é um Pais mágico. Somos maiores do que a burrice.
JC – E sua fé, Bethânia? Ela que lhe fortalece?
BETHÂNIA – Eu vivo na mão dos deuses, santos, santas, orixás, elementos da natureza. Sou mantida por eles.
JC – Então é a eles que você agradece por essa trajetória?
BETHÂNIA – É lógico. Fazer 50 anos de carreira... Só tenho a agradecer e a abraçar. E não me arrependo de nada!
JC – Qual o maior aprendizado deixado por sua mãe, Canô?
BETHÂNIA – Minha mãe é uma mulher tão especial. O espírito dela se mantém com a aquela luminosidade. Viveu 105 anos com lucidez, educando, ensinando e aprendendo. Tudo isso é uma marca, graças a Deus, que nunca pode ser apagada de nenhum de nós – dos filhos e das pessoas que tiveram a possibilidade de viver com ela. Particularmente, se eu respirar junto vem a saudade que eu tenho dela. A falta. Mas aprendi com ela que a vida é dádiva e que não se pode tratar com menosprezo seus amores, alegrias. Há um elo muito maior que tem que ser antes de tudo vivido. Aceitei em fazer o show em Santo Amaro mesmo ela não estando fisicamente ali. Mas ela estava no meu desejo de que ela me ouvisse, estava dentro de mim. Eu saí do seu ventre e hoje ela habita dentro de mim.

JC – Você já disse que quando não está no palco está ansiosa para estar nele. Nesses ínterins, o que você costuma fazer?
BETHÂNIA – Eu sou dona de casa. Dona da minha casa. Sou minha cozinheira, adoro mexer com minhas coisas, preparar a casa para receber meus amigos. Estou agora em Santo Amaro, mas em breve vou embora pro Rio. Ficarei lá no Carnaval, que na minha casa parece que não existe Carnaval. É uma paz. E quando estou em casa, cuido do meu jardim. Sou interiorana. Adoro meus amigos, dar risada. Agora, estou lendo muito Clarice Lispector, pois ganhei dos filhos dela muitos livros. 

Natal resiste a toda tristeza


Caetano Veloso:
"Passei o dia e a noite pensando em minha mãe. O dia de Natal passou a ser também o dia em que ela morreu. Nunca imaginei que fosse achar tão difícil aceitar que ela tenha morrido. Era uma grande alegria tê-la viva. Claro que alegra também saber que ela viveu bonito por tanto tempo e morreu bonito num 25 de dezembro. Mas o mundo tem me parecido, desde então, muito pior. Infelizmente não sei rezar como ela chegou a saber. Talvez tenha aprendido (principalmente com ela) que reconhecer a beleza da vida é uma maneira de rezar. Hoje, no dia de Natal, sinto como é difícil reencontrar a beleza. Não temos, no entanto - e muito menos eu que sou filho dela - o direito de abandonar a festa. A festa de tudo o que há, que é o que significa o jeito como ela habitou este mundo. Ela pôde dizer que a ideia de um Natal feliz resiste a toda tristeza. O mais justo com sua memória é acertar a ser feliz".

Linha 2: Uma agressão urbana

Waldeck Ornelas*
Já é possível à população de Salvador ter uma ideia clara de como ficará o futuro metrô ao longo da Avenida Luís Viana. Primeiro apareceram as megaestruturas em que se transformaram as estações, ocupando todo o largo canteiro central, algumas até avançando no espaço aéreo por sobre as pistas; mais recentemente, por entre os tapumes,  pode-se visualizar a infraestrutura do metrô, acompanhada por uma contínua grade lateral. O que era uma via expressa, mas que não impedia a permeabilidade urbana, passa a ser agora um obstáculo físico intransponível, delimitando e demarcando espaços desprovidos de fluidez e inibindo a inter-relação entre áreas de uma mesma cidade, como se vivêssemos em ambientes segregados.



Concebida no final dos anos 1960, simultaneamente à implantação do sistema de avenidas de vale do Epucs, a “Paralela” – assim chamada por seu traçado em relação à Avenida Octávio Mangabeira, então congestionado acesso ao aeroporto – teve a sua primeira pista implantada por ACM, quando prefeito, e a segunda por seu sucessor, Clériston Andrade. Por muito tempo, a Paralela reinou como uma das mais belas vias urbanas de todo o país, marcada por um paisagismo de alta qualidade, tão bem cuidado, ao longo de tantos anos, pelo Cel. Cabral, que dirigia a Sucab, a Superintendência do Centro Administrativo da Bahia. Um orgulho para os baianos, uma agradável surpresa para os visitantes. Agora, com o metrô, é o fim da avenida mais bonita do Brasil! Tínhamos um parque linear e passaremos a ter um “muro da vergonha”, como tantos outros que marcam áreas conflagradas ao redor do mundo – o que não somos. Um grave retrocesso. 
Alguma inteligência privilegiada entendeu que as cidades-sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014 deveriam ter sistemas de transporte de alta capacidade interligando os aeroportos aos estádios, porque dezenas de milhares de torcedores fanáticos por suas seleções cruzariam os céus de nosso país e, chegando aos aeroportos, se dirigiriam imediatamente aos estádios, retornando em seguida, após os jogos. Para as cidades-sede, esse seria o legado da Copa. Foi esse raciocínio que determinou a prioridade para a Linha 2 do metrô de Salvador... que, aliás, não se encontra com o terminal de passageiros do aeroporto. 
Todos sabem que o Trecho 2 do metrô é inviável economicamente, devendo por muito tempo receber subsídios extraordinários do governo do estado, onerando os combalidos cofres públicos estaduais e sugando recursos que deveriam atender a outras prioridades e urgências.
Se na escala da cidade o metrô da Paralela é uma agressão urbana, verdadeiro estupro, do ponto de vista do projeto de transporte ainda não está claro como se dará a integração com as linhas de BRT que precisarão ser implantadas ao longo dos eixos transversais – as avenidas Gal Costa e 29 de Março – seja a integração das estações, seja pela própria infraestrutura implantada, que segue um agressivo modelo rodoviarista. Assim, o que se vê é a invasão da cidade por projetos de uma engenharia viária que não têm mais cabimento nos ambientes urbanos. Tudo isto culminando com hostilidade e indiferença em relação ao pedestre – e passageiro – cujo acesso às estações deixa muito a desejar, como se não fosse esse a própria razão de ser do transporte de massa. Falta preocupação com a microacessibilidade e a integração com as áreas lindeiras. Dessa forma, o carregamento do metrô, à falta do passageiro próprio, fica na dependência da chamada integração.Pela forma como foi implantado e a partir do próprio traçado, agravado pela má qualidade do projeto, a cidade está condenada a conviver por anos a fio com um longo e sistemático trabalho de absorver o metrô, para integrá-lo ao seu cotidiano e à sua funcionalidade. O que deveria ser uma alavanca do desenvolvimento urbano incorpora-se à vida soteropolitana como um estorvo a ser corrigido.
* Waldeck Ornélas é especialista em planejamento urbano-regional e ex-secretário do Planejamento, Ciência e Tecnologia da Bahia. Foi Senador da República.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

ACM Neto anuncia nomes dos Secretários para novo mandato com algumas surpresas

O prefeito de Salvador anunciou a pouco os nomes do secretariado para a nova gestão que se inicia.
Surpresa maior foi a saída dos atuais secretários Paulo Fontana, Infraestrutura e Rosemma Maluf, órdem pública.
O esperado anuncio do vereador Paulo Câmara para compor a equipe não se concretizou.
A prefeitura terá nova composição de secretarias, após reforma administrativa já aprovada na Câmara de Vereadores.
Confira abaixo os perfis dos secretários:
Secretaria de Desenvolvimento e Urbanismo: Guilherme Bellintani (Foto: Divulgação)

Secretaria de Desenvolvimento e Urbanismo: Guilherme Bellintani

Foi secretário de Educação de Salvador e também da extinta pasta de Desenvolvimento, Turismo e Cultura durante a primeira gestão de ACM Neto. Assume a Secretaria de Desenvolvimento e Urbanismo pela primeira vez. É graduado em Direito e doutor em Desenvolvimento Regional e Urbano. É sócio da Faculdade Baiana de Direito e um dos fundadores do JusPODIVM, editora de livros jurídicos com atuação no norte e no nordeste.


Secretaria de Infraestrutura, Obras Públicas e Habitação:  Almir Melo (Foto: Divulgação)

Secretaria de Infraestrutura, Obras Públicas e Habitação:  Almir Melo

Ocupava a função de chefe da Superintendência de Conservação e Obras Públicas (Sucop) e agora irá comandar a secretaria de Infraestrutura, Obras Públicas e Habitação. É engenheiro civil e pós-graduado em Gerenciamento de Contratos. No setor público, foi diretor de Fiscalização da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia (Agerba), superintendente da Superintendência de Transporte Público Salvador (STP) e da Secretaria Municipal de Urbanismo. Foi ainda secretário municipal de Transporte e Infraestrutura de Salvador e secretário de Obras e Transporte de Canavieiras.


 Secretaria de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude: Taissa Gama (Foto: Divulgação) 

Secretaria de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude: Taissa Gama

Assume o cargo pela primeira vez. É formada em Ciências Sociais e pós-graduada em Administração, foi diretora-geral de Turismo na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador (Secult) e coordenadora técnica na Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia. Foi também titular do Conselho Municipal da Cidade de Salvador e titular do Conselho Municipal de Turismo de Salvador. Neste último, foi também secretária executiva.


Secretaria de Educação: Paloma Modesto (Foto: Divulgação)

Secretaria de Educação: Paloma Modesto

Irá ocupar o cargo pela primeira vez. É formada em Direito com mestrado em Direito Constitucional. Executiva com carreira de mais de dez anos em instituição de ensino superior. Gestora especializada em processos de Gestão Acadêmica e Administrativa, Expansão e Estratégia Institucional, com expertise no Gerenciamento de Educação Superior, Acreditações Externas, Gestão de Portfólio Educacional e Gestão de Projetos. Foi pró-reitora de Educação à Distância da Unijorge e ocupava atualmente o cargo de pró-reitora de Graduação da Universidade Veiga de Lima, no Rio de Janeiro.


Secretaria de Trabalho, Esportes e Lazer: Geraldo Júnior (Foto: Divulgação)

Secretaria de Trabalho, Esportes e Lazer: Geraldo Júnior

O vereador de Salvador, Geraldo Júnior, ocupará o cargo pela primeira vez. Formado em Direito e pós-graduado em Processo Civil, trilhou carreira profissional na advocacia privada. Foi coordenador Jurídico da Companhia Municipal de Abastecimento (Comasa) e subcoordenador das administrações regionais de Salvador. Assumiu o primeiro mandato como vereador em 2011.


Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza: Tia Eron (Foto: Divulgação)

Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza: Tia Eron

É deputada federal, eleita para o mandato de 2015 a 2019. Assumirá o cargo na secretaria pela primeira vez. Foi vereadora de Salvador por quatro mandatos.


Secretaria de Gestão: Thiago Dantas (Foto: Divulgação)

Secretaria de Gestão: Thiago Dantas

Procurador do Município de Salvador, atuando como chefe da Representação do órgão na Secretaria Municipal da Fazenda, é formado em Direito. Foi também advogado da União, lotado na Procuradoria da União no Espírito Santo, e atuou na Consultoria Jurídica do Ministério da Defesa, designado para a Consultoria Jurídica do Comando da Marinha. Foi também procurador da Fazenda Nacional e analista processual do Ministério Público da União.


Secretaria de Cultura e Turismo: Cláudio Tinoco (Foto: Divulgação)

Secretaria de Cultura e Turismo: Cláudio Tinoco

Vereador reeleito de Salvador, Cláudio Tinoco é o novo titular da pasta. É formado em Administração Pública, Direito Público Municipal e Gestão e especialista em Políticas Públicas e em Gestão de Cidades. Foi secretário de Infraestrutura da Bahia e presidiu a Empresa Salvador Turismo (Saltur).


 Secretaria de Ordem Pública: Marcos Vinícius Passos (Foto: Divulgação) 

Secretaria de Ordem Pública: Marcos Vinícius Passos

Desde 2013, comanda a diretoria Financeira da Câmara de Vereadores e comandará a secretaria pela primeira vez. É formado em Administração de Empresas e pós-graduado em Gestão Pública e Empresarial. Atuou por 18 anos no sistema bancário.


Secretaria de Comunicação: Paulo Alencar (Foto: Divulgação)

Secretaria de Comunicação: Paulo Alencar

Assumirá a pasta que foi criada na reforma administrativa. É graduado em Jornalismo e em Comunicação e Marketing, com pós-graduação na área de Comunicação. Trabalhou na Gazeta Mercantil, na área de comunicação corporativa da Odebrecht no Rio de Janeiro, Revista Brasil Energia, e foi consultor-executivo da MLink em Angola. Antes de aceitar o convite do prefeito ACM Neto, Paulo Alencar era diretor da Vick Comunicação e Marketing, no Rio de Janeiro.
Confira os perfis dos secretários que permanecem nos cargos:

Casa Civil: Luiz Carreira (Foto: Divulgação)

Casa Civil: Luiz Carreira

Ele continua no cargo de titular da Casa Civil. É formado em Administração com pós-graduação em Administração Pública, Análise Regional e Organização do Espaço e Sociologia para o Desenvolvimento, além de mestrado em Geografia Humana e Organização do Espaço. Foi secretário de Planejamento, Ciência e Tecnologia da Bahia. Em Brasília, atuou como deputado federal.


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Secretaria da Fazenda: Paulo Souto (Foto: Divulgação)

Secretaria da Fazenda: Paulo Souto

Atualmente, já é o secretário municipal da Fazenda. É geólogo de formação, com doutorado. Foi professor da Universidade Federal da Bahia por 16 anos. Ocupou a função de coordenador de Produção Mineral da Secretaria de Minas e Energia da Bahia para depois exercer a chefia da mesma pasta como secretário. Também foi superintendente da Sudene, vice-governador da Bahia e governador em dois mandatos. Ele ainda exerceu a função de senador pela Bahia.


Secretaria de Mobilidade: Fábio Mota (Foto: Divulgação)

Secretaria de Mobilidade: Fábio Mota

Desde janeiro de 2015, quando foi criada a Secretaria Municipal de Mobilidade, Fábio Mota é gestor da pasta. É advogado, historiador e pecuarista, pós-graduado em Processo Civil. Atuou como advogado na Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e na Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB). No setor público, foi presidente da Limpurb, secretário de Serviços Públicos de Salvador, secretário de Urbanismo e Transporte de Salvador e secretário Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo do Ministério do Turismo.


Secretaria de Saúde: José Antonio Rodrigues Alves (Foto: Divulgação)

Secretaria de Saúde: José Antonio Rodrigues Alves

Desde janeiro de 2013, José Antonio Rodrigues é o titular da pasta. Graduado em Administração e pós-graduado em Administração Financeira e Auditoria Contábil de Governo, foi secretário da Saúde da Bahia, consultor de Gestão em Saúde junto ao setor privado, prefeito de São Félix e provedor da Santa Casa de Misericórdia da Bahia/Hospital Santa Izabel.


Secretaria de Reparação: Ivete Sacramento (Foto: Divulgação)

Secretaria de Reparação: Ivete Sacramento

Também comanda a pasta desde 2013. É ex-reitora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e mestre em Educação pela Universidade do Quebec, em Montreal. É graduada em Letras Vernáculas com licenciatura em português. É professora titular da Uneb.


Secretaria de Manutenção: Marcílio Bastos (Foto: Divulgação)

Secretaria de Manutenção: Marcílio Bastos

Marcílio Bastos segue no comando da secretaria. Formado em Engenharia de Agrimensura, Engenharia Civil e Engenharia de Segurança do Trabalho, foi presidente da extinta Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador antes de ocupar a função de secretário municipal de Manutenção, cargo que continuará exercendo. É membro e fundador da Red Universitária Ibero Americana de Técnicas Municipais (Ruitem). Tem doutorando em Engenharia Municipal. Ele já atuou na Conder, na Câmara Municipal de Salvador e na Assembleia Legislativa nas áreas de produção e análise de projetos e consultoria técnica.


Secretaria de Cidade Sustentável e Inovação: André Fraga (Foto: Divulgação)

Secretaria de Cidade Sustentável e Inovação: André Fraga


Engenheiro Ambiental e pós-graduado em Gerenciamento de Projetos, é secretário de Cidade Sustentável de Salvador. A pasta que ele já comanda foi reformulada e ganhou novas atribuições com a reforma administrativa.
Procuradoria-Geral do Município – Luciana Rodrigues (cota pessoal).
Formada em Direito, pós-graduada em Direito Processual Civil e em Direito Público, atuou como advogada no Escritório de Advocacia Machado Meyer e na Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba). Foi ainda assessoria jurídica no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Em 2007, ingressou no quadro da Procuradoria Geral do Município, onde atuou em diversos cargos, sendo, nos últimos quatro anos, procuradora-geral.


O "ligeirinho" envelheceu

Paulo Ormindo*
A primeira administração do arquiteto e urbanista Jaime Lerner como prefeito de Curitiba, entre 1971 e 1975, foi um estouro. Ele transformou uma das ruas mais movimentadas da cidade na primeira via exclusivamente de pedestre do país, a Rua das Flores. Mas a sua grande invenção, que lhe permitiu ser reeleito duas vezes e chegar ao governado do estado, foi a Rede Integrada de Transportes, RIT, com seus ônibus articulados conhecidos como “ligeirinhos”. Na verdade, era a aplicação dos estudos desenvolvidos pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, IPPUC, fundado em 1965, que ele foi um dos criadores e diretores. Curitiba se transformou em um laboratório de gestão urbana admirada não só no pais como em todo o mundo. O segredo do ”ligeirinho” era criar estações elevadas, no mesmo nível do assoalho dos ônibus e a passagem ser cobrada antes da entrada no veículo, tornado as operações de embarque e desembarque muito rápidas, além dos ônibus rodarem em vias preferenciais. Para implantação do sistema foi preciso desenvolver um ônibus especial, articulado, com capacidade para 160 passageiros e com grandes portas altas, do lado esquerdo, para atracar em estações que ficavam no canteiro central. O projeto foi desenvolvido pelas duas maiores fabricantes de ônibus do país, a Volvo e a Marcopolo. Inspirado na RIT de Curitiba foram criados, nas décadas seguintes, sistemas de ônibus expressos em Quito e em Bogotá, este com o nome de TransMilenio. É em Bogotá que o sistema ganha grandes aperfeiçoamentos na administração do prefeito Enrique Peñalosa. As vias troncos passaram a ser exclusivas e ter duas faixas em cada direção permitindo ultrapassagens e criação de sistemas expresso e local de mobilidade. A construção do sistema começou em 1998 e foi inaugurado no final de 2000. Universalizado com o nome de Bus Rapid Transit, BRT, o sistema foi imitado em muitas cidades subdesenvolvidas, como um pseudo-metrô dos pobres. Enquanto um ônibus articulado transporta 160 passageiros, um metrô transporta 1.000. Passados 15 anos, os moradores de Bogotá protestam contra seu congestionamento, as autoridades declaram que o sistema chegou a seu limite, Peñalosa perdeu a eleição e já se estuda a implantação de um metrô subterrâneo. Nestes 50 anos de existência, o “ligeirinho” envelheceu. Naquela época, como ainda em Salvador, os ônibus eram montados sobre um chassi com seu assolho a 90 centímetros do solo, dificultando o acesso dos passageiros, especialmente crianças, velhos e deficientes. Em 1965, a cobrança da passagem era feira na entrada do ônibus com um curral e uma catraca retardando a parada nos pontos. Foi a remoção dessas barreiras que determinou o sucesso do “ligeirinho” curitibano. Hoje os ônibus têm estrutura monobloco, o que permite ter o assoalho a 20 centímetros do solo, como os usados nos embarques remotos nos aeroportos. Os mais modernos, com suspensão de ar comprimido, se inclinam lateralmente para nivelar ao passeio. A cobrança da passagem é feita com cartões pré-pagos, que são validados à bordo do ônibus, eliminando os currais e catracas. Câmaras de monitoramento permitem ter vias exclusivas sem necessidade de criar barreiras. Nova York e muitas cidades norte-americanas estão criando sistemas de ônibus expressos em vias exclusivas, mas não bloqueadas, com paradas a cada quatro quadras, ao compasso da onda verde dos semáforos. Os europeus investem em VLTs amigáveis e não poluentes. Neste meio século, a tecnologia evoluiu e o planejamento urbano involuiu no país. Arrepio-me quando ouço dizer que vão criar em Salvador um “ligeirinho” cinquentão entre a Lapa e o Iguatemi, competindo com o metrô, capeando rios, eliminando centenas de arvores e criando uma dezena de viadutos, um deles sobre o dique do Tororó, enquanto no Rio e em São Paulo estão eliminando viadutos e instalando VLTs para humanizar a cidade. 
*Paulo Ormindo Azevedo é professor titular da Ufba