terça-feira, 2 de junho de 2026

Fernando Wilson Magalhães, uma vida na política


Fernando Wilson Araújo Magalhães

Consuelo Pondé*

Fernando Wilson Araújo Magalhães, filho do pecuarista e comerciante Joaquim Sant’Ana Magalhães e da professora Almerinda Araújo Magalhães, nasceu na cidade baiana de Conceição de Almeida a 23 de setembro de 1924. 

Cursou o primário na cidade vizinha de Castro Alves, fez o ginásio e secundário no Colégio Maristas e bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Universidade Federal da Bahia – UFBa em 1949, ano em que a formatura da turma de Direito fez parte das solenidades que marcaram a inauguração do Fórum Rui Barbosa no ano do centenário deste. 

O orador da turma foi seu amigo e futuro aliado político Francisco Waldir Pires de Souza. Entre seus colegas, também estavam a artista plástica Jurema Penna e Paulo SPINOLA e os políticos Aloísio Short, Euclides José Teixeira Neto e Clériston Andrade. Casou-se com a psicóloga Sônia Maria Coni Campos Magalhães na cidade de Castro Alves a 17 de janeiro de 1952. Seu sogro era o médico Osvaldo Caldas Campos, também natural de Conceição de Almeida e duas vezes prefeito de Castro Alves.  Tiveram seis filhos: Luiz Fernando, Carlos Geraldo, Osvaldo, Fernando Wilson Filho, Paulo Rogério e Marcelo. 

Foi levado à política pela família, influenciado principalmente pelo pai – “um político do interior” – e pelo sogro. Depois de se formar em Direito no final de 1949 atuou como promotor público por um ano nas comarcas baianas de Morro do Chapéu e Caculé. 

Na primeira metade da década de 50 trabalhou com o pai no comércio de fumo e na fazenda. Ingressou no Partido Social Democrático – PSD e elegeu-se prefeito de Castro Alves (1956-1958). Findo seu mandato, foi eleito deputado estadual em duas legislaturas pelo mesmo partido (1959-1967). Na Assembléia Legislativa da Bahia, integrou as comissões de Agricultura e de Finanças. 

Em 1962, participou da campanha de seu amigo Waldir Pires contra Lomanto Júnior, o candidato da UDN para o governo da Bahia. Apesar de sofrer o veto da Igreja Católica, por não admitir que um dos seus fiéis aceitasse o apoio do Partido Comunista, Waldir perdeu as eleições por apenas 3% dos votos. 

Fernando Wilson tornou-se deputado federal pela primeira vez em 1966, cumprindo quatro mandatos entre 1967 e 1983, os três primeiros pela Aliança Renovadora Nacional – Arena – o partido oficial do regime militar instaurado em 1964 – e no último pelo Partido Democrático Social – PDS (o nome adotado pela Arena em 1979). Integrou as comissões de Agricultura e Política Rural (1975), de Economia (1975), de Finanças (1971 e 1975) e da Bacia do São Francisco (suplente em 1971 e membro em 1975). Foi suplente da comissão de Relações Exteriores (1971, 1975, 1979-1981). Também participou da CPI que investigou as causas de elevadas taxas de juros no Sistema Financeiro Nacional em 1980. Atuou como delegado às reuniões interparlamentares realizadas na República dos Camarões (1972) e na China (1981). 

Na Bahia, era presidente do Diretório Regional da Arena. Renunciou o mandato na legislatura de 1975-1979 em 31 de março de 1977 para assumir a prefeitura de Salvador durante o governo Roberto Santos, sendo o sucessor de Jorge Hage nesse cargo. Joir da Silva Martins Brasileiro (1926-2006) assumiu sua vaga na Câmara dos Deputados entre 1977 e 1979. Na área de infra-estrutura, a principal realização de sua prefeitura foi a conclusão de duas artérias urbanas: a Avenida Juracy Magalhães Júnior e a Avenida Mário Leal Ferreira, mais conhecida como Bonocô. Na esfera cultural, a prefeitura de Fernando Wilson realizou um estudo detalhado do antigo Departamento de Cultura, considerado obsoleto, e criou o Departamento de Assuntos Culturais, dirigido por Maria Rosita Salgado Góes. Parte integrante da reestruturação da Secretaria Municipal de Educação, a estrutura deste departamento foi “apoiado no pensamento da Política Nacional do Ministério da Educação e Cultura”. 

Realizou uma série de atividades desenvolvidas em três áreas principais – Cultura e Arte, Folclore e Patrimônio Artístico –, lançou prêmios e livros, firmou convênios, montou exposições e peças de teatro e valorizou a cultura popular baiana (GÓES). Findo seu mandato na prefeitura, Fernando Wilson voltou à Câmara dos Deputados em 1980.  Foi admitido na Ordem de Ipiranga com o grau de Grande Oficial  pelo Decreto Nº 16.529, de 22 de janeiro de 1981. Deixou a vida política em 1983 e passou a dedicar-se à fazenda herdada do pai. 

Além dos seis filhos deixou 3 netas, 7 netos e duas bisnetas,

Fernando Wilson Araújo Magalhães faleceu aos 87 anos de idade, no dia 28 de julho de 2013

* Consuelo Pondé foi Historiadora, Geógrafa e Antropóloga 

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