sábado, 27 de novembro de 2010

"Partir cést mourir un peu"

Oliveiros Guanais*
Gosto muito deste rondó, aliás, do verso "Partir c'est mourir un peu", que conheci numa canção antiga (década de 60) de Yves Montand.
No rondó famoso de Edmond Haraucourt, intitulado “Rondel de l’Adieu”, o tema é tratado de forma bonita o que fez a fama do poeta que é lembrado apenas por esta composição:
“Partir c´est mourir un peu",
Traduzir?

Poesia e música não se traduzem, mas vamos lá:

“Partir é morrer um pouco,
É morrer para aqueles que amamos
Deixamos um pouco de nós mesmos’
Nas horas e lugares onde estamos”
“É sempre a marca de uma dor extrema
O verso derradeiro de um poema;
Partir é morrer para aqueles que amamos”.
"A partida acontece: isto é um jogo,
E até o adeus final
É a alma que vamos semeando,
Semeando em cada adeus que damos
Partir é morrer um pouco"

"Feur au fusil, tambour battant, il va
Il a vingt ans et un cour d’amant qui bat,
Um adjudant pour surveiller ses pas,
E son barda contre ses flancs qui bat
Partir, pour mourir um peu
A la guerre, à la guerre."
É notório que podemos nascer ou não.
Uma serie de circunstâncias determinam o ato de virmos ao mundo.
Então, nascer é um ato contingente, não é um ato necessário não. Tudo mais que acontece na vida depende de fatores aleatórios.
Podemos ser altos ou baixos, gordos ou magros, ricos ou pobres, tudo tem seu aposto. Só uma coisa atinge a todos e não diminui ninguém: a morte. É de todos os seres vivos, e pode ser chorada por uns, festejada por ninguém.
Pode-se morrer no campo de batalha, lutando por uma causa.
E no dia seguinte as ruas do mundo estarem cheias de manifestações, de cartazes de energia humana transbordante, como se deu com Che Guevara.
Pode-se morrer jovem, de acidente, e não há ser ordinário capaz de externar satisfação pela ocorrência.
Pode-se morrer com 103 anos, com aconteceu com Barbosa Lima Sobrinho, e todos admiravam sua lucidez, escrevendo semanalmente para um jornal carioca até o fim de sua vida.
Pode-se até morrer de suicídio e morrer com grandeza, como aconteceu com Getúlio Vargas, que produziu, com sua morte voluntária, uma inflexão na historia do Brasil na década de 50.
Dessa forma, a vida é uma trajetória que tem o marco de chegada, que ninguém vê nem sabe onde está, mas que todos nós atingimos.
Dessa forma, somos iguais.
*Oliveiros Guanais, falecido em 21/11/2010, escreveu este texto em Salvador, 13 de setembro de 2006.

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