domingo, 9 de fevereiro de 2014

Salvador e a Centralidade

Armando Avena*
Salvador precisa repensar seu modelo de urbanização e elaborar um Plano Diretor Urbano moderno e despido dos velhos conceitos e das  velhas ideologias. Uma das questões a serem analisadas diz respeito a implantação de um novo modelo de centralidade. Atualmente, o que se verifica em Salvador é o fortalecimento e a ampliação da área central do Iguatemi e adjacências, com o raio de influencia atingindo a Av. Paralela, e de tal maneira que toda a cidade gira em torno dessa centralidade tanto no aspecto comercial quanto no aspecto habitacional. Enquanto isso, outras áreas como o Centro Histórico e a Calçada perdem sua centralidade de forma acelerada e áreas como o Comércio e a Barra lutam para manter algum nível de centralidade. Ou seja, o problema que hoje salta aos olhos em Salvador é a excessiva concentração em apenas um centro principal, a região do Iguatemi, e a perda crescente de importância dos subcentros e centros de vizinhança, de modo que a excessiva concentração do centro de compras, serviços e negócios em uma única área termina por causar transtornos e exigir cada vez mais investimentos, já que grande parte da população se desloca diariamente para essa área. Esse é um aspecto que necessita ser objeto de planejamento, pois nas modernas cidades do mundo o que se verifica é a disseminação de centralidades e o fortalecimento de sub centros que oferecem habitação, atividade comercial, serviços e atividades culturais de maneira que a população que aí reside não precisa ser deslocar diariamente para o centro da cidade. Na verdade, Salvador precisa fortalecer seus sub centros urbanos tanto na orla Atlântica, quando na orla da baía e no miolo da cidade. Tomemos, por exemplo, o Rio Vermelho, a Pituba ou a Barra que já são subcentros por excelência e que, se fortalecidos em sua infraestrutura, atenderão à sua população sem que ela precise deslocar-se para a área central da cidade. E se subcentros como esse forem criados em toda a extensão da orla de Salvador, a começar pela península de Itapagipe, passando pela Calçada, Ondina, Armação, Patamares, Itapuã e muitas outras áreas, será possível criar uma cidade muita mais equilibrada sob o ponto de vista de sua arrumação urbana. Em muitos casos para que a orla possa se ter vários sub centros ou centros de vizinhança será necessário adensar as áreas aumentando a população residente e isso precisa ser feito com a verticalização, mas uma verticalização original que, por exemplo, não construa um paredão de prédios altos, mas concentre em locais especificados esse tipo de edificação de modo que haja prédios na orla, mas não de modo contínuo e sim em espaços definidos. O fato é que Salvador precisa repensar sua urbanidade, retomar e fortalecer suas centralidades naturais e criar outras que possam dar mais harmonia a essa bela cidade.
*Economista,e Professor, foi Secretário de Planejamento do Governo da Bahia 
**Artigo publicado no jornal A Tarde. http://www.atarde.com.br 09/02/2014 

Nenhum comentário:

Postar um comentário