domingo, 6 de dezembro de 2009

Tributo a Rômulo Almeida

CLAUDIA CORREIA*
Dia 23 de novembro de 1988 falecia inesperadamente o brilhante homem público Rômulo Almeida. Como temos uma frágil memória histórica, poucos lembram de sua obra. Economista, nascido em Salvador de família de Santo Antônio de Jesus, ganhou nome de viaduto, de escola estadual e de rua. É muito pouco para a sua trajetória exemplar, repleta de contribuições ao desenvolvimento socioeconômico e cultural da Bahia, do Brasil e da América Latina.
Ele esteve presente na história de grandes empreendimentos brasileiros como a Fundação Casa Popular, a Petrobras, a Eletrobrás, a Confederação Nacional da Indústria, o Banco do Nordeste, a Sudene, a Rede Ferroviária Federal, o BNDES, a Capes e o Ibam, entre outros. Na Bahia, projetou a pioneira Comissão de Planejamento Econômico (CPE), a Coelba e o Polo Petroquímico de Camaçari.
Rômulo foi um visionário, um planejador humanista, um político sem vaidades. Era dotado de uma humildade típica dos sábios, que constrangia os que fazem da política trampolim para enriquecer a qualquer custo, dominar e ser bajulado.
Ele nunca quis ser mito, foi sempre um homem simples, de hábitos comuns e ao seu modo, muito amoroso. Concedia entrevistas a estudantes ávidos por conhecimento com o mesmo respeito que prestava atenção em monótonos discursos de intelectuais e políticos.
A última imagem que guardo de Rômulo, é ele sentado na varanda de sua casa na Pituba, com a “praguinha” do candidato Virgildásio Sena na camisa branca, no dia da eleição para prefeito de Salvador, quinze dias antes de falecer em 1988. Como de praxe, ele tinha percorrido algumas seções eleitorais e descansava brincando com o neto enquanto esperava o almoço ser servido.
Tive o privilégio de conviver com Rômulo de perto e observar cada gesto, ouvir cada ideia, compartilhar de algumas viagens por estradas empoeiradas na campanha de Waldir Pires ao governo da Bahia em 1986. Lembrar sua intensa presença na cena política e econômica nos desafia a ter esperança para superarmos a crise mundial e seguirmos perseguindo um desenvolvimento econômico com justiça social e equidade.
*Claudia Correia – Assistente social, jornalista

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