segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Esquerda e Direita

Antonio Risério

Considero óbvio o texto que publiquei hoje cedo. Assim como é óbvio que democracia não é um simples conceito, mas uma entidade que existe numa sociedade real.
Daí, a implicação também óbvia, mas para a qual nem sempre se atenta: é necessário deixar que a própria estrutura social se encarregue de esclarecer a realidade democrática que pretendemos construir, em determinada circunstância histórica.
A construção democrática é não somente uma práxis incessante, como deve se ajustar a situações nacionais específicas e objetivas.
No caso brasileiro, construir democracia, hoje, é o mesmo que construir cidadania. É ir além da afirmação prática dos direitos individuais, para chegar à realidade mais viva dos direitos sociais. E, assim, à configuração mais plena de uma democracia de massas.
 Cidadania implica voto, claro. Mas as coisas não param no rito eleitoral. Desigualdade social é sinônimo de desigualdade política. Logo, uma negação da vida democrática plena.
Construir democracia é construir cidadania. E construir cidadania é avançar no caminho da inclusão, em todas as suas dimensões. Inclusão social, educacional, cultural, digital, etc.
O que equivale a dizer que, para prosseguir no processo de construção de uma verdadeira democracia brasileira, devemos providenciar meios para aumentar a participação de todos na riqueza nacional. É tão simples assim.
Escrevo essas coisas apenas porque perdi a paciência para ver políticos, artistas e intelectuais dizendo que não existe mais “essa coisa de direita e esquerda”. Existe, sim.
E, como disse, um bom teste para saber quem é quem, em noite de gatos supostamente pardos, é checar o que a pessoa entende por democracia.
No caso de políticos e governantes, em especial, não apenas em plano retórico, que essa gente é craque em malabarismos discursivos, mentindo sem pudor. Mas, sobretudo, no campo do fazer.
Ou, como diria o padre Antonio Vieira, no campo da matrícula das ações de cada um. Aqui, sim, não há lugar para conversa fiada. E ninguém, como costuma dizer um amigo meu, vai confundir chacais com passarinhos.

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