Paulo Tarso Vilela de Resende*terça-feira, 16 de junho de 2009
Pedágio Urbano: Uma solução .....? NÃO
Paulo Tarso Vilela de Resende*segunda-feira, 15 de junho de 2009
Pedágio Urbano Já
Os problemas de trânsito e transporte público das cidades brasileiras são os principais causadores dos abomináveis congestionamentos diários impostos aos cidadãos. Por isso, os jornais e a televisão estão apresentando muitas matérias e programas sobre o assunto, com o nobre objetivo de subsidiar os governantes e políticos com as melhores soluções para amenizar o sofrimento dos habitantes de nossas metrópoles.
No caso das grandes cidades do país, uma solução imediata seria o pedágio urbano, de modo a induzir as pessoas a utilizarem o transporte público e fazerem uso de seus carros de forma inteligente, econômica e solidária. Sem dúvida alguma, os trânsitos caóticos dessas cidades são os principais responsáveis pela baixa qualidade de seus sistemas de ônibus urbano, que poderiam ser muito mais eficientes se trafegassem em vias menos congestionadas e poderiam, ainda, recuperar os passageiros perdidos para os transportes ilegais.
Em 2003, Londres implantou o pedágio urbano em uma área de 21 km², na região central da cidade, tornando-se a primeira grande cidade no mundo a adotar essa complexa medida de arrecadação de recursos para investimento em transporte público. No início, houve muitas críticas e antipatia política, mas, atualmente, o pedágio urbano está plenamente aceito. A prefeitura londrina arrecada anualmente cerca de R$ 350 milhões, que são integralmente investidos no transporte público da capital britânica. Os principais resultados indicam que houve redução de 30% no tempo médio de percurso das pessoas, diminuição de 15% do número de veículos em circulação e aumento de 14% no volume de passageiros nos ônibus, além de uma perceptível melhoria na qualidade de vida da população, com menos poluições sonora e atmosférica.
O pedágio urbano de Londres opera com 900 câmeras de alta precisão e veículos de patrulhamento. O sistema é pré-pago, com uma tarifa diária de R$ 30, que pode ser paga pela internet, celular ou em lojas, postos e supermercados. A multa pelo não-pagamento do pedágio é cerca de R$ 470. Estão isentos táxis, motos, ônibus e veículos de emergência, além de motoristas portadores de deficiência física.
Aprendi com meu guru para assuntos de trânsito, comandante Celso Franco, o mais famoso diretor do Detran do Rio de Janeiro, que o engenheiro de tráfego é o cardiologista da cidade, visto que luta contra os males da circulação viária. Há muitos anos, o comandante defende um projeto de incentivo para o transporte solidário, controlado eletronicamente, nas horas de pico, como a solução mais justa de pedágio urbano, denominado por ele de Utilização Racional da Via (URV). Nessa linha, Celso Franco foi alertado pelos técnicos da American Bank Note, empresa que viabilizou tecnicamente o sistema URV, que o projeto é autofinanciável, por gerar grande arrecadação de recursos.
No caso do pedágio urbano brasileiro, o sistema URV poderia ser o principal ator, pois incentiva o transporte solidário e a racionalidade no uso das vias urbanas. O URV consiste no aluguel de um chip adesivo, para ser colado por dentro do pára-brisa do veículo. Esse chip seria alugado em parceria com uma ou mais pessoas proprietárias de automóvel, além do dono do carro. Cada chip conteria dados do motorista e do veículo e todos os adesivos de um mesmo grupo de consorciados do car pool usariam o mesmo número. Nas áreas delimitadas pela prefeitura, seriam instalados medidores eletrônicos para ler os chips e fotografar as placas dos veículos que não os possuam, ou que não sejam os primeiros a passar. Assim, mensalmente, os proprietários dos carros com adesivos receberiam uma conta em casa. Nas horas do sistema URV, só passaria um carro associado ao pool. Os demais pagariam um pedágio urbano no valor diário de R$10, cinco vezes o preço do uso diário do chip, que seria de R$ 2. O sistema URV poderia render mais de R$ 1 bilhão anuais para investimentos em transporte público.
Cabe lembrar aos governantes que os investimentos públicos são realmente altos, mas os custos de não fazê-los são mais altos ainda.
Pedágio Urbano: Uma solução...? TALVEZ
Oded Grajew*A preocupação com as mudanças climáticas começou a ganhar a atenção dos paulistanos quando um problema da cidade chegou ao limite do suportável: o caos no transporte coletivo e individual e o agravamento da poluição.
Se, há algumas décadas as indústrias eram os grandes vilões, hoje os carros são a OVO de COLOMBO - Sevilha principal fonte emissora de poluentes. Na Grande São Paulo, 95% das emissões de gases como monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio e hidrocarbonetos saem dos veículos. A poluição do ar mata 12 pessoas por dia na capital, segundo a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. A presença de material inalável na atmosfera (principalmente a enorme quantidade de enxofre presente no diesel) atinge o dobro do recomendado pela Organização Mundial de Saúde. É como se o paulistano fumasse dois cigarros por dia, o que reduz em um ano e meio a expectativa de vida.
Nesse cenário, torna-se evidente a necessidade de soluções (de curto, médio e longo prazos) que garantam alternativas viáveis e eficientes para a população. A proposta de pedágio urbano – rejeitada por 87% dos paulistanos, segundo pesquisa realizada em janeiro pelo Ibope, em parceria com o Movimento Nossa São Paulo -, poderia, inclusive, ser descartada. O rodízio de veículos, em vigor há mais de dez anos, poderia ter sido evitado.
Não existem Ovos de Colombo nem receita única. São fundamentais iniciativas tanto do poder público quanto da sociedade civil. O Movimento Nossa São Paulo colocou à disposição no portal www.nossasaopaulo.org.br um conjunto de cerca de 1,5 mil propostas formuladas por centenas de cidadãos, organizações sociais e empresas para a cidade. Grande parte é dedicada à mobilidade urbana e à melhoria do transporte coletivo. O que, além de contribuir para a redução dos congestionamentos, poderá melhorar a qualidade do ar e, conseqüentemente, elevar a qualidade de vida da população.
Mas é importante lembrar que, em uma cidade com dimensões territoriais gigantescas como São Paulo, a crise na mobilidade urbana está diretamente relacionada à desigualdade social. A má distribuição dos equipamentos e serviços públicos e privados pelo Município obriga milhões de paulistanos a fazerem grandes deslocamentos para estudar, trabalhar, ir ao médico, pagar contas. Medidas preventivas – e não só as que se restringem especificamente à circulação de veículos – podem evitar soluções restritivas e contribuir para construção de uma cidade mais justa e sustentável.
*Oded Grajew é integrante do Movimento Nossa São Paulo e presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social
sábado, 13 de junho de 2009
Anísio Félix: Um dos Últimos Boêmios
Angelina Bulcão Nascimentosexta-feira, 12 de junho de 2009
San Telmo - Buenos Aires
É impossivel não ser seduzido pelas charmosas ruas e vielas do bairro de San Telmo, o mais atrativo dos bairros ao sul do centro de Buenos Aires. Descrito por Borges no seu conto O Sul como " um mundo mais antigo e sólido", as ruas e prédios tem a aparência de uma luxuosa decadência, resultado de uma gama de acontecimentos. No século dezenove, San Telmo era a moradia de ricos propriétários de terra que construíram grandes mansões e logo as abandonariam, trocando pela parte norte e mais arejada da cidade, após uma desastrosa epidemia de febre amarela iniciada em 1871. Logo as casas que deixaram para trás foram utilizadas para acomodarem as grandes levas de imigrantes europeus que começaram a chegar na cidade. As casas foram entao adaptadas e convertidas em alojamentos, que ficavam lotadas com os novos moradores. De certa forma isto ajudou a preservar as características do bairro visto que as casas nao foram demolidas mas adaptadas aos novos tempos. Hoje, o bairro permanece em grande parte como moradia de trabalhadores e estudantes. Provavelmente lhe advertirão sobre eventuais perigos do bairro. Mas a soberba arquitetura do local também atraiu artistas, boêmios e estudantes. Os residentes lhes dirão que o preço do aluguel no bairro vem subindo bastante ultimamente e muitas lojas de design, decoração e roupas vem se juntado às tradicionais lojas de antiquidades e aos antiquários, indicando que mais uma vez o bairro vai entrando na moda e se tornando ponto de encontro de moradores e turistas, principalmente nos finas de semana, com as tradicionais feiras de antiquidades realizadas na Calle Defensa e na Plaza Dorrego.San Telmo está também definitivamente associado ao Tango,
e, muitas das melhores casas de shows se encontram no bairro, como a tradicional Michelangelo(foto), na calle Balcarde. O espaço por sí só, já é um espetáculo. O casarão histórico que abrigou o primeiro convento de Buenos Aires nos anos 1700, hoje é palco de um belo show de tango.terça-feira, 9 de junho de 2009
O Projeto do Puerto Madero ( 2ª parte) - A cooperação entre a União e o Município.
Em novembro de 1989, um século após a primeira inauguração oficial de Puerto Madero, um fato institucional de importância transcendental ocorreu para a transformação urbana que adviria: a criação da Corporação Antigo Puerto Madero S.A. Alguns meses antes, a prefeitura de Buenos Aires havia solicitado a colaboração da prefeitura da cidade de Barcelona, em continuidade ao acordo de cooperação assinado entre as duas adminitrações em 1985. O resultado desde acordo foi a elaboração do Plano Estratégico para o Antigo Puerto Madero, elaborado em 1990 por Consultores Europeus Associados (Joan Busquets, arquiteto e Joan Alemany, economista). A proposta apresentada teve como referências as experiências europeias para este tipo de revitalização de áreas portuárias, como a de Barcelona, e, a forma como afetaram as grandes cidades portuárias onde foram implementadas.Criação da Corporação Antigo Puerto Madero S.A.
Em novembro de 1989, o Ministério de Obras Públicas e Serviços, o Ministério do Interior, por parte do Governo Federal e a Prefeitura de Buenos Aires, subscreveram um acordo de cooperação pelo qual concordaram em constituir, objetivando incentivar a reabilitação da área do antigo Puerto Madero, uma sociedade anônima chamada "Corporação Antigo Puerto Madero S.A.", na qual, ambas as partes, o Governo Federal e a Prefeitura de Buenos Aires seriam acionistas com igual participação. O Governo Federal tranferiu os 170 hectares do Puerto Madero, e o Governo da Cidade de Buenos Aires providenciou as correspondentes normas e planos de desenvolvimento urbano.Concurso Nacional de Ideias e o Plano Diretor
Uma vez estabelecida a cooperação e criada a empresa responsável pela urbanizção , entao, era a hora de elaborar um Plano Diretor que atuasse como indicador para o desenvolvimento da área, que definisse as estruturas dos espaços, o volume e a circulação. Considerando que a Sociedade Central de Arquitetos Argentinos era uma prestigiosa instituição, achou-se bastante adequado chamá-la a tomar parte do projeto. Em junho de 1991, a Corporação Antigo Puerto Madero S.A. subscreveu uma acordo de coopoperação com a Sociedade de Arquitetos e a Prefeitura de Buenos Aires , convocando um Concurso Nacional de Ideias para Puerto Madero.
· A reabilitação da área, revertendo a sua situação de deterioração;
· Reordenação que contribuisse para o restabelecimento das caracteristicas urbanas objetivando equilibrar o déficit existente na área urbana central da cidade, preservando suas potencialidades originais;
· Promoção das atividades relacionadas ao terceiro setor - escritórios públicos e privados, serviços culturais e comerciais - em conjunto com áreas residenciais;
.Reabilitacao das áreas próximas ao rio, com a implantação de áreas para esporte e recreação.
O concurso teve uma participação bastante expressiva: 96 escritórios de arquitetura de toda parte do país apresentaram seus projetos. Em fevereiro de
1992, os jurados premiaram três equipes de arquitetos. Ficou então estabelecido que três membros de cada equipe vencedora seriam indicados por cada escritório para tomarem parte em um novo grupo de especialistas para trabalharem na definição de espacos e na volumetria. Os membros indicados foram Juan Manuel Borthagaray, Cristian Carnicer, Pablo Doval, Enrique Garcia Espil, Mariana Leidemann, Carlos Marre, Rómulo Pérez, Antonio Tufaro and Eugenio Xaus, que completaram o projeto em Outubro de 1992.
Puerto Madero, Buenos Aires, (1ª parte) - Do fracasso ao sucesso
Osvaldo Campos MagalhãesInaugurado em 1882, o porto tem seu nome em homenagem a Eduardo Madero, engenheiro e comerciante local. O projeto foi financiado pelos ingleses e projetado pelo engenheiro de portos e ferrovias John Hawkshaw. As estrutura metálicas em ferro fundido foram todas fabricadas em Middlesbrought, Inglaterra. Daí a influência arquitetônica dos armazéns originais, em tijolos vermelhos, num look totalmente londrino.
inadequado face ao volume de tráfego marítimo gerado pelo meteórico crescimento do comércio exterior argentino e do aumento do tamanho e do calado dos navios.Puerto Madero foi fechado e um novo porto, de maior tamanho e profunfundidade foi construído ao norte, no bairro do Retiro, que até hoje está operacional.
Por quase todo o século XX, Puerto Madero, como uma relíquia histórica, esteve abandonado.
Contudo, ao final da década de 90, a Prefeitura da cidade de Buenos Aires e o Govero Federal assinaram um acordo visando recuperar toda a área. Foi assinado um contrato de parceria com a cidade de Barcelona para desenvolvimento dos estudos iniciais. Com a parceria do setor privado, que, cientes do valor das estruturas Vitorianas e do fantástico waterfront, iniciaram o projeto do novo Puerto Madero, transformando-o num aprazível local de morada , trabalho e lazer dos habitantes de Buenos Aires e, no mais concorrido ponto de turismo da cidade.
Com a retomada do crescimento econômico dos últimos cinco anos, o projeto tem se expandido com novos prédios comerciais e residenciais sendo implantados.

O projeto de Puerto Madero ao lado do projeto de Barcelona, é hoje referência mundial de revitalização urbana e de áreas portuárias. No Brasil , inspirou o bem sucedido projeto da cidade de Belém do Pará, onde o antigo porto tinha características muito parecidas com o de Buenos Aires.
No caso de Salvador, a característica do porto é bem diferente. Um projeto a ser implementado tem de levar em conta que os berÇos do trecho mais antigo do porto podem receber navios de turismo de grande porte, e , face ao expressivo crescimento deste segmento do mercado, deveria haver um investimento em um projeto que contemplasse um novo Terminal Marìtimo, que a exemplo do porto de Amsterdan, tivesse uma característica de multi-funcionalidade, operando como terminal de cruzeiros durante a temporada regular , e, como centro de eventos, shows e feiras comerciais, contribuindo para a revitalizaÇao do bairro do Comércio em Salvador.
domingo, 7 de junho de 2009
Impasse nos Portos da Bahia
Osvaldo Campos Magalhães
Já estamos em junho e desde o final de dezembro a Codeba, permanece sem o seu presidente. Enquanto isto, a crise financeira global, que afetou fortemente o comércio mundial, já mostra seus reflexos nos portos baianos com queda acentuada na movimentação e na receita.
E continua a indefinição em relação à ampliação do porto de Salvador, o que trará prejuízos futuros para toda economia baiana.
Ao mesmo tempo, os portos concorrentes de Pecém, Suape, Recife, administrados localmente por seus governos estaduais, são tratados como prioridades estratégicas na atração de novos empreendimentos e na geração de emprego e renda.
O que tem levado os baianos ao imobilismo em tema de tal importância? É chegada a hora do Governo da Bahia tomar uma posição política em defesa da nossa economia e do comércio exterior baiano.
Também em relação ao turismo marítimo, permanece o imobilismo na Codeba.
Apesar de Salvador apresentar um crescimento expressivo no número de escalas de Cruzeiros Marítimos, 103, com mais de 150.000 turistas visitando a cidade na última temporada encerrada em abril, os investimentos previstos para a implantação de um moderno terminal de cruzeiros marítimos desde 1990, permanecem indefinidos.
A concepção equivocada dos atuais administradores e dos novos planejadores do município de Salvador acerca da importância do porto de Salvador para a economia da cidade e do estado, as constantes mudanças na presidência da Codeba, seis nos últimos seis anos são fatores determinantes para a atual situação de incertezas.
O pensamento do novo secretário de planejamento do estado é um sinal alentador. Nada impede que Salvador, a exemplo de outras cidades como Barcelona e Amsterdan, continue sendo um importante porto cargueiro, especializado em contêineres e, também invista no segmento do turismo marítimo.
Em Barcelona, há 15 anos, os números eram semelhantes ao do porto de Salvador, cerca de 100 navios de cruzeiros e movimentação de 350.000 conteineres. Com a liderança do governo regional da Catalunha, o porto investiu na modernização das instalações de turismo e de movimentação de contêineres. Atualmente, com mais de 1.000.000 de turistas marítimos e cerca de 2.300.000 conteineres, é o porto líder no Mediterrâneo nestes dois segmentos.
Com a implantação do Porto Sul em Ilhéus, o Governo da Bahia deveria criar uma empresa portuária como fizeram o Ceará, Pernambuco e até o nosso vizinho estado de Sergipe e assumir a gestão dos portos públicos do estado, direcionando os mesmos para um novo ciclo de investimentos e modernização.
Osvaldo Campos Magalhães, engenheiro e Mestre em Administração, é autor da tese Portos & Competitividade ( UFBA/1994) e coordena o Núcleo de Estudos em Logística e Transportes
Artigo publicado no site da Usuport. http://www.usuport.org.br
sábado, 6 de junho de 2009
ZAGUE, UMA GRATA RECORDAÇÃO DO FUTEBOL BAIANO
Almir SantosQuem viu Zaguinho para os brasileiros, jogando na seleção mexicana numa edição da Copa América, mas Alves para os outros, lembra certamente do seu pai, Zague.
José Alves dos Santos, nascido em Salvador-BA, no dia 10 de agosto de 1934, um dos maiores centro-avantes que já jogaram nesta terra.
Nem mesmo o Aurélio esclarece o significado do apelido. Talvez rápido, raio, elegante, goleador, quem sabe...
Mas uma versão do próprio jogador dá conta que costumava correr fazendo zigue-zague pela praia e sua avó teria eliminado o zigue, ficando só o Zague
Estreou discretamente no Botafogo em 19.04.53 contra o Vitória, num ano em que Glorioso armou uma grande equipe. Vindo do subúrbio de Peri-Peri com muita fama, o center-forward suburbano, como chamava a crônica, estava ameaçado de ser sacado do time, pois não tinha marcado nenhum gol. Desencabulou contra o Ypiranga quando o Alvi-Rubro venceu por 4x2.
Daí disparou. Também conhecido como autor de “gols espíritas” veloz, elegante, cabeça erguida, excelente cabeceador, chutes fulminantes, um artilheiro que dava muitas alegrias à torcida de um time que se sabia de cór: Nazário Bartolomeu e Alberto; Flávio, Tatuí e Júlio; Dedeu, Teco, ZAGUE, Roliço e Lamarona.Brilhou no futebol baiano numa época farta em craques, onde se destacavam pelo Vitória, Nadinho, Quarentinha, Juvenal (o jegue alemão), Pinguela, Alencar, Valvir, Alirio e pelo Bahia Osvaldo Baliza, Juvenal da Copa, Florisvaldo, Lierte, Bacamarte, Raimundo I, Marito, Carlito e outros.Foi duas vezes vice-campeão pelo Botafogo quando disputou duas sucessivas finais contra o Bahia.. Num amistoso contra o Coríntians de São Paulo ele arrasou e logo foi contratado pelo clube paulista onde fez sucesso no Parque São Jorge de 1956 a 1961, com uma passagem pelo Santos FC em 1959. Pelo Corinthians fez 240 jogos e marcou 127 gols. Na historia do Corinthians só dois artilheiros o superaram: Claudio o Rivelino ficando à frente de Casagrande Viola e tantos outros,
Poderia ter chegado à seleção brasileira, mas foi negociado com o América do México e naquele tempo não se convocavam jogadores que estavam fora do país. Lá, aonde chegou a ser chamado de Rei do México entre 1961 e 1967 encerrou sua carreira.
Na seleção mexicanao Zaguinho (Alves) mostrou que era filho de peixe.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
A Orla de Salvador
Almir Santos
Muito oportuno o Seminário Orla Atlântica de Salvador, realizado nos dias 28 e 29 promovido pelo CREA
Participaram do evento O Fórum de Entidades em Defesa dos Interesses Coletivos da Cidade do Salvador e Região Metropolitana, A Cidade Também é Nossa e O Movimento Vozes de Salvador.
Destaque para a palestra do Arquiteto Paulo Hormino Azevedo, presidente do IAB e consultor do IPHAN, que propõe um novo zoneamento da área tombada desde 1950 entre O Costa Azul e Piatã.
De fato, a requalificação da Orla vez em quando volta à pauta do Estado e da Prefeitura, mas sem uma solução definitiva.
Se virarmos as páginas da história, sem exagero, pode-se afirmar que os problemas da Orla Atlântica de Salvador datam da sua implantação nos anos 40, quando foi concebida a estrada Amaralina-Aeroporto, hoje Avenida Octávio Mangabeira.
Ao longo dessa estrada havia pequenos aglomerados de casas e o Aeroclube de Salvador. Itapuã era basicamente uma vila de pescadores e local de veraneio. O grande projeto existente era o Loteamento Cidade Luz, que deu origem ao grande Bairro da Pituba.
Naquela época também foram construídos o prolongamento da Rua Osvaldo Cruz e a nova Avenida Amaralina, da Rua Marquês de Monte Santo até onde hoje se situa o Largo das Baianas.
O espaço entre Amaralina e Itapuã era na verdade um grande vazio.
O primeiro equívoco foi o lançamento da linha da estrada muito próxima à praia.
O segundo foi não ter sido preservada uma área suficiente para uma futura duplicação.
Enquanto isso, a Prefeitura concedia licença para loteamentos inexpressivos de projetos de má qualidade. O pior é que o mau exemplo se propagou até hoje em direção norte, ultrapassando os limites dos municípios visinhos. No geral a orla, com um todo, tornou-se inacessível para o visual e para o público.
Desta forma destruiu-se a paisagem do que poderia ter siso amaior e mais bonita avenida parque do país.
Uma ocupação desordenada, anárquica. A beleza do mar e dos coqueirais é ofuscada muitas vezes pela existência de edificações de um tremendo mau gosto, consolidadas face a omissão das administrações municipais.
Há ainda de se registrar as “invasões do colarinho branco”, ocorridas na Pituba, nos seus dois primeiros quilômetros, quando alguns proprietários de lotes avançaram seus gradis até o acostamento da antiga estrada. Não fora isso o trecho Amaralina-Clube Português poderia ter uma maior caixa.
Que as propostas apresentadas no Seminário resultem em ações dos poderes públicos e que a cidade, ainda que muito tarde, recupere uma área que apresenta sinais evidentes de degradação.
domingo, 31 de maio de 2009
Indicação de viagem: Pucon
Aos pés do vulcãopor Fabio Rigobelo
Localizada 785 km ao sul da capital do Chile, Santiago, Pucón tem características que fazem dela uma espécie de Campos do Jordão chilena, guardadas as devidas diferenças: é uma cidade encravada nas montanhas (no caso, nada menos do que os Andes chilenos), assumidamente turística e de clima frio, cheia de bons hotéis, opções de lazer e paisagens elegantes, com um leve ar europeu. Um gigante não adormecido, porém, é o grande atrativo dessa pequena cidade.
Como uma imensa sentinela guardando Pucón, o Villarrica pode ser considerado o "vulcão ideal": simétrico, lembra o formato do monte Fuji, no Japão. Sempre coberto de neve e constantemente soltando fumaça, ele teve sua última grande erupção em 1984. Os caminhos abertos pela lava são agora córregos de águas límpidas de fundo escuro, resultado da solidificação do material incandescente que desceu rumo ao lago queimando tudo.
Com 2.847 m de altura, o Villarrica é o principal destino dos aventureiros que visitam Pucón. De carro ou van, chega-se rápido ao centro de esqui localizado na base da montanha, a 1.200 m de altura e a 12 km de distância da cidade.
Apesar de simples, se comparada aos superequipados centros de esqui de Santiago ou do Valle Nevado, a estação de Pucón oferece nove teleféricos e aluguel de todo o material necessário para quem quer esquiar. Quem curte caminhar não deve perder a fantástica vista da cratera do vulcão. Ir ao topo e voltar, porém, não é brincadeira e leva cerca de quatro horas. Mas o visual compensa o cansaço e uma provável dor de cabeça, causada pela altitude.
Bela vista - Cortada pela simpática avenida O’Higgins, Pucón tem boas opções de comércio e vários cafés e restaurantes simpáticos. Objetos do artesanato mapuche (os nativos daquela região), roupas de lã e equipamentos para esportes dominam as vitrines da cidade.
Seguindo a mesma avenida em direção ao lago, chega-se a um destino peculiar: com sua areia negra e água geladíssima, La Poza, a principal e minúscula "praia" de Pucón, fica lotada de famílias chilenas, de fanáticos por esportes aquáticos e de turistas durante o verão. É um cenário privilegiado para quem se hospeda no Gran Hotel Pucón, o mais antigo da cidade (1936).
Nada comparado à maravilhosa vista que se tem de qualquer quarto do Villarrica Park Lake Hotel, localizado em um ponto do lago sem praia, a 13 km do centro, na bucólica estrada que liga Pucón a Villarrica.
Abrir as cortinas de manhã, ao acordar no Villarrica Park Lake, é um convite à contemplação: com sorte, é possível observar coelhos no jardim, enquanto a névoa vai se dissipando e revelando os patos em sua água prateada.
Com 70 quartos e um spa formidável, o Villarrica hospedou em sua suíte presidencial, em 2003, o então casal Leonardo DiCaprio e Gisele Bündchen, devidamente acompanhado da família da top, acontecimento largamente divulgado pelos orgulhosos funcionários do hotel.
Um pouco mais perto de Pucón, a cerca de dois quilômetros do centro, fica o hotel Antumalal, construído em 1945 pelo arquiteto chileno Jorge Elton. Hoje decadente, o prédio ostenta, nas paredes do hall de entrada, fotos de erupções do Villarrica. Há imagens também da rainha da Inglaterra Elizabeth 2ª, que se hospedou por ali nos anos 1960.
Cravado à beira do lago Villarrica, o Antumalal ostenta as formas modernas e funcionais típicas da arquitetura da Bauhaus, mescladas com muita madeira, pedras e peles de animais.
Já o Hotel del Lago, localizado logo atrás do Gran Hotel Pucón e um dos grandes da cidade, não precisou da ira do vulcão para arder em chamas: pegou fogo em 2007, lotado de hóspedes. Ninguém se feriu, mas o prédio continua vazio. Seu grande diferencial, porém, continua ativo: livre do incêndio, o Enjoy Casino & Resort, logo ao lado, tem unidades espalhadas por todo o Chile, onde o jogo é permitido e funciona a todo vapor.
Escondidas sob as paisagens frias da região de Pucón e Villarrica, com seus vulcões cobertos de neve, existem fontes de águas termais, aquecidas pela mesma lava que jorra dos vulcões e responsáveis por cerca de dez estações termais, todas com acesso fácil desde o centro de Pucón.
Divididas conforme a temperatura, as piscinas do parque termal Menetúe, localizado a aproximadamente 30 km do centro, deixam qualquer um relaxado, com águas naturalmente aquecidas a mais de 30ºC. Banhos de barro, saunas, duchas e um restaurante são outras opções de lazer, abrigadas sob uma construção rústica, com muita madeira e vidro, através do qual é possível ver os corajosos frequentadores que ousam entrar nas piscinas descobertas, onde a temperatura externa, no inverno, fica por volta de 5ºC.
No caminho para Menetúe é possível ver bem de perto o rio Trancura, cenário de esportes radicais, como rafting e rapel, principalmente nos dias mais quentes. Rodeada por riachos de águas cristalinas, lagos grandes e pequenos e parques nacionais, Pucón reúne os requisitos ideais para quem procura contato direto com a natureza, alternando esportes de inverno e o aconchego dos seus hotéis.
ONDE FICA
PARA QUEM Famílias, casais, amantes de esportes radicais
QUANDO IR De julho a setembro, para quem quer esquiar; dezembro a fevereiro, para aproveitar a "praia" e o verão
MOEDA R$ 1 = 278 pesos chilenos, aproximadamente (cotação da última quarta-feira)
quinta-feira, 28 de maio de 2009
O Folclore nos Transportes
Almir Santos quarta-feira, 27 de maio de 2009
Seminário discutirá a Orla Atlântica de Salvador
terça-feira, 26 de maio de 2009
Satélite europeu flagra rotas da poluição de navios
Mapa mostra que caminho de cargueiros corresponde a pontos críticos de poluição.sábado, 23 de maio de 2009
Indicação do Blog: BUDAPESTE
Diretor cria filme realista para narrar trama fantásticaINÁCIO ARAUJO CRÍTICO DA FOLHA
Avaliação: bom
Eu ví esta cidade crescer
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Humor nos Transportes
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Mês de Maria : Apenas uma recordação
terça-feira, 19 de maio de 2009
O Brilhante Nailton Santos.
Nailton Santos, irmão do famoso geógrafo Milton Santos, foi meu companheiro de política estudantil. A vida nos separou e depois nos encontramos apenas duas vezes, e conversamos, conversamos. Nailton era um negro inteligente, desaforado, irônico, sarcástico, brilhante e bote adjetivo nisso. Metia medo nas assembléias estudantis de que participava, nos idos de 1956 a 1960 . Os oradores que falavam depois dele tinham quase um refrão: ”como bem disse o colega Nailton, da Bahia”...ou “eu concordo plenamente com o colega Nailton”, coisas assim. Era um passaporte que usavam para ganhar a tolerância dele.
Depois do golpe, Nailton percorreu o mundo, sempre a trabalho. ONU, UNICEF, Europa, África. Voltando ao Brasil, foi Secretário de Miguel Arraes, em Pernambuco. Casado com uma holandesa, continuou sua vida de peregrino a serviço das boas causas.
A morte de Nailton ficou sabida em Salvador por notícia de A TARDE. Ele já não era lembrado por essas bandas; quando vinha aqui, ficava quase despercebido, hospedado no Praia Mar Hotel. Seu palco havia mudado, seus contracenantes já não eram vistos mais. Nailton era amigo de Edivaldo Boaventura e este, fiel à condição de católico praticante, mandou celebrar missa por ele, na Igreja da Vitória. Lá estávamos os amigos, amigos de diversas épocas. Edivaldo falou, elogiou o morto, disse que morreu de repente olhando para as nuvens, para o céu , e que estava ao lado da esposa.
Terminada a sua fala, franqueou o microfone para algum amigo que quisesse fazer uso da palavra, dando depoimento do Nailton que conhecera. Ninguém se movimentou. Logo, o espaço era meu. Levantei, dirigi-me para o altar, e perguntei a Edivaldo no caminho : - posso falar? –Claro,- disse ele. E eu falei. Ou melhor, tentei falar. Que coisa difícil é falar sobre a morte de um amigo, principalmente no altar de uma igreja! Mas dei conta do recado, dentro de minhas possibilidades emocionais.
Não falei o que gostaria de ter dito, mas referi-me às travessuras de Nailton, às ricas travessuras de Nailton, à sua genialidade, às suas gargalhadas provocativas. Gostaram. A mulher de um dos amigos presentes disse para mim:- gostei do que você falou. Você, quem é?- Vejam, os amigos mais recentes de Nailton e de convivência mais longa com ele estavam lá, conheciam-no bem, eram cultos, mas nenhum teve a coragem que eu tive. Ouvi, na hora, uma pequena discussão entre eles, um cobrando a fala que não houve por parte do outro.
É. É difícil falar numa igreja, mesmo sendo agnóstico. Mas eu falei.
Salvador, 21 de janeiro de 2006
domingo, 17 de maio de 2009
Minha querida rua Treze (final)
Meu pai, Álvaro, era muito querido. Uma figura carismática. Tinha um grande espírito público. Sem ser político, mas com um bom relacionamento com as autoridades, ia conseguido as melhorias para a rua: alargamento, pavimentação, iluminação, água encanada etc
Basta dizer que a Rua Treze sendo uma transversal, foi pavimentada antes da rua principal.
Outra conquista foi a primeira linha de ônibus: Segundo Arco-Praça da Sé. Os primeiros ônibus que operaram nessa linha foram os de números dois e três. Euclides, que dirigia o número dois, era o mais efetivo e mais simpático dos motoristas que se revezava com Borracheiro, Base Aérea, Djalma e Hildebrando.
Entre os cobradores, os mais efetivos eram Lindo Olhar, Ailton, Macaco, Pileque e Mário Bocão.
Era um transporte folclórico. Não havia horário. Como os motoristas ganhavam por comissão, ficavam esperando o bonde para saírem na frente e angariarem mais passageiros.
Os ônibus eram marca Ford a gasolina, 28 assentos. Mas a linha chegou a contar com ônibus, Mercedes, zero quilômetro com 36 lugares.
Mas o meu pai não se limitava a conseguir melhorias para a nossa rua.
Era muito alegre e adorava organizar festas de queima de Judas e festas de São João. Sempre com o apoio de minha mãe.
Há até a história de um balão de 16 metros que parecia um zepelim com três bocas, construído por ele. Foi um sucesso, muito comentado. Quando o balão passou nas proximidades do campo da Graça, o locutor Ubaldo Câncio de Carvalho, que transmitia um jogo, deu um especial destaque ao acontecimento.
Mas a grande alegria da família aconteceu em 1958.
Meus pais completaram bodas de prata. Minha irmã Noélia terminou o curso de contabilidade, Nely completou 15 anos e, juntamente com meu irmão Ayrton, concluí o curso de engenharia civil.
Realmente um ano de muitas alegrias. Ano de bodas, festa de 15 anos e formaturas.
Foram 40 anos bem vividos.
Estas são as histórias de MINHA QUERIDA RUA TREZE, cujas páginas do tempo não podem mais voltar.