Salvador precisa renovar o debate político, e a trajetória empresarial e administrativa de Guilherme Bellintani reúne credenciais que merecem ser examinadas na discussão sobre a Prefeitura em 2028.
A política de Salvador pode estar diante de um novo ciclo. Os resultados eleitorais recentes, as mudanças no comportamento do eleitorado e o desgaste das fórmulas tradicionais de disputa abrem espaço para a discussão de novas alternativas. Nesse contexto, o nome de Guilherme Bellintani merece entrar no debate.
Empresário, advogado, educador e ex-gestor público, Bellintani construiu uma trajetória marcada pela diversidade de experiências. Não se trata apenas de alguém que conhece os bastidores da política, mas de um profissional que transitou pela iniciativa privada, pela administração municipal e pela presidência de uma das instituições esportivas mais importantes da Bahia: o Esporte Clube Bahia.
Experiência que conta
A passagem de Bellintani pela Prefeitura de Salvador é um dos principais capítulos de sua trajetória. Durante a gestão de ACM Neto, esteve à frente de três secretarias municipais: Desenvolvimento, Turismo e Cultura; Educação; e Desenvolvimento e Urbanismo.
São áreas estratégicas para qualquer projeto de cidade. Turismo e cultura movimentam a economia e valorizam a identidade soteropolitana. Educação determina, em grande medida, as oportunidades das novas gerações. Desenvolvimento e urbanismo estão diretamente ligados à geração de empregos, à organização territorial e à qualidade de vida.
A experiência acumulada nesses setores oferece uma perspectiva abrangente sobre os desafios da gestão municipal. Conhecer a máquina pública, compreender suas limitações e participar da execução de políticas públicas são credenciais relevantes para quem pretende discutir o futuro administrativo da capital.
Sua trajetória empresarial acrescenta outra dimensão. A atuação em diferentes segmentos econômicos exige planejamento, organização, gestão de recursos e capacidade de tomar decisões. Embora os desafios do setor privado não sejam idênticos aos do poder público, essa experiência pode contribuir para a formulação de políticas voltadas ao desenvolvimento econômico e à geração de oportunidades.
Além da política tradicional
A presidência do Bahia, exercida entre 2018 e 2023, ampliou a projeção pública de Bellintani. À frente de um clube que mobiliza paixões e representa parte importante da identidade baiana, ele enfrentou desafios de gestão e governança em uma instituição de grande visibilidade.
Essa experiência, somada à atuação empresarial e administrativa, compõe um currículo que merece ser considerado no debate sobre os diferentes perfis de liderança disponíveis para Salvador.
Isso não significa antecipar conclusões sobre o cenário eleitoral. Significa reconhecer que a discussão sobre o futuro da cidade deve contemplar trajetórias, experiências e propostas diversas.
O cenário de 2028
A expressiva votação de Lula em Salvador nas eleições presidenciais e os resultados das disputas estaduais ajudam a compreender as transformações políticas da Bahia. Entretanto, a eleição municipal tem dinâmica própria: o eleitor também considera os serviços públicos, a realidade dos bairros, a mobilidade, a saúde, a educação e a capacidade de resposta da prefeitura.
Para 2028, o desafio das forças políticas será apresentar projetos capazes de dialogar com essas demandas concretas. Nessa discussão, Bellintani poderá ter seu percurso avaliado por partidos, lideranças e pela sociedade.
Mais importante do que especular sobre candidaturas é discutir o que Salvador precisa: planejamento de longo prazo, desenvolvimento econômico, redução das desigualdades, melhoria dos serviços públicos e uma administração comprometida com resultados verificáveis.
Salvador merece uma discussão à altura de seus desafios
A capital baiana não pode ficar refém de disputas entre grupos políticos ou de fórmulas que se repetem a cada eleição. A cidade precisa de propostas consistentes, capacidade administrativa e lideranças dispostas a enfrentar problemas históricos.
Guilherme Bellintani reúne experiência empresarial, formação acadêmica, passagem por três secretarias municipais e atuação à frente do Bahia. Esses elementos fazem de sua trajetória um tema pertinente para o debate sobre os rumos de Salvador.
O currículo, por si só, não substitui um programa de governo, assim como a experiência passada não dispensa a avaliação dos resultados. Mas é justamente a combinação entre trajetória, capacidade de diálogo e apresentação de propostas concretas que deve orientar a discussão sobre as lideranças de amanhã.
Em 2028, Salvador precisará escolher não apenas nomes, mas ideias, prioridades e um projeto de cidade. E toda liderança com experiência administrativa e disposição para debater o futuro da capital merece ter suas propostas examinadas publicamente.
*Osvaldo Campos Magalhães é Engenheiro, Mestre em Administração e especialista em competitividade e estratégia.
Osvaldo Campos Magalhães em co-autoria com IA Claude*
A redução dos voos comerciais na Bahia, associada aos custos do querosene de aviação (QAV), à carga tributária e à baixa rentabilidade de determinadas rotas, exige uma política integrada entre o Governo do Estado, o Governo Federal, as companhias aéreas e o setor turístico.
A solução passa pela redução dos custos operacionais, pela ampliação da conectividade aérea e pelo estímulo à demanda turística, com o objetivo de gerar emprego, renda e desenvolvimento regional.
1. Reduzir a carga tributária sobre o querosene de aviação
O Governo da Bahia pode avaliar o aperfeiçoamento dos incentivos fiscais, especialmente do ICMS incidente sobre o querosene de aviação, observando a legislação e os limites fiscais.
Os benefícios devem ser condicionados à ampliação de voos, à oferta de assentos e à criação ou recuperação de rotas estratégicas.
A experiência anterior da Bahia com incentivos ao setor aéreo demonstra a importância de utilizar instrumentos tributários para estimular a conectividade, embora seus resultados precisem ser avaliados periodicamente.
2. Negociar com o Governo Federal
Os custos da aviação também dependem de fatores que ultrapassam a competência estadual. Por isso, é necessário negociar medidas federais que favoreçam a redução dos custos do combustível, das despesas operacionais e das tarifas aeroportuárias.
A Bahia deve articular uma agenda conjunta com os órgãos federais responsáveis pela aviação e pelo turismo, buscando condições mais favoráveis para a abertura e a manutenção de rotas comerciais.
3. Criar o Programa Bahia Mais Voos e Turismo
Propõe-se instituir um programa estadual para recuperar ligações aéreas, ampliar a oferta de assentos e atrair novas operações nacionais e internacionais.
Entre as principais medidas estão:
Incentivos temporários para abertura de novas rotas.
Recuperação de ligações aéreas reduzidas ou canceladas.
Estímulo à concorrência e à ampliação da oferta de passagens.
Negociação com companhias aéreas para aumentar a conectividade.
Contrapartidas que assegurem resultados concretos para a população.
Os incentivos devem ser transparentes, temporários e condicionados a metas verificáveis, evitando a concessão de benefícios sem retorno econômico e social demonstrável.
4. Fortalecer o turismo regional
A política de aviação deve contemplar não apenas Salvador, mas também destinos como Porto Seguro, Ilhéus, Lençóis, Vitória da Conquista e outras regiões com potencial turístico.
Para isso, é necessário integrar aeroportos, transporte terrestre, hotéis, agências de viagens e municípios, promovendo roteiros regionais e ampliando a distribuição dos benefícios econômicos do turismo.
Também devem ser estimulados eventos culturais, festas populares, congressos e campanhas promocionais capazes de atrair visitantes durante todo o ano, reduzindo a sazonalidade.
5. Plano de ação para os primeiros 12 meses
Primeiros 90 dias: diagnosticar a redução dos voos, identificar rotas prioritárias, avaliar os incentivos existentes e negociar com as companhias aéreas.
De 3 a 6 meses: implementar os ajustes fiscais viáveis, formalizar compromissos com as empresas e lançar campanhas de promoção turística.
De 6 a 12 meses: avaliar os resultados, acompanhar a implantação das rotas e revisar medidas que não apresentem os efeitos esperados.
O programa deve monitorar indicadores como número de voos, oferta de assentos, preços das passagens, fluxo de turistas, geração de empregos e custo dos incentivos públicos.
Conclusão
A recuperação da aviação comercial e do turismo na Bahia exige uma política pública que combine incentivos tributários, negociação com o Governo Federal, atração de novas rotas e promoção dos destinos turísticos.
A principal proposta é criar o Programa Bahia Mais Voos e Turismo, vinculando os benefícios fiscais à ampliação efetiva da conectividade aérea e estimulando a participação das companhias aéreas, dos aeroportos e dos municípios.
O objetivo é tornar as viagens mais competitivas, fortalecer o turismo na capital e no interior e transformar a aviação comercial em instrumento de geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico para todo o estado.
*Engenheiro, Mestre em Administração especializado em Competitividade
Osvaldo. Campos Magalhães em coautoria com ChaptGPT*
A política brasileira parece desafiar a lógica e brincar com os destinos de seus protagonistas. Lula e Jair Bolsonaro, presidentes que dividiram o país e protagonizaram intensas disputas políticas, têm suas trajetórias marcadas por processos judiciais que levantam questões sobre justiça, punição e redenção.
Lula foi condenado em processos da Operação Lava Jato, preso em 2018 e impedido de disputar a eleição daquele ano. Em 2021, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, anulou suas condenações por questões de competência judicial. Posteriormente, o STF reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no caso do tríplex. Com os direitos políticos restabelecidos, Lula voltou às urnas e venceu a eleição presidencial de 2022.
Bolsonaro, por sua vez, foi condenado pelo STF, em setembro de 2025, a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. Seu caso colocou no centro do debate uma questão fundamental: até que ponto um ex-presidente pode responder judicialmente por atos que atentem contra a ordem democrática?
Os dois casos são juridicamente distintos. A anulação das condenações de Lula não equivale a uma declaração de inocência sobre todos os fatos investigados, assim como a condenação de Bolsonaro deve ser compreendida à luz das provas e das garantias do processo judicial.
A ironia está na maneira como essas histórias são interpretadas por uma sociedade profundamente polarizada. Para uns, Lula simboliza a superação de uma injustiça; para outros, representa a impunidade. Para uns, a condenação de Bolsonaro demonstra que ninguém está acima da lei; para seus apoiadores, ela merece contestação.
Agora, a possibilidade de uma anistia para Bolsonaro acrescenta outro elemento a esse enredo. Se Flávio Bolsonaro vier a ocupar a Presidência e promover uma iniciativa para beneficiar o pai, o Brasil terá de enfrentar uma questão delicada: onde termina a prerrogativa política e começa o conflito entre interesses familiares e o interesse público?
Afinal, anistia não é absolvição, assim como perdão jurídico não significa necessariamente redenção moral.
Uma decisão judicial pode restabelecer direitos, uma pena pode restringir a liberdade e uma anistia pode extinguir determinadas consequências jurídicas. Mas nenhuma dessas medidas, isoladamente, apaga o passado ou reconstrói a confiança da sociedade.
A verdadeira redenção exige responsabilidade, reconhecimento dos erros e respeito às instituições. Não basta voltar ao poder ou escapar de uma punição: é preciso demonstrar que as lições da história foram compreendidas.
Lula e Bolsonaro representam trajetórias diferentes, mas suas histórias expõem um dilema comum da democracia brasileira: a tentação de considerar justa toda decisão que favorece os nossos e injusta toda decisão que prejudica os nossos adversários.
No fim, a maior ironia talvez seja esta: aqueles que ontem cobravam justiça podem amanhã pedir clemência; aqueles que ontem celebravam uma condenação podem amanhã questionar outra.
O castigo pode terminar, a condenação pode ser anulada e o perdão pode ser concedido. Mas a redenção verdadeira não se decreta: conquista-se. E a democracia só se fortalece quando a lei vale para todos, independentemente do sobrenome, do partido ou do cargo que ocuparam.
A política contemporânea apresenta um fenômeno que merece atenção: lideranças que conquistaram enorme popularidade no passado podem, com o passar do tempo, transformar-se em obstáculos à renovação de seus próprios partidos. Quando a força eleitoral de um projeto político fica excessivamente dependente de uma única personalidade, a ausência de sucessores preparados pode comprometer sua continuidade e favorecer adversários que se apresentam como representantes de uma ruptura. Os casos dos Estados Unidos e do Brasil oferecem elementos importantes para compreender esse processo.
Nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden decidiu disputar a reeleição em 2024, apesar das preocupações públicas com sua idade, da queda de sua popularidade e das dúvidas sobre sua capacidade de conduzir uma nova campanha presidencial. Sua desistência ocorreu somente em julho daquele ano, após um desempenho desastroso no debate contra Donald Trump. Embora tenha apoiado a vice-presidente Kamala Harris como candidata democrata, a substituição aconteceu a poucos meses da eleição, reduzindo o tempo disponível para uma transição política mais ampla e para a consolidação de uma candidatura independente da imagem do governo.
A derrota de Harris para Trump, em novembro de 2024, evidenciou os limites dessa estratégia. A candidata herdou os desafios enfrentados pela administração Biden, especialmente o descontentamento de parte do eleitorado com o custo de vida e a imigração. Além disso, teve pouco tempo para construir uma identidade política própria e convencer os eleitores de que representava uma alternativa capaz de responder às suas insatisfações. Analistas apontaram a decisão tardia de Biden de abandonar a disputa como um dos fatores que prejudicaram os democratas, embora a derrota também tenha resultado de questões econômicas, sociais e eleitorais mais amplas. (The Associated Press)
O episódio revelou uma fragilidade na organização do Partido Democrata: a dificuldade de promover uma sucessão presidencial planejada, com tempo suficiente para debater propostas, testar lideranças e estabelecer uma conexão renovada com a sociedade. Biden não deixou de apoiar uma sucessora; o problema foi que a transição ocorreu tarde demais para que ela pudesse desenvolver plenamente uma candidatura própria.
Donald Trump, por sua vez, beneficiou-se do descontentamento com o governo democrata e da capacidade de se apresentar como alternativa ao sistema político tradicional. Seu discurso populista, nacionalista e fortemente polarizador encontrou receptividade entre eleitores insatisfeitos com a economia, a imigração e os rumos culturais do país. Assim, a vitória republicana não pode ser explicada apenas pelos erros de Biden, mas a dificuldade democrata de administrar a sucessão contribuiu para o contexto em que Trump retornou à Casa Branca.
O Brasil diante de um dilema semelhante
No Brasil, a trajetória política de Luiz Inácio Lula da Silva apresenta algumas semelhanças com o caso americano, embora existam diferenças importantes entre os dois países. Lula construiu uma liderança histórica, associada à defesa dos trabalhadores, à redução da pobreza e à ampliação das políticas sociais. Sua capacidade de mobilização eleitoral continua sendo um dos principais ativos do campo progressista. Entretanto, essa centralidade também levanta uma questão: até que ponto a esquerda brasileira conseguiu preparar novas lideranças capazes de preservar sua base social e disputar a Presidência sem depender diretamente de Lula?
Aos 80 anos, Lula concorre à reeleição em 2026. Sua candidatura ocorre em um cenário de polarização persistente e de fortalecimento da extrema direita. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Lula e Flávio Bolsonaro foram os dois candidatos mais votados e avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. O resultado demonstra que a disputa brasileira continua aberta e que a direita ligada ao bolsonarismo conserva uma capacidade expressiva de mobilização eleitoral. (Justiça Eleitoral)
A comparação com os Estados Unidos não significa que Lula e Biden tenham trajetórias, governos ou posições políticas equivalentes. Ambos, contudo, enfrentam uma questão comum às democracias contemporâneas: o risco de que a permanência de lideranças históricas dificulte a renovação partidária.
No caso brasileiro, Lula permanece como a principal referência eleitoral da esquerda e do centro-esquerda. Essa condição ajuda a manter diferentes setores unidos em torno de uma candidatura comum, mas também pode adiar a formação de uma liderança com força própria. A ausência de um sucessor amplamente reconhecido cria incertezas sobre o futuro do Partido dos Trabalhadores e sobre a capacidade de preservar a unidade de uma coalizão progressista.
Uma análise publicada pela Reuters em julho de 2026 destacou justamente essa contradição: Lula conseguiu reunir importantes forças de centro-esquerda em torno de sua candidatura, mas a união também evidencia a dificuldade de encontrar uma figura capaz de sucedê-lo. Nomes como Fernando Haddad e Camilo Santana aparecem nas discussões sobre o futuro do campo progressista, embora nenhum tenha alcançado a mesma projeção nacional de Lula. (UOL Notícias)
O problema, portanto, não está simplesmente na idade de um presidente. A experiência política pode representar uma vantagem, e a idade, isoladamente, não determina a capacidade de governar. A questão central é a falta de uma estratégia de renovação que permita a um partido preparar alternativas competitivas sem depender exclusivamente de seu principal líder.
O avanço da extrema direita e o desgaste das forças tradicionais
Brasil e Estados Unidos também compartilham outro elemento: o crescimento de movimentos políticos que exploram a insatisfação com as instituições, a insegurança econômica, a polarização cultural e a desconfiança em relação às elites dirigentes.
Trump e o bolsonarismo possuem diferenças próprias, mas apresentam pontos de aproximação. Ambos se apoiam em discursos de forte apelo nacionalista, na oposição ao que identificam como uma elite política e cultural dominante e na mobilização de eleitores que se sentem pouco representados pelos partidos tradicionais. As redes sociais desempenham papel relevante nesse processo, permitindo a circulação de mensagens diretas, a construção de comunidades políticas e a amplificação de conflitos.
Esse avanço não pode ser atribuído exclusivamente à falta de renovação da esquerda ou dos democratas. Há fatores econômicos, religiosos, culturais e regionais que ajudam a explicar a expansão da extrema direita. Nos Estados Unidos, a inflação percebida pelas famílias e a imigração foram temas importantes na eleição de 2024. No Brasil, a disputa envolve também valores religiosos, segurança pública, avaliação dos governos e diferentes interpretações sobre o papel do Estado na economia e na sociedade. A extrema direita reúne grupos heterogêneos, e nem todos os seus eleitores compartilham as mesmas motivações.
Ainda assim, quando os partidos governistas não conseguem renovar seus quadros, comunicar resultados e oferecer respostas convincentes às preocupações cotidianas, abrem espaço para adversários que prometem mudanças profundas. Em momentos de insatisfação, a experiência acumulada de um líder pode deixar de ser percebida como uma virtude e passar a ser associada à continuidade de problemas que o eleitor deseja superar.
A eleição americana de 2024 ilustra como uma transição tardia pode limitar as alternativas de um partido. A disputa brasileira de 2026, por sua vez, coloca em evidência a necessidade de pensar a sucessão política para além de uma eleição específica. Em ambos os casos, a renovação não deveria ser improvisada às vésperas do voto, mas construída ao longo dos anos, com formação de quadros, debates programáticos e participação de novas gerações.
O futuro depende da capacidade de renovação
A principal lição desses dois cenários é que a força de um partido não pode depender indefinidamente da popularidade ou do prestígio de uma única pessoa. Lideranças históricas podem ser fundamentais para construir movimentos políticos, mas a continuidade de seus projetos exige instituições partidárias capazes de preparar sucessores, renovar ideias e dialogar com as transformações da sociedade.
Para a centro esquerda brasileira, o desafio é construir uma alternativa que preserve conquistas sociais sem se limitar à defesa do legado de Lula. Isso significa formar novas lideranças, apresentar propostas para problemas contemporâneos e compreender as razões pelas quais parcelas do eleitorado se aproximam da extrema direita. Para os democratas americanos, a experiência de 2024 também demonstrou a importância de uma sucessão planejada e da capacidade de distinguir a identidade do partido da imagem de seu presidente.
Não se pode afirmar que a insistência de um líder na reeleição conduza necessariamente à vitória de seu adversário. Tampouco é possível reduzir o crescimento da direita a um único erro estratégico. As eleições são influenciadas por múltiplos fatores, e o eleitorado não é um bloco uniforme. Entretanto, a falta de renovação pode aumentar a vulnerabilidade de partidos que, mesmo contando com realizações relevantes, perdem a capacidade de representar as expectativas de parcelas da população.
O risco para a democracia não está apenas na derrota de um partido, algo normal em qualquer sistema eleitoral competitivo. Está também na incapacidade das organizações políticas de se renovar, acolher novas demandas e oferecer alternativas consistentes à sociedade. Quando a sucessão é adiada repetidamente, o debate público tende a ficar preso à disputa entre personalidades, em detrimento da discussão sobre projetos nacionais.
Brasil e Estados Unidos vivem realidades diferentes, mas suas experiências recentes apontam para uma reflexão comum: nenhuma liderança, por mais importante que tenha sido, pode substituir indefinidamente a construção de um futuro político coletivo. A renovação não é apenas uma questão de idade. É uma questão de estratégia, representatividade e responsabilidade institucional.
A história demonstra que partidos que não preparam o amanhã podem acabar surpreendidos pelo presente. E, quando a renovação deixa de ser conduzida de maneira planejada, seus adversários podem ocupar o espaço aberto pela falta de alternativas. Mais do que insistir na permanência de seus líderes históricos, as forças políticas precisam demonstrar que são capazes de produzir novas ideias, novas lideranças e novas respostas para uma sociedade em transformação. A extrema direita populista ameaça a própria democracia, podendo produzir uma convulsão social , com a possibilidade da implantação ao totalitarismo.
*Osvaldo Campos Magalhães é engenheiro e mestre em Administração
**ChatGPT é criação da empresa OpenAI, fundada em dezembro de 2015 por Sam Altman
Fernando Wilson Araújo Magalhães, filho do pecuarista e comerciante Joaquim Sant’Ana Magalhães e da professora Almerinda Araújo Magalhães, nasceu na cidade baiana de Conceição de Almeida a 23 de setembro de 1924.
Cursou o primário na cidade vizinha de Castro Alves, fez o ginásio e secundário no Colégio Maristas e bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Universidade Federal da Bahia – UFBa em 1949, ano em que a formatura da turma de Direito fez parte das solenidades que marcaram a inauguração do Fórum Rui Barbosa no ano do centenário deste.
O orador da turma foi seu amigo e futuro aliado político Francisco Waldir Pires de Souza. Entre seus colegas, também estavam a artista plástica Jurema Penna e Paulo SPINOLA e os políticos Aloísio Short, Euclides José Teixeira Neto e Clériston Andrade. Casou-se com a psicóloga Sônia Maria Coni Campos Magalhães na cidade de Castro Alves a 17 de janeiro de 1952. Seu sogro era o médico Osvaldo Caldas Campos, também natural de Conceição de Almeida e duas vezes prefeito de Castro Alves. Tiveram seis filhos: Luiz Fernando, Carlos Geraldo, Osvaldo, Fernando Wilson Filho, Paulo Rogério e Marcelo.
Foi levado à política pela família, influenciado principalmente pelo pai – “um político do interior” – e pelo sogro. Depois de se formar em Direito no final de 1949 atuou como promotor público por um ano nas comarcas baianas de Morro do Chapéu e Caculé.
Na primeira metade da década de 50 trabalhou com o pai no comércio de fumo e na fazenda. Ingressou no Partido Social Democrático – PSD e elegeu-se prefeito de Castro Alves (1956-1958). Findo seu mandato, foi eleito deputado estadual em duas legislaturas pelo mesmo partido (1959-1967). Na Assembléia Legislativa da Bahia, integrou as comissões de Agricultura e de Finanças.
Em 1962, participou da campanha de seu amigo Waldir Pires contra Lomanto Júnior, o candidato da UDN para o governo da Bahia. Apesar de sofrer o veto da Igreja Católica, por não admitir que um dos seus fiéis aceitasse o apoio do Partido Comunista, Waldir perdeu as eleições por apenas 3% dos votos.
Fernando Wilson tornou-se deputado federal pela primeira vez em 1966, cumprindo quatro mandatos entre 1967 e 1983, os três primeiros pela Aliança Renovadora Nacional – Arena – o partido oficial do regime militar instaurado em 1964 – e no último pelo Partido Democrático Social – PDS (o nome adotado pela Arena em 1979). Integrou as comissões de Agricultura e Política Rural (1975), de Economia (1975), de Finanças (1971 e 1975) e da Bacia do São Francisco (suplente em 1971 e membro em 1975). Foi suplente da comissão de Relações Exteriores (1971, 1975, 1979-1981). Também participou da CPI que investigou as causas de elevadas taxas de juros no Sistema Financeiro Nacional em 1980. Atuou como delegado às reuniões interparlamentares realizadas na República dos Camarões (1972) e na China (1981).
Na Bahia, era presidente do Diretório Regional da Arena. Renunciou o mandato na legislatura de 1975-1979 em 31 de março de 1977 para assumir a prefeitura de Salvador durante o governo Roberto Santos, sendo o sucessor de Jorge Hage nesse cargo. Joir da Silva Martins Brasileiro (1926-2006) assumiu sua vaga na Câmara dos Deputados entre 1977 e 1979. Na área de infra-estrutura, a principal realização de sua prefeitura foi a conclusão de duas artérias urbanas: a Avenida Juracy Magalhães Júnior e a Avenida Mário Leal Ferreira, mais conhecida como Bonocô. Na esfera cultural, a prefeitura de Fernando Wilson realizou um estudo detalhado do antigo Departamento de Cultura, considerado obsoleto, e criou o Departamento de Assuntos Culturais, dirigido por Maria Rosita Salgado Góes. Parte integrante da reestruturação da Secretaria Municipal de Educação, a estrutura deste departamento foi “apoiado no pensamento da Política Nacional do Ministério da Educação e Cultura”.
Realizou uma série de atividades desenvolvidas em três áreas principais – Cultura e Arte, Folclore e Patrimônio Artístico –, lançou prêmios e livros, firmou convênios, montou exposições e peças de teatro e valorizou a cultura popular baiana (GÓES). Findo seu mandato na prefeitura, Fernando Wilson voltou à Câmara dos Deputados em 1980. Foi admitido na Ordem de Ipiranga com o grau de Grande Oficial pelo Decreto Nº 16.529, de 22 de janeiro de 1981. Deixou a vida política em 1983 e passou a dedicar-se à fazenda herdada do pai.
Além dos seis filhos deixou 3 netas, 7 netos e duas bisnetas,
Fernando Wilson Araújo Magalhães faleceu aos 87 anos de idade, no dia 28 de julho de 2013
* Consuelo Pondé foi Historiadora, Geógrafa e Antropóloga