quarta-feira, 6 de abril de 2011

Estado e Prefeitura de Salvador anunciam monitoramento das obras da Copa 2014

Estado e prefeitura de Salvador anunciam monitoramento das obras da Copa, principalmente da Arena Fonte Nova, mobilidade urbana, porto e aeroporto O governo da Bahia e a prefeitura de Salvador vão instalar uma mesa de monitoramento da Copa do Mundo 2014. O anúncio foi feito durante uma reunião com a presença do prefeito João Henrique, do secretário da Secopa, Ney Campello, do coordenador do Escritório Municipal da Copa do Mundo 2014 (Ecopa), Leonel Leal, e de representantes estaduais e municipais. O encontro aconteceu segunda-feira (4), no Palácio Thomé de Souza. A mesa será instalada logo após a assinatura de um termo de cooperação pelo governo estadual e prefeitura, prevista para a próxima semana. O objetivo é acompanhar o andamento de todas as atividades de preparação para a Copa através de reuniões mensais, com prestação de contas pelas instâncias responsáveis. Além do anúncio, foram levantadas as informações mais relevantes de cada uma das grandes intervenções que serão realizadas na cidade, principalmente as obras da Arena Fonte Nova, mobilidade urbana, porto e aeroporto. Estiveram presentes ainda o presidente da Codeba, José Rebouças, o superintendente regional da Infraero, José Cassiano, o presidente da Fonte Nova Participações, Dênio Cidreira, e a superintendente da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano, Graça Torreão, que abordaram as respectivas obras. Nos próximos dias, o Estado e o Município vão elaborar um relatório único reunindo todas as informações, que será apresentado nesta quinta-feira (7), em Brasília, na reunião de acompanhamento e monitoramento das ações previstas na matriz de responsabilidades, com a participação de representantes da Casa Civil da Presidência da República, da Infraero, da Secretaria de Portos, dos ministérios do Planejamento, do Esporte, da Fazenda e das Cidades e dos representantes de cada sede da Copa do Mundo 2014. Fonte: Agecom

terça-feira, 5 de abril de 2011

Onze consórcios habilitados na PMI do Sistema Integrado de transportes - Salvador - Lauro de Freitas

Bruno Villa*
O juiz apitou o início da partida, mas o primeiro gol da discussão sobre o modelo de transporte público em Salvador para a Copa 2014 só será marcado daqui a, pelo menos, 60 dias. Só em junho, a apenas três anos do pontapé inicial do torneio, o governo estadual baterá o martelo em junho. Depois, ainda serão definidas as datas de licitação e início das obras. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Sedur) recebeu manifestação de interesse de 11 empresas e consórcios que pretendiam elaborar estudos técnicos sobre qual meio de transporte deve ser adotado entre Salvador a Lauro de Freitas, na Região Metropolitana. Dez cumpriram os requisitos legais. Na manifestação de interesse, as empresas não dão qualquer detalhe sobre suas propostas, apenas comprovam, através de documentos, que estão aptas a participar. “Neste primeiro momento, as empresas manifestaram apenas o interesse em participar, sem adiantar nada”, explicou o chefe de gabinete da Sedur, José Eduardo Copello. Somente em 1º de junho, os participantes apresentarão os estudos técnicos, financeiros, jurídicos e ambientais sobre qual modelo é melhor para a cidade - o Bus Rapid Transit (BRT), com corredores exclusivos para ônibus articulados, ou o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), uma espécie de bonde moderno. De acordo com o Procedimento de Manifestação de Interesse 01/2011, as principais exigências são a capacidade de concluir as obras antes da Copa e que o sistema de transporte seja integrado ao metrô. As propostas não podem ultrapassar o valor de R$ 2,5 milhões cada uma. Após esta fase, um grupo de trabalho executivo (GTE), a ser formado, terá 15 dias para escolher as melhores propostas. O resultado servirá para elaborar o edital de licitação para início das obras, ainda não sem data. A empresa que vencer a licitação deverá reembolsar totalmente ou em parte os grupos que realizaram os estudos técnicos. * Jornalista do Correio da Bahia

Salvador 462 anos: superação e renovação

João Henrique Carneiro*

As metrópoles não envelhecem. Elas se renovam. A cada ano renascem e seguem em frente junto com os seus habitantes e as aspirações, desejos e sonhos de cada um deles. É dessa simbiose buliçosa – homem e habitat – que resulta a dinâmica que movimenta a vida e o cotidiano. Com Salvador e seu povo é também assim.

Ao fazer 462 anos nesta terça-feira (29/03) a nossa bela e querida Salvador busca mais uma vez a superação e a renovação, com chances reais de se modernizar mais ainda e oferecer a seus 3 milhões de moradores novas perspectivas, novas oportunidades e a certeza de que o futuro tem sempre que ser agora.

Não temos dúvidas de que os desafios são grandes, que a desigualdade social ainda é enorme e que grande parte da população é carente. Mas temos também a convicção de que nada é insuperável. Ao contrário, isso nos encoraja para lutar por uma cidade cada vez melhor e ainda mais digna do seu povo. Vale ressaltar alguns indicativos. Apesar de sermos a terceira capital do país em população, somos a penúltima em renda per capita entre as capitais dos estados. Só ganhamos de Palmas, capital do Tocantins.

Em termos comparativos podemos citar outro exemplo claro das dificuldades que temos a superar: enquanto Belo Horizonte, a capital de Minas Gerais, tem uma previsão de receita anual de 7,5 bilhões, Salvador deve arrecadar este ano 2,9 bilhões. Enfrentamos também um inchaço muito grande ao receber 170 novos moradores/dia, o que dá uma média de 60 mil/ano. Significando que a cada 10 anos ganhamos novos 600 mil moradores. São números expressivos e tornam as demandas bem maiores e bem mais complexas. Entretanto, nunca nos intimidaram. Nos fazem é arregaçar mais ainda “as mangas” e buscar meios para crescer, gerar oportunidades e empregos para a população.

O PDDU, aprovado há pouco mais de três anos pela Câmara de Vereadores, veio nos oferecer caminhos e abrir novos horizontes. Um dos seus efeitos foi o boom da construção civil, setor que mais contribuiu para reduzir drasticamente históricos índices de desemprego. Salvador hoje caminha para um taxa cada vez menor. Com coragem estamos enfrentando a questão das barracas de praia. Cumprimos aquilo que a União determinou, agora vamos para a requalificação de toda orla marítima, com intervenções estruturais e sem esquecer nossas obrigações sociais. Os bairros do subúrbio e as ilhas soteropolitanas ganharam serviços e passaram a ter a presença sistemática da administração municipal. Temos muito a fazer, temos a todo instante que superar nossos limites. A contribuição dos governos federal e estadual tem sido fundamental. E vai ser mais ainda.

Com o advento da Copa do Mundo de 2014, quando seremos uma das sedes; da Olimpíada de 2016, quando sediaremos parte do torneio de futebol; e mais a Copa das Confederações e, com fé em Deus, a abertura da Copa do Mundo; teremos que ter uma cidade preparada. São mega eventos, que vão nos projetar mais ainda mundialmente, e que exigirão grandes investimentos. Há pouco mais de um ano, lançamos um pacote de projetos (20) estruturantes, o Salvador Capital Mundial, que dá uma diretriz para a cidade para os próximos 20 a 30 anos. Temos o projeto da mobilidade social, com a Rede Integrada de Corredores de Transporte. São projetos que começam a sair do papel e que nos remete a uma Salvador menos desigual e mais digna desse seu valoroso povo. Somam-se a isso as nossas características culturais únicas, fruto da rica herança deixada pelos nossos ancestrais e a beleza ímpar que a natureza nos legou. São bens valiosos preservados e reinventados pela criatividade do nosso povo. Bens que alimentam nossas mentes e nossos corações e nos fazem amar cada vez mais a nossa Salvador.

Nesse aniversário, os parabéns vão para Salvador e seu povo. Que, como essa Baía de Todos os Santos, se renova e renova a cidade, com determinação e essa alegria contagiante que tanto encanta. Vamos em frente, não temos tempo a perder. * Economista, ex -Vereador pelo PFL, deputado estadual pelo PDT e Prefeito de Salvador (PDT - PMDB - PP) ** Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde, 4/04/2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Lídice entra no jogo da sucessão

Tasso Fanco*
Como publicamos no site BahiaJá (www.bahiaja.com.br), dia 30/03, a senadora Lídice da Mata (PSB) "pôs fogo na sucessão" de Salvador, ano 2012, ao emitir uma nota partidária na qual afirma que seu partido não será mais coadjuvante do processo eleitoral em Salvador. Só lembrando, Lídice foi candidata a vice-prefeita na chapa de Walter Pinheiro (PT), em 2008, até hoje muito discutida se o melhor não seria o inverso. A sucessão do prefeito João Henrique (PP) está na ordem do dia. A imprensa tem comentado o tema porque, nos bastidores da política, há uma movimentação intensa de pré-candidatos, organizam-se assessorias e, cada qual, no âmbito partidário, procura se posicionar para não perder espaços. Geddel Vieira Lima, PMDB, está abraçando Salvador em peças de outdoor; Walter Pinheiro, do PT, saúda a capital, com megabanner; Nelson Pelegrino, PT, está em campo; ACM Neto, DEM, e Antonio Imbassahy, do PSDB, conversam; Edvaldo Brito, PTB, organiza-se; o PCdoB já anunciou pré-nomes com Alice Portugal e Olívia Santana; PRB, em bastidores, fala no nome de Raimundo Varela; PP no nome de João Leão; PDT, Marcos Medrado. Enfim, existem pré-candidatos para todos os gostos. A senadora Lídice, que até então vinha calada, acompanhando o desenrolar dos acontecimentos "interna-corporis", decidiu, apimentar o pré-processo sucessório anunciando que o PSB vai disputar a eleição como candidato cabeça da majoritária. É uma novidade e tanto porque, sozinho, com magro tempo na TV, o PSB não vai a lugar algum. Mas, coligando-se com outros partidos e sendo Lídice a candidata "cabeça", a chapa passa a ser competitiva. Lídice é um fenômeno na política. Emergiu das bases estudantis e depois de deputada federal constituinte, 1988, elegeu-se primeira prefeita de Salvador, pelo PSDB. Feito e tanto. Foi considerada a pior administração do país (1993/1996), entre as pesquisadas pelo DataFolha, e Salvador sofreu o"pão que o diabo amassou". Parecia um monturo tal era a quantidade de lixo e ratos nas ruas e avenidas. Em 1998, elegeu-se deputada estadual. Trabalhou a recuperação de sua imagem, consubstanciada na tese de que sofrera perseguições por parte de ACM, manteve-se na oposição ao "carlismo" e chegou a Câmara dos Deputados, em 2002, com boa votação na capital. Em 2006, repetiu a dose e estourou em votos em Salvador. Quatro anos depois, beneficiada por desistências de Otto Alencar e César Borges na chapa de Wagner, elege-se senadora da República. Há de se dizer que o movimento Lula/Dilma/Wagner elegeu Lídice. É verdade. Sem isso seria impossível. Mas, também se deve situar os méritos de Lídice porque, além de ser política, estar inserida no contexto da política, é um nome respeitável, de peso, e que soube e teve competência para interpor seu desejo de ser senadora, quando o processo ainda estava em andamento. Não caiu de pára-quedas. Agora, Lídice faz novo movimento em direção ao Palácio Tomé de Souza. A provável candidatura étnica por ela acenada é apenas "o bode na sala". Esta história de candidato negro, de povo-de-santo e congêneres não vinga. Salvador é plural e enigmática. Já elegeu um judeu, Mário Kértész, aclamado nos braços do povo; e um evangélico, João Henrique, duas vezes. Só lembrando, a atual administração passou tratores num terreiro de candomblé. inclusive nas imagens dos orixás. Então, o nome do PSD é Lídice. E isso assusta e atormenta o PT, pelo menos no 1º turno. Hoje, se o Ibope ou o DataFolha fizer uma pesquisa não tenho dúvidas que os nomes mais citados serão ACM Neto, Lídice, Imbassahy, Pinheiro/Pelegrino e Varela. Pode não ser nesta ordem, mas, são os competitivos. No mais são balões de ensaio e desejos.

* Jornalista e editor de blog sobre política

Em Terras de Macunaima

Ferreira Gullar*
Como todos sabem, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab**, eleito pelo DEM, decidiu de uma hora para outra fundar um novo partido que apoiará o governo de Dilma Rousseff, do PT, inimigo figadal dos democratas. Kassab ganhou expressão na vida política de São Paulo graças a José Serra, do PSDB, o adversário político número 1 do PT. Como se vê, a nova performance do prefeito paulistano, aparentemente, não guarda nenhuma coerência com coisa alguma que o eleitorado pensava que ele fosse.

Não obstante, tudo isso está sendo feito como a coisa mais natural do mundo. Por que ele está deixando seu partido, ninguém sabe, mas o fato de criar um outro partido para si tem explicação: ele, assim, não perderá o mandato que, conforme decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), não pertence ao eleito, mas ao partido. E você, como eu, perguntará: se o mandato pertence ao partido, Kassab, pela lógica, ao deixá-lo, perderia o mandato, não? Isso é o que você pensa! O mesmo STF, que decidiu que pertencem aos partidos os mandatos de seus integrantes, admite que, se o eleito deixar o partido para fundar outro, não o perde. Diante disso, Kassab decidiu fundar um novo partido e seu mandato está salvo. Simples assim. Eu não sou ninguém para questionar uma decisão do STF. Não obstante, data vênia, não consigo calar minha perplexidade: se o mandato é do partido, significa que o eleitor, ao votar em Kassab, o fez por ser ele do DEM, isto é, de determinado partido.

Mas, se ao deixar o DEM, para fundar outro partido, levará o mandato consigo, então o mandato é dele, Kassab? Ou levará o que não lhe pertence? Nesse caso, para não dizer que é roubo, digamos que seja apropriação indébita. Mas com o aval do Supremo? Devo estar equivocado, não pode ser considerado roubo o que se faz dentro da lei. Seria, na pior das hipóteses, um roubo legal (nos dois sentidos). Uma coisa temos que admitir: o Brasil é único no mundo. Só mesmo em terras de Macunaíma, um político de projeção nacional, prefeito da maior cidade do país, resolve criar um partido apenas para aproveitar a brecha que a Justiça lhe oferece, ou seja, por puro oportunismo político.

Esperteza feita às claras, como se criar um partido fosse a mesma coisa que trocar de camisa. E vai ver que é. Eu é que estou fora de moda, sem ter ainda me dado conta de que partido político não tem nada a ver com sonho de como deveria ser a sociedade, mobilização da opinião pública para promover mudanças importantes que venham torná-la melhor e mais justa. Nada disso. Estou por fora. Não é à toa que, no Brasil, há dezenas de partidos, sem conteúdo ideológico, sem nenhum programa ou projeto que justifique sua existência. Partido político, hoje em dia, existe apenas para cumprir uma exigência da lei eleitoral. Como a maioria deles não tem eleitores, sobrevive como siglas de aluguel, juntando-se a outros partidos, em coligações que são mais um modo de enganar o eleitor desavisado. Mas não vamos jogar tudo nas costas do Kassab.

O partido que ele pretende fundar tem a mesma sigla -PSD- de um dos partidos que Vargas criou, nos anos 1940, para dar aparência democrática ao Estado Novo; o outro foi o PTB. Aquele era o partido dos patrões; esse, o dos trabalhadores. As duas classes fundamentais da sociedade estavam neles representadas, harmoniosamente, sem luta de classes, como convinha ao regime. Os generais de 64 fizeram coisa parecida, criando a Arena, governista, e o MDB, oposicionista. Tudo bem comportado, claro, para não atrapalhar o sonho do Brasil grande. Mas eis que jovens políticos, que sonhavam com uma sociedade melhor, fundaram dois partidos de verdade: o PT, que reunia a esquerda radical, e o PSDB, de linha social-democrata. Essas foram as duas forças que, findo o regime militar, passaram a disputar o poder. Em 1994, o PSDB chegou à Presidência com FHC e, em 2002, o PT venceu as eleições com Lula, apropriando-se do programa do adversário e imprimindo-lhe um cunho tipicamente populista. Cumpriram seu papel e se esvaziaram. Chegou a vez dos Kassab e companhia.

* Poeta e escritor, vencedor do maior prêmio literário da língua portuguesa- (Prêmio Luiz de Camões);

**Nota do Editor. O Partido Social Democrático, em fase de regsitro, teve seu lançamente efetuado em Salvador, no mês de março, com o apoio local do vice-governador Otto Alencar, e deverá congregar cerca de 120 prefeitos na Bahia

domingo, 3 de abril de 2011

Mãe Stella de Oxósi, articulista de A Tarde

Fernanda Lopes*

No Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, o jornal A Tarde dá oportunidade à comunidade negra, em especial ao povo de Santo, de transmitir sua mensagem para todo o País. A cada 15 dias, a editoria de Opinião terá uma de suas colunas assinada pela ialorixá baiana Mãe Stella de Oxóssi. O presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, aplaudiu a iniciativa: “Mãe Stella é uma das mais destacadas guardiãs da cultura negra. E certamente irá transmitir ensinamentos que reafirmarão a identidade da população negra brasileira”, resume Eloi Ferreira. Essa não é a primeira ação do jornal para a valorização da cultura negra. Anualmente, é publicado, no dia 20 de novembro, o Caderno da Consciência Negra, além das coberturas diárias dos temas raciais. “É a primeira vez, desde a fundação de A TARDE, em 1912, que uma ocupante do mais alto posto da hierarquia do candomblé se torna articulista de forma regular no periódico”, ressaltou jornalista Clediana Ramos no blog Mundo Afro. Mãe Stella de Oxóssi é sacerdotisa do famoso terreiro Ilê Axé OpÔ Afonjá desde 1976, enfermeira, funcionária pública estadual e escritora; em 1980, fundou o Museu Ohun Lailai – o primeiro de um terreiro de candomblé; em 2001, ganhou o Prêmio Estadão, na condição de fomentadora de cultura; em 2005, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia (UNEB). É detentora das comendas Maria Quitéria (Prefeitura do Salvador), da Ordem do Cavaleiro Governo da Bahia) e do Ministério da Cultura.


*Fundação Palmares

**O primeiro artigo, já foi publicado, e o tema foi o dia primeiro de Abril

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O Vieira e o prestígio da comunidade

Edivaldo M. Boaventura*

O centenário do Colégio Antônio Vieira é motivo de contentamento para toda a Bahia, especialmente para seus alunos.

Alunos, professores e famílias festejam os cem anos de um estabelecimento que vem ensinando cultura e fé, marcando a educação de nossos jovens.

Com a instalação do Colégio Antônio Vieira há cem anos, exatamente em 15 de março de 1911, os jesuítas voltaram à Bahia depois de mais um século. A Companhia de Jesus, tão marcante em nossa história, recomeçou com o Colégio a sua presença significativa em nossa terra.

Os jesuítas aqui chegaram com Tomé de Souza e durante dois séculos mantiveram a educação para todos, incluindo índios, portugueses e brasileiros. Quando o marquês de Pombal fechou a Companhia de Jesus, foi um desastre para nossa educação.

É interessante observar que enquanto a proclamação da República Portuguesa, em 1910, fechou os colégios e expulsou jesuítas, na Bahia sucedia o contrário. Com estes padres e irmãos expulsos, recriava-se não somente o Colégio, que está completando 100 anos, como também toda uma província da Companhia de Jesus, no Nordeste, incluindo Recife com o Colégio Nóbrega e depois com a Universidade Católica do Recife.

O Colégio sempre contou com o apoio das famílias. Desde a primeira fase, de 1911 a 1932, quando funcionou na Rua do Sodré, número 43 e depois na rua Coqueiros da Piedade, que contou com o apoio da comunidade de Salvador e de toda a Bahia, basta ver o número de ex-alunos líderes e eminentes.

O Colégio logo se firmou como o principal estabelecimento particular da capital baiana com internato e externato, possibilitando a educação de jovens interioranos.

Desde o início o Colégio Antônio Vieira firmou um alto padrão de ensino que muito influenciou a vida intelectual da cidade não somente do ponto de vista literário e filosófico, como também científico. Cedo o Colégio passou a ser um polo de atração de ensino para os jovens baianos com a credibilidade das famílias. Merecem destaques , dentre outros, alunos como Anísio Teixeira, Thales de Azevedo, Hermes Lima, Jorge Amado, Herberto Sales, Hélio Simões, Pedro Calmon, Oliveiros Guanais de Aguiar e tantos outros.

* Edivaldo Boaventura, educador e diretor de A Tarde, foi aluno do Colégio Antônio Vieira entre 1946 e 1953

quinta-feira, 31 de março de 2011

Parabéns senhor prefeito, pelo nosso aniversário

Gil Vicente Tavares*

O prefeito de Salvador está de parabéns. A nova coreografia do Balé Municipal, acompanhada da Orquestra Sinfônica da Cidade de Salvador, embelezou ainda mais nosso novo Teatro Municipal. Este espaço, recém inaugurado, caiu como uma luva pra cidade. Localizado no centro de Salvador, as dez salas de ensaio, o espaço experimental, com capacidade pra 300 pessoas, e a sala principal, com um total de 1.200 lugares, acabou vindo na esteira da criação da Secretaria de Cultura do Município. Com o novo recapeamento da cidade, que agora conta com ruas asfaltadas em nível internacional, pode-se chegar ao Teatro Municipal através dos bondes modernos que foram criados para interromper o fluxo contínuo de carros. Agora, com esses bondes, basta se deixar o carro ou chegar de ônibus ou metrô no estacionamento subterrâneo, e de lá passear pelo centro admirando a reforma que trouxe uma nova vida à cidade. Com a interrupção do desmatamento, nosso prefeito seduziu as construtoras e revitalizar prédios antigos, ao invés de construir mais e mais coisas, numa ação que era totalmente burra; deixava-se imóveis belíssimos, espaços obsoletos no centro pra fugir para a periferia da cidade, fazendo fronteira, já, a outros municípios. Fiquei também orgulhoso de ver como todas as nossas praças foram reformadas. A ideia de fazer anfiteatros e barraquinhas nas praças, retirando ambulantes das ruas, acabou por trazer as famílias de novo ao seu passeio de fim de tarde, às atrações de final de semana porque, sim, a Secretaria de Cultura passou a incentivar as artes da cidade e não tem final de semana que não haja programação de boa qualidade nas raças. As novas lixeiras, banheiros públicos e passeios planejados vieram a deixar mais belo ainda o projeto das novas barracas de praia. Pistas de ciclismo, boa acessibilidade, tudo isso transformou a orla de Salvador num espaço moderno e sedutor. A política de incentivar uma urbanização limpa e pensada já há tempos cessou com os engarrafamentos. Pouca gente pensa em sair de carro de sua casa, pois a interligação entre metrô, ônibus climatizados e bondes modernos, funcionando de forma regular até às 2hs da madrugada, trouxe menos barulho, menos poluição e menos violência e mortes no trânsito. É bom ver que agora as pessoas vêm a Salvador pra assistir sua arte, apontando para o futuro. Viramos uma referência em todos os ramos da arte e o Museu de Arte contemporânea inaugurado há pouco tempo nos colocou de novo no cenário internacional de forma sensacional. Foi-se o tempo em que as pessoas vinham ver aquela cidade folclórica, de gente suja e pobre, de arte tosca e carnaval desorganizado. O prêmio concedido pela UNESCO ao planejamento feito no nosso último carnaval trouxe investimentos e o carnaval do ano que vem promete revolucionar a economia local. Agora, as pessoas não vêm mais para o carnaval, elas aproveitam o período para assistir bons espetáculos, coreografias, ver nossa orquestra e balé no Teatro Municipal. O incentivo da Secretaria de Cultura do Município à música local potencializou nossa criação e hoje dificilmente se consegue assistir apresentações musicais se não se comprar o ingresso com antecedência. Os grupos instrumentais de Salvador acabaram por esvaziar as grandes bandas de carnaval devido à demanda dos espaços novos, dos anfiteatros nas praças, o soteropolitano, depois dessas iniciativas do governo, passou a consumir todo tipo de arte local e paramos de ser os provincianos que ficavam atrás de xous de Lenine, Ana Carolina, etc., bem como espetáculos de globais. Com os novos incentivos da prefeitura, a produção local tomou um gás e hoje em dia está difícil achar espaço pra atrações de fora, visto que o prestígio local dos artistas vêm lotando teatros e praças. Claro que tudo isso se deve, também, à revolução na educação. A qualificação, reciclagem e capacitação dos professores, que tiveram aumentos na ordem de quase 300%, tudo isso acabou se refletindo nas salas de aula. As escolas municipais, reformadas, ficaram mais atraentes e uma geração de meninos preparadíssimos começou a surgir. Grandes professores da rede privada migraram, devido às condições e metas da prefeitura, para o ensino público e uma pequena revolução foi feita. Muito se poderia falar, parabenizando nosso prefeito. Não citei nem metade. Mas, pra eu não perder a fama, faço aqui uma crítica da minha área, a arte. Com essa urbanização fantástica, essa revolução na educação e o surgimento de novos teatros, espaços e museus, nossa produção aumentou muito. O governo conseguiu dar conta disso através de recursos próprios e acordos com a iniciativa privada. Temos, hoje, vários grupos de teatro, de dança, grupos musicais residentes em espaços públicos e privados, com programação constante e rica. Nossa orla virou referência nacional e nosso sistema de transporte, também. Com o fim da violência urbana, o soteropolitano passou a sair mais, ter mais tempo com trânsito livre, passou a frequentar mais a cultura local. Sim, e qual é a crítica? O problema é que a maioria dos teatros está com as temporadas dos grupos de dança e teatro esgotadas. Essa ideia de vender ingressos pra temporadas inteiras está afastando o turista. Precisa-se de uma política pra que o turista que chega num de nossos novos hotéis baratos e confortáveis possa curtir a cidade e sua cultura. Referência que somos, agora, de arte, as pessoas vem aqui assistir nossas criações e não acham ingressos. Claro que sempre haverá opções, com as barracas de praia novas, nossa orla fantástica, todo o sistema turístico implantado na cidade... Ah, não falei dele! Bem, o NST, Novo Sistema Turístico, aliou avançado sistema de transportes, a revitalização das praças, calçadas, a criação de banheiros públicos, lixeiras, barracas para atendimento, tudo isso se juntou a um mapa turístico pensado da cidade. Hoje em dia, você chega em qualquer lugar histórico da cidade e encontra um sistema informatizado com toda a história do local e explicando como foi o processo de revitalização do entorno. O mesmo sistema está sendo implantado, agora, nos espaços culturais da cidade. Mas isso seria um outro texto. Senhor prefeito. Não adianta criar um teatro municipal maravilhoso como esse, subvencionar as artes, revitalizar monumentos, espaços, praças, ter um sistema de transporte qualificado. Como o turista poderá usufruir disso? Quis assistir a nova coreografia do Balé da Cidade de Salvador e a mulher da bilheteria disse que os ingressos para a temporada 2011/2012 estão esgotados. Eu, como soteropolitano, não estou tendo chance de ver o balé da minha cidade, a orquestra da minha cidade. Imagine o turista? Parabéns, senhor prefeito. E espero que um dia você exista. Porque a atual conjuntura é desesperadora e as perspectivas dos próximos prefeituráveis são péssimas. Parabéns, senhor prefeito. E conte com meu voto.

* Dramaturgo, ator e escritor

Salvador: Transporte sobre trilhos ou sobre rodas?

A pouco mais de três anos para a Copa do Mundo do Brasil, Salvador ainda não definiu um dos seus principais entraves: a mobilidade urbana. Enquanto o metrô segue sem previsão de inauguração, após 11 anos do início da sua construção, técnicos e políticos debatem e divergem sobre qual seria a proposta mais viável para integrar o transporte de massa da capital baiana, o BRT (Bus Rapid Transit) ou o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). O governo do Estado abriu uma Proposta de Manifestação de Interesse (PMI) para as empresas do setor apresentarem as suas propostas, até a próxima quarta-feira (30), para que, a partir daí, o projeto escolhido seja implementado. A edição do Diário Oficial do Estado (DOE) de sábado e domingo (26 e 27) trouxe publicado o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) destinado à realização de estudos preliminares de viabilidade técnica, avaliação ambiental, econômico-financeira e jurídica, para estruturação de projeto de transporte público metropolitano entre Salvador e Lauro de Freitas. A expectativa é que o PMI aponte a melhor solução para a mobilidade urbana dos dois municípios.Os entusiastas do BRT, como o deputado federal Nelson Pelegrino (PT), ressaltam o menor custo e a agilidade para o funcionamento do sistema. “O BRT é três vezes e meio mais barato, tem a implantação mais rápida e não envolve subsídios. Sem contar que o material rodante é todo fabricado no Brasil e, no futuro, as vias de circulação poderão ser adaptadas para qualquer outro modal”, defendeu. Ao considerar as duas propostas, o prefeito João Henrique Carneiro (PP) sugeriu que o bonde moderno fosse instalado no Subúrbio Ferroviário e os corredores para os ônibus bi-articulados construídos na Avenida Paralela. O Sindicato das Empresas de Transportes - SETEPS vem atuando claramente em favor do BRT, usando como principal argumento do descrédito provoc ado pelas obras infindáveis da linha 1 do Metrô de Salvador, que virou caso de polícia, "operação castelo de areia " (click e leia)envolvendo Prefeito, ex-prefeito, políticos, empreiteiras baianas, paulistas, mineira e pernambucana. (CC, AG, ODB, OAS, QG)

Carybé homenageado em São Paulo

Valdemir Santana*

Uma exposição gigante, com um conjunto de 19 peças de Carybé deve ser a parte mais relevante das homenagens para comemorar os 100 anos de nascimento de Hector Julio Páride Bernabó ou “Carybé”, o artista argentino que morou durante mais de cinquenta anos, e morreu, em Salvador, tornando a cidade ainda mais famosa no mundo por causa das pinturas que fez. A surpresa da exposição é que as obras ganham destaque em São Paulo, com mostra especial no Museu Afro Brasil, criado pelo artista baiano Emanoel Araújo. O artista plástico Justino Marinho, que também é baiano, é quem faz a curadoria adjunta para levar os painéis de Carybé para a grande mostra em São Paulo, considerada de nível internacional. Justino teve autorização da Fundação Clemente Mariani, proprietária das obras, para levar os painéis a São Paulo. Eles estão no “Museu Afro-Brasileiro de Salvador” e são embarcados esta semana. A exposição é inaugurada dia 28 integrando a programação do “Ano Internacional do Afro descendente”, no Brasil. São 19 painéis que seguem para São Paulo. Feitos em pranchas de cedro eles têm pintura, incrustações e entalhes para representar individualmente os orixás cultuados pelas religiões afro-brasileiras, com suas armas e animais litúrgicos. O conjunto tem uma história singular, pois foi feito sob encomenda do banqueiro Clemente Mariani, então dono do Banco da Bahia, e instalado em 1968 na agência da Avenida Sete de Setembro.

* Jornalista da Tribuna da Bahia

quarta-feira, 30 de março de 2011

José Alencar Gomes da Silva /1931 -2011


Um BRASILEIRO

Uma foto vale por mil palavras

Inteira definição do que em todos os tempos é a Bahia


Gregório de Matos*


Que falta nesta cidade....................VERDADE.


Que mais por sua desonra?.................HONRA.


Falta mais que se ponha?..............VERGONHA.




O demo a viver se exponha,


Por mais que a fama a exalta,


Numa cidade onde falta


Verdade, honra, vergonha.




Quem a pôs neste socrócio¹?.............NEGÓCIO.


Quem causa tal perdição?................AMBIÇÃO.


E o maior desta loucura?.....................USURA.





Notável desventura


De um povo néscio, e sandeu,


Que não sabe que o perdeu


Negócio, ambição, usura.




Quem são os seus doces objetos?..........PRETOS.


Tem outros bens mais maçciços?.........MESTIÇOS.


Quais destes lhe são mais gratos?........MULATOS.




Dou ao demo os insensatos,


Dou ao demo a gente asnal,


Que estima por cabedal


Preto, mestiços,mulatos.




E nos frades há manqueiras²............FREIRAS.


Em que ocupam os serões?.............SERMÕES.


Não se ocupam em disputas?.............PUTAS.




Com palavras dissolutas


Me concluís, na verdade,


Que as lidas todas de um Frade


São freiras, sermões, e putas.

O açucar já se acabou?................BAIXOU.

E o dinheiro se extinguiu?...............SUBIU.

Logo já convalesceu?...................MORREU.

À Bahia aconteceu

O que a um doente acontece,

Cai na cama, o mal lhe cresce,

Baixou, subiu, e morreu.

¹-Rapinar

²-Deslize moral

*Gregório de Matos e Guerra nasceu em Salvador, em 1633 (ou 36), filho de uma família afluente, e morreu no Recife em 1696. Alcunhado de Boca do Inferno ou Boca de Brasa, foi advogado formado em Coimbra, arcebispo e poeta na Bahia colonial. Utilizou a poesia como arma contra seus desafetos. Criticava a Igreja, o Judiciário e as pessoas de côr. Mesmo sendo racista ou apesar de, é considerado o maior poeta barroco da América portuguesa.

terça-feira, 29 de março de 2011

SALVADOR, SALVADOR

Roberto Mendes e José Carlos Capinan*
Luminosa cidade Espelho no mar No céu claridade É bonita de ver Refletida nos olhos Do meu amor Salvador Não deixe o meu amor morrer Me salve da dor Se esse amor virar saudade Negra na cor Cidade da fé, felicidade Negro amor Quero ver nos olhos dela Tua imagem O amor quando nos deixa É um beco sem saída Me salve da dor De um beijo de despedida… Eu vou botar meu coração na mão Que toca o tambor do teu afoxé Cidade da fé, felicidade Me salve da dor Se esse amor virar saudade…

* Poetas e compositores

** Publicado originalmente no blog Jeito Baiano

Salve salve, os 462 anos de Salvador

Osvaldo Campos Magalhães*

Salve, salve Salvador, cidade de todos os ritmos, de todo as cores, de tantas injustiças e de tantos amores; Salve Salvador, cidade da mistura, cidade da miséria e da vilania, Cidade da festa e da fantasia; Salve, salve Salvador, cidade da fé e de todos os ritmos, cidade da folia, Cidade do Carnaval, cidade da Bahia; Salve Salvador, cidade de cantores, dançarinos, poetas, Cidade da alegria, Cidade sem pudor, cidade da hipocrisia; Salve, salve Salvador, cidade de todos os ritmos, de todas as cores, Cidade de tantas injustiças e de tantos amores; Cidade cruel e tão desigual, cidade sensual; Salve, salve Salvador, de todos os cantos, males e encantos, Cidade Carnal, cidade amoral; Cidade da música e da felicidade, Cidade da exclusão, injustiça e impunidade; Cidade radiante, cidade mutante, cidade poesia, Cidade península, cidade da Bahia; Cidade da chuva, cidade do sol, cidade do futebol; Salve a alegria, salve a mistura, salve o axé e a fé, Cidade da ginga, cidade do Candomblé; Cidade pagã, cidade cristã, da mentira e da verdade, Ecumênica cidade; Salve a esperança e a perseverança, salve a ternura e toda procura, Cidade da loucura, Cidade do bem, cidade do mal, cidade do carnaval.

*Editor do blog Pensando Salvador do Futuro

** Foto: Daniela Paim

Salvador justa e sustentável

Isaac Edington*
O que é uma cidade ? O termo "cidade" é geralmente utilizado para designar uma dada entidade político-administrativa urbanizada. Mas, o que é a cidade para você? Cada um de nós, tem um desejo do que seria uma cidade boa para se viver. O educador colombiano Bernardo Toro cunhou uma expressão quase poética para o que seria uma cidade: “um imaginário convocante, sedutor, que inclua os sonhos, objetivos e necessidades...” Para Toro, uma comunidade de fato se estabelece quando qualquer grupo humano se revela capaz de compartilhar um entendimento comum acerca de um determinado aspecto da realidade, de posicionar-se em relação a ele de forma coesa, com pessoas, grupos e instituições unidos por crenças, valores e sentimentos comuns e, finalmente, atuar frente às situações concretas de modo convergente e complementar, mantendo constância de propósito ao longo do tempo. Bom, não vou falar da realidade da nossa cidade. Todos nós sabemos e sentimos. Mas a realidade é: fazemos muito pouco para mudá-la. Então, como começar a fazer essa mudança? Como por exemplo, construir uma articulação política, social e econômica capaz de comprometer a sociedade e sucessivos governos com uma agenda composta por um conjunto de metas destinadas a promoção da qualidade de vida das cidades? Na busca dessas respostas, comuns à grande maioria das cidades latino-americanas, surge no Brasil o movimento por Cidades Justas e Sustentáveis que se organiza em forma de Rede, e já reúne cidades com São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife entre outras, que seguem o exemplo bem-sucedido de Bogotá com o movimento Bogotá Como Vamos, que, há mais de uma década, vem transformando e melhorando as condições de vida da população da capital colombiana. Nas cidades brasileiras, a rede é formada por organizações sociais apartidárias e inter-religiosas apoiadas por lideranças comunitárias, entidades da sociedade civil, empresários, além de cidadãos interessados em mudar o panorama atual dos centros urbanos. O principal objetivo é comprometer a sociedade e sucessivos governos com comportamentos éticos, justos e que contribuam para o verdadeiro desenvolvimento sustentável. Cada movimento em suas respectivas cidades, promove atividades, articula ações e monitoram o poder público para alcançarem a eficácia e transparência das políticas públicas. Na cidade de Salvador, surge o mais novo membro da rede, o Movimento Nossa Salvador, que contará com três frentes de trabalho: •programa de indicadores sociais, •acompanhamento da gestão pública e •educação para a cidadania. A partir destas frentes estão sendo formados grupos de trabalho (GTs) com eixos temáticos prioritários: educação, saúde, segurança pública, meio ambiente, mobilidade urbana, juventude, trabalho e renda entre outros. Os GTs são constituídos por representantes de entidades e cidadãos e cumprem uma agenda decidida coletivamente. Os grupos têm autonomia para planejar as ações sob a perspectiva de cada área temática e se reúnem periodicamente. O movimento irá selecionar, sistematizar e divulgar, os principais indicadores de qualidade de vida da cidade, permitindo o acompanhamento de toda a sociedade, abrindo espaço para o debate e monitoramento sistemático da gestão pública. O movimento lança uma pesquisa com 61 indicadores sociais em áreas como educação, saúde, segurança e meio ambiente, para apresentar aos soteropolitanos uma fotografia da situação em que se encontra a cidade. Assim, busca encorajar uma atitude construtiva de todos na vida da cidade: governo, empresas, institutos, organizações civis e cidadãos. O objetivo do movimento é que a atenção colocada sobre os indicadores sociais, uma vez amplamente divulgados, potencializem o interesse de todos para o encontro de soluções, no sentido de: tornar Salvador um cidade justa e sustentável para todos. Talvez esse seja o imaginário convocante a ser perseguido por cada cidadão da cidade de São Salvador”.

* Isaac Edington Diretor Presidente do Instituto EcoD, Criador e Publisher do Portal Ecodesenvolvimento.org

Salvador , 462 anos

Andreia Santana* Do desembarque de Pedro Alvarez Cabral em Porto Seguro, em 22 de abril de 1500, até o início do processo de colonização no Brasil, foram gastos mais de 30 anos em que a coroa portuguesa não sabia o que fazer com a imensidão de terras ocupadas.

Não sabia e também não queria fazer nada, porque dava trabalho e custava dinheiro. O Brasil, nos seus 30 primeiros anos de colonização, servia como entreposto para extração de pau-brasil, a madeira usada para tingir tecidos, que valia muito na Europa.

Em Porto Seguro, nesse período, havia um ou dois engenhos de açúcar muito primitivos. Serviam como teste da coroa portuguesa, que já havia instituido a indústria açucareira em Cabo Verde, nas Antilhas e nos Açores. Era uma garantia de futuro, descobrir se a nova colônia realmente fazia jus à descrição do escrivão Pero Vaz de Caminha: “nessa terra, em se plantando, tudo dá”. O litoral imenso do Brasil era terra de ninguém. Piratas e corsários infestavam. Extraiam pau-brasil sem autorização de Portugal. Praticavam escambo com os índios.

A coroa não queria gastar para mandar povoar o Brasil, não queria gastar para mandar guardar a costa brasileira. Nas colônias espanholas (no restante do que hoje conhecemos como América Central e América do Sul), jorrava ouro e prata do solo. Enquanto no Brasil, nem uma pepita para amenizar o “prejuízo” português. O Brasil era um abacaxi de dimensões continentais para a coroa descascar. Não tinha pedras preciosas ou metais visíveis, estava infestado de piratas e de índios, que eram os ocupantes legítimos da terra. Privatizar a colonização era a solução para impedir que o vasto território fosse invadido por holandeses, franceses, espanhois. E se, realmente houvesse outras riquezas aqui além do pau-brasil? Valia a pena manter a posse da terra, disso a coroa não duvidava, o problema era quem pagaria a conta. Donatários em ação - Na teoria era bem simples.

O rei dividiria o território brasileiro em 15 grandes lotes, doados para 12 fidalgos da coroa. Alguns receberam mais de um lote. Esses nobres, por sua vez, seriam responsáveis por colonizar o Brasil, cada um faria as benfeitorias no seu pedaço de território. Os donos da terra teriam direito de fundar vilas, conceder sesmarias (que eram como grandes fazendas), cobrar impostos, distribuir justiça, legar sua terra aos filhos, netos e bisnetos…Seriam obrigados a pagar uma taxa dos impostos ao rei e não poderiam explorar os produtos que fossem monopólio da coroa. Cada donatário traria seus próprios colonos, gastaria do próprio bolso, investiria no projeto do rei e garantiria para ele a posse do Brasil, dando lucro, ainda por cima. Mas, não foi bem assim que a coisa aconteceu. Da teoria para a prática, houve uma sucessão de poréns que transformou o processo todo numa grande bagunça. Territórios imensos, que deveriam ser povoados e gerar receita, transformaram-se em gigantescos latifúndios. Os donos nem tomavam conhecimento.

Francisco Pereira Coutinho escapou de um naufrágio... Para começo de conversa, alguns donatários não se interessavam em deixar o conforto da corte e se lançar numa aventura marítima. A travessia de Portugal para o Brasil naquela época era um suplício: dois meses no mar, sem água e comida frescas, sem banho, com as gengivas sangrando de escorbuto, piolhos e pulgas fazendo morada nos corpos e cabelos. Depois, uma vez no Brasil, tomar posse da capitania significava pacificar ou exterminar os índios, que não sairiam de sua terra assim tão facilmente. Erguer uma vila não era tão simples, arrumar moradores para ela, instituir uma rotina de povoamento eram processos lentos. Alguns nobres simplesmente acreditavam que o Brasil era um tremendo presente de grego e não apareceram por aqui. Justiça seja feita, houve donatários que até tentaram, mas navegaram numa maré de azar de dar pena.

Quatro capitães perderam suas fortunas investindo na colonização brasileira. Aires da Cunha, dono do Maranhão, além de ficar na miséria, morreu em um naufrágio; Francisco Pereira Coutinho (o dono da capitania da Baía de Todos os Santos) foi morto pelos tupinambás da ilha de Itaparica, depois de sobreviver a um naufrágio; Pero de Campo Tourinho (Porto Seguro) foi preso pela Inquisição, acusado de heresia. E Vasco Fernandes Coutinho (do Espirito Santo) virou alcoolatra, gastou o dinheiro todo e voltou para Portugal reduzido a mendicância. As capitanias que deram certo foram as de São Vicente e Pernambuco, dos donatários Martin Afonso de Souza e Duarte Coelho. Deram certo, lógico, sob a ótica do colonizador, porque para os índios o negócio resultou em morte e escravidão.

Quando Thomé de Souza chegou ao Brasil, com a missão expressa de fundar uma capital para o governo geral e botar ordem nas capitanias, essas duas eram as únicas que se mantinham sólidas, prosperando e rendendo dividendos. O resto todo do território, continuava a ser terra de ninguém. Coube a um senhor de 48 anos, de obediência cega a El Rei D. João III, mas de vontade de ferro no comando da colônia, instituir o que hoje conhecemos por Brasil. ...para ser morto pelos tupinambás A última capitania foi extinta no século XVIII, mas a origem da unidade territorial brasileira está nessa forma primitiva de administração. Como escreve o professor Luiz Henrique Dias Tavares, na sua História da Bahia, “as capitanias deram início à ocupação efetiva da terra, enquanto o governo geral instituiu oficialmente o poder de Portugal na colônia”. As estruturas de poder vigentes hoje no país, também têm origens naquela época. A divisão do Brasil em estados e municípios, que têm nomes herdados das suas capitanias de origem, é um exemplo dessa herança de quase 500 anos.

* Jornalista e editora do blog " Conversa de Meninas" Fontes de pesquisa para este post: “Donos da Terra”, reportagem publicada na edição de domingo, 06 de abril de 2003, do caderno Correio Repórter (jornal Correio da Bahia)

domingo, 27 de março de 2011

Mobilidade Urbana Sustentável

O Institute for Transportation and Development Policy (ITDP), prevê que em 2030 a expectativa é que 60% da população mundial, cerca de 5 bilhões de pessoas, viverão em áreas urbanas - e a maioria delas em países em desenvolvimento. Como meio de minimizar os efeitos do crescimento populacional na qualidade do transporte das cidades, o programa Our Cities Ourselves do ITDP, em parceria com o urbanista dinamarquês Jan Gehl, desenvolveu um livreto (em inglês) para estimular o debate de ideias e a implantação de uma política de mobilidade pública mais inteligente.

A publicação lista dez princípios básicos para transformar qualquer cidade em um modelo de mobilidade sustentável. São eles:

* Direito de andar: Todos os indivíduos são pedestres, é essencial ter um ambiente de trânsito a pé de qualidade;

* Transporte não poluente: O melhor meio de transporte é aquele que não polui, o uso das bicicletas e de não motorizados deve ser encorajado com vias específicas;

* Mobilidade coletiva: Para maiores distâncias, a melhor alternativa é o transporte coletivo de qualidade;

* Restrição ao acesso de veículos: Em lugares de grande trânsito de pedestres e muitas construções, o acesso de veículos e coletivos deve ser reduzido;

* Serviços de entregas sustentável: As entregas delivery devem ser realizadas da maneira mais limpa e segura possível;

* Integração: Um bom bairro é aquele que integra áreas residenciais às comerciais e de lazer. Essa diversidade atrai as pessoas para trabalharem, comprar ou simplesmente aproveitar o espaço;

* Preencher espaços: Moradores e visitantes são atraídos para lugares onde podem realizar a maioria das tarefas diárias a pé. Preencher espaços baldios pode facilitar a vida da comunidade quando se busca uma feira ou posto dos correios;

* Preservação cultural: Uma comunidade se torna mais atrativa quando expõe a sua própria cultura, belezas naturais e tradições. Essas qualidades tornam o lugar único;

* Conectar espaços: Conexões entre quarteirões diminuem a distância entre os destinos e possibilitam o trânsito a pé ou em bicicletas;

* Pensar longe: Investir a longo prazo em construções de vias públicas torna o transporte mais sustentável, já que o gasto com reparações é menor e a durabilidade maior. A publicação fez parte de uma das exposições do programa Our Cities Ourselves, que funcionou até o dia 11 de setembro, na cidade de Nova York. Foram realizadas 10 apresentações, de 10 arquitetos diferentes, sobre visões para melhorar o transporte público de 10 cidades do mundo.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Qualidade de vida urbana

David Byrne* Por meio da Transportation Alternatives, uma organização local, sou apresentado a Jan Gehl (clik e assista vídeo), um visionário, porém prático planejador urbano ( no centro da foto) que, com sucesso, transformou Copenhague em uma cidade simpática para pedestres e ciclistas. Pelo menos um terço de todos os trabalhadores de Copenhague vai a trabalho de bicicleta agora! Ele diz que metade deles irá aderir em breve. E ele não está sonhando. Nós aquí em Nova York podemos achar que isso é bom e natural para dinamarqueses, mas que nova-iorquinos são enfezados e têm uma mentalidade mais independente, então isso não pode acontecer aqui (a razão pela qual as pessoas sentem que dirigir um carro deixa alguém com uma mentalidade mais independente é um mistério para mim). Mas Gehl revela que de início suas propostas foram recebidas lá extamente com o mesmo tipo de oposição: os moradores disseram, "Nós dinamarqueses nunca vamos concordar com isso - dinamarqueses nunca vão usar bicicletas".
Ian Gehl ajudou a transforma trechos de Manhattan
Também em Copenhagen. Antes, a área que margeia esse canal era usada como estacionamento, os carros circulavam por ali procurando vagas. Esse lugar adorável era, há não há muito tempo, basicamente um feio estacionamento e um lugar de passagem. Agora é um destino. Os carros ainda podem circular por lá, mas não estacionar. E dessa pequena mudança a área explodiu como um agradável ponto de encontro e até turístico. A cidade nem teve de investir em "melhorias" caras para permitir que isso acontecesse. Os usuários e comerciantes locais fizeram as melhorias - colocando cadeiras do lado de fora e instalando toldos - embora no início muito deles tenham reclamado que se as pessoas não pudessem parar em frente aos seus estabelecimentos seus negócios iriam sofrer. Essa parece ser a maneira como Gehl trabalha, fazendo , aquí e ali, mudanças relativamente pequenas ao longo dos anos que acabam por transformar a cidade inteira, tornando-a um lugar melhor de viver. Gehl concordou em participar do evento no Town Hall e dar uma pequena palestra! Há pouco tempo ele foi contratado como consultor pela cidade de Nova York e fez estudos da situação em outras cidades - Amsterdã, Melbourne, Sidney e Londres. Na foto ao lado, proposta de Gehl para requalificação urbana de uma Nova York. * David Byrne, formado em Design, é músico, fotógrafo e escritor. Integrou a band Cult dos anos 80, "Talking Heads" e, vem divulgando os trabalhos de vários artistas brasileiro, como Tom Zé, Os Mutantes e Margareth Menezes. Publicou em 2009 o Livro Diários de Bicicletas, Editora Amarylis.

Gol de Fux


Eliane Cantanhêde*
A votação de ontem no Supremo Tribunal Federal é um alívio, ao mostrar que o Fla-Flu na mais alta corte do país acabou e da melhor forma: com a vitória da lei, da experiência e da técnica jurídica sobre o apelo fácil da demagogia.
Ninguém que não tenha rabo preso nem dívidas na polícia e na Justiça pode ser contra a Lei da Ficha Limpa. Eu, tu e nós (nem sempre eles) somos a favor de moralidade na vida pública e exclusão dos piores quadros e dos mais lamentáveis exemplos de homens públicos. A questão, porém, é que juízes não julgam pela impressão ou pela simples vontade, mas friamente com base no que está escrito nas leis vigentes e na Constituição.
Luiz Fux, que veio para desempatar, elogiou o princípio da lei, como todos nós elogiamos, mas votou de acordo com a Constituição: a Lei da Ficha
Limpa foi sancionada em junho do ano eleitoral de 2010 e, portanto, só pode valer para as próximas eleições -a de 2012, municipal, e a de 2014, geral.
Dói? Dói, mas doeria mais se Fux jogasse às favas os escrúpulos de consciência e a letra da lei em favor dos aplausos e dos elogios. Para "ficar bem" com a opinião pública.
A Ficha Limpa, para ele, é "a lei do futuro, a aspiração legítima da sociedade brasileira". Mas, igualmente, deve ser aspiração da sociedade brasileira o Estado democrático de Direito regido de fato pelo direito, não ao sabor do clamor popular e do aplauso fácil.
Que, assim como Fux teve a coragem de enfrentar as câmeras e as críticas, a Justiça brasileira a tenha também para perseguir uma sociedade mais justa, em que a lei valha efetivamente para todos. Haverá então um dia em que lei, realidade e aspirações legítimas da sociedade andem, enfim, juntas. Vai demorar? Vai. Mas devagar e sempre.
Comemorem "fichas-sujas" do PT, do PSDB, do PP, do PSB. Sem esquecer de que o Brasil avança e que quem ri por último ri melhor.
--------------------------------------------------------------------------------
Eliane Cantanhêde
É jornalista e comenta governos, política interna e externa, defesa, área social e comportamento.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Ainda o Carnaval

Nelson Varón Cadena*
Duas semanas transcorridas e eu continuo no Carnaval, ainda hoje me surpreendi cantarolando no trânsito a música de Caetano : “Atrás do trio elétrico/Só não vai quem não pagou/Quem não comprou o abadá/Aprendeu, que é do outro lado/de dentro da corda, do lado/Que é lá do lado de lá”. Ritmo de frevo gostoso, alucinante, que nem a Vassourinha na magnífica interpretação de Morães Moreira; por um momento revi os velhos carnavais da Praça Castro Alves: “Varre, varre, varre a sujerinha/varre para baixo do tapete, escondidinha/Abriu alas e abriu trilhos pra depois passar/O metrô calça curta. Se um dia funcionar”. Como já disse continuo no Carnaval cantarolando as músicas que me remetem à folia, no banheiro, no carro, no escritório baixinho, na academia, também baixinho, para não incomodar.
Gosto do Carnaval da Bahia, mas também do Carnaval do Rio de Janeiro, me vejo lá nos versos de André Filho; imagino um mar de foliões, eu no meio, dedinhos apontados para cima cantando pelas ruas de Ipanema: “Cidade tão perigosa/Cheia de morros mil!/Cidade tão perigosa/Embromação de meu Brasil!”. Falei em dedinhos para cima e então lembrei dos braços para cima do Frevo Novo, da turma da mortalha no Clube de Engenharia da Rua Carlos Gomes: ”A praça Castro Alves é do bobo/como o céu é do avião/Malandrou afinou no roubo/todo mundo na praça/e muita gente sem graça no camburão/ Mete o cotovelo e vai abrindo o caminho/Puxe o seu cabelo, não deixe o guarda ver, roubar sozinho”.
Frevo é bom mas está meio fora de moda. Sou mais as marchinhas que também estão fora de moda, mas vez por outra um artista de renome embarca no rítmo rememorando os bailes de bairro e já ia lembrando de uma delas que faço questão de dividir com os leitores : “Este ano já vai ser, igual aquele que passou/eu me zanguei/Você também se zangou/Este ano ficou combinado/Nós vamos brincar separados”. Legal ! Mas sou mais a segunda parte da música: “Se acaso meu bloco/Atropelar o seu/Não tem problema/Aconteceu/São seis dias de folia e brincadeira/Você para lá e eu para cá/Até a quinta-feira”.
Marchinha que nada, nós temos o axê music. Ainda ontem, à noite, andando por Brotas lembrei da música de Daniela, soltando a voz do alto do trio, nos anos 90, não resisti e também soltei a minha dentro do carro para espanto dos outros motoristas, devo ter exagerado a julgar pelo risos maliciosos: “ “A cor dessa cidade/è breu/O canto dessa cidade/É léu”. Carnaval é mesmo motivo de alegria, toma conta de todos nossos sentidos,ficamos semanas a cantarolar as músicas que ouvimos na avenida. Uma delas, pagode de estimação, não me sai do pensamento : “Vou sim/Quero Sim/Posso sim/Minha mulher não manda em mim/Tó afim/Eu vou sair/Vou sim/Quero sim/ Tó afim/ Faço sim/Beijo sim/minha mulher não manda em mim /Eu vou curtir”.
*jornalista, publicitário e escritor.