segunda-feira, 10 de abril de 2023

A ponte Salvador-Itaparica vale mesmo a pena?

Sendo a Bahia um estado pobre, é difícil aceitar que se aloque R$ 2 bilhões de recursos públicos em uma ponte que nem sequer possui viabilidade econômica.


Marcus Alban*

De outro lado, voltando à ponte Rio-Niterói, cabe notar que a mesma foi construída no auge do rodoviarismo, o que é completamente distinto dos dias atuais.

Hoje, qualquer pessoa minimamente informada sabe que os carros têm os dias contados. Num horizonte de cinco a dez anos serão drasticamente reduzidos, sendo substituídos por autômatos compartilhados e articulados a sistemas metroviários.

Em paralelo, também o rodoviarismo de carga encolherá significativamente, sendo substituído por modernos sistemas ferroviários e de cabotagem.

Ou seja, a ponte, em sendo necessária, deveria ser metro-ferroviária — nunca rodoviária. É de fato um absurdo o que está se propondo, mas os problemas não param aí.

Ocorre que, para tornar a ponte viável, o governo, além de entrar com parte dos recursos, mudou o projeto anteriormente pensado.

Em linhas gerais, pegou-se o vão central de 125 metros de altura e 550 metros de largura, e reduziu-se respectivamente para 85 e 450 metros.

Como se observa, para reduzir o investimento, literalmente encolheu-se o vão central, como se isso não tivesse importância. Só que tem importância, muita importância.

É inacreditável que isso tenha sido feito por uma equipe técnica, em tese séria, e esteja sendo proposto pelo governo.

Com essas novas dimensões, de acordo com especialistas da área, uma série de plataformas e navios sonda simplesmente não poderão entrar, e nem sair montados no caso de serem feitos aqui.

De outro lado, com a nova largura, navios de carga mais modernos já não poderão transitar em mão dupla, com velocidade e segurança adequadas.

E os navios, como é sabido, seguem crescendo, com o que, dado traçado do projeto, as restrições ocorrerão também no Porto de Salvador/Tecon.

Cria-se, assim, um verdadeiro gargalo que mata todo o futuro industrial e logístico da BTS e seu entorno. Ou seja, mata todo o futuro da Bahia. Vale a pena?

*Marcus Alban é Engenheiro Mecânico, Mestre em Administração e Doutor em Economia.


segunda-feira, 27 de março de 2023

Porque me mudei para Salvador



 Bernardo Attal*

“Nasci na região da Normandia na França e me mudei para o Brasil em 2006. O motivo pelo qual resolvi abandonar Nova Iorque, onde eu morava, para viver em Salvador, por muitos anos foi um mistério não só para mim mas também para meus parentes e amigos. Tentei elucidar esse mistério em meu novo filme Cidade Porto sobre o bairro do Comércio. As obras de Jorge Amado claramente me influenciaram pelo encanto que elas podem originar na mente de um adolescente criado em uma região fria e chuvosa da França. A diversidade da população, a facilidade pelo qual se estabelecem relações humanas em Salvador também tiveram seu papel. Porém acho que a possibilidade de trabalhar e de criar no bairro portuário do Comercio e de morar em Santo Antonio com vista nele, foram mais decisivos.


Não é só por conta da presença diária do mar. A escritora Aude Mathé escreveu que o porto representa “a intimidade do abrigo e o infinito do horizonte, o confinamento e a liberdade, o laço e a ruptura.” 

Acho que Salvador, por ser uma cidade sediada em uma baía mas também virada para o mar aberto, oferece todo isso.”

*É diretor e produtor de cinema. Proprietário e diretor geral do Trapiche Barnabé.

sexta-feira, 24 de março de 2023

O Metrô pode chegar ao CH e ao Comércio


Paulo Ormindo de Azevedo
*

O Comércio e o Centro Histórico são duas áreas decadentes da cidade, cheias de ruínas. Já se gastou rios de dinheiro público e privado sem resultados. Decadência estrutural devida à sua difícil acessibilidade e esvaziamento funcional, com a reforma urbana de ACM (1970), que os sugou com o centro comercial do Iguatemi e o Centro Administrativo da Bahia.

 Estes dois problemas podem ser enfrentados se houver planejamento e vontade política. A acessibilidade pode ser melhorada com dois túneis vinculados ao Metrô: C. da Pólvora/Comércio e Lapa/Barroquinha. Seus estudos foram iniciados em 1999, no TFG do Arq. Henrique Oliveira de Azevedo, sob minha orientação. Com uma consultoria à UNESCO/FMLF, em 2019, retomei o estudo visando criar um acesso para o CH e integrar os três níveis da cidade ao Metrô: Comércio e monotrilho suburbano, ônibus da B. dos Sapateiros e metrô da Cidade Alta. Como ele será um dos seus principais acessos, caberá à CCR sua manutenção e segurança. 

Em São Paulo a CCR mantém quilométricas galerias subterrâneas de metrô com escadas e esteiras rolantes, ar condicionado, obras de arte e segurança. Por que não pode manter uma galeria de 825m aqui. 


Com o túnel, usuários do Comércio podem chegar de ônibus até o Campo da Pólvora, ou deixar o carro numa das 3.500 vagas do estacionamento da Fonte Nova, só utilizadas durante jogos e shows, e se deslocar por 825 m em esteiras rolantes até o Comércio. Ninguém faz esta trajetória pelas ladeiras. 

Com relação ao esvaziamento funcional a saída é transformar o CH e o Comércio num distrito de uso misto – habitação, serviços e lazer - removendo as barreiras para o mar como fizeram Londres, Nova York, San Francisco, Baltimore e Manaus, durante a desativação parcial de seus portos. Em Salvador os armazéns das docas demolidos estão sendo substituídos por novas construções e estacionamentos fechados para a BTS.

A recuperação do CH só é viável com programas como Minha Casa, Minha Vida, porque as classes remediadas não admitem morar numa habitação sem garagem, play ground e quartos iluminados por poços. É a classe popular que produz a cultura e a identidade do CH. 

Introduzir habitação no Comércio implica transformar edifícios de escritórios vazios em habitacionais e criar infraestrutura de educação, saúde e abastecimento. Uma operação urbana inteiramente viável financeiramente! Finalmente, se questiona a prioridade da obra. Para integrar os três níveis da cidade e os quatro principais modais – metrô, ônibus, monotrilho e hidrovia – esta obra está orçada em R$300 milhões, ou seja, cerca de um terço do BRT de R$820 milhões.

Esta polêmica tem o mérito de discutir uma obra pública, que faltou na implantação do trem metropolitano e BRT que destruíram árvores frondosas para substituir pelo concreto. 

*Arquiteto e Professor Titular da UFBA, com doutorado na Universidade de Roma

 

Artigo publicado no jornal A Tarde, 23/03/2023

quarta-feira, 22 de março de 2023

As terras da ilha de Boipeba são particulares

Luiz Walter Coelho Filho*

A polêmica em torno de empreendimento na Ponta dos Castelhanos, Ilha de Boipeba, tem como pilar a crença fomentada e equivocada do domínio da União sobre aquelas terras insulares. As terras da ilha de Boipeba e aquelas em particular são particulares. Nunca pertenceram à União.

O Patrimônio da União tenta impor seu domínio de forma abusiva, mas direito não tem. A questão é relativamente simples. A Constituição Federal assegura à União o domínio residual sobre as terras interiores nas ilhas. Isso significa que a terra será da União se não pertencer a outrem, que pode ser município, estado ou particular. Em linguagem inversa, se a terra pertence à particular, estado ou município não será da União.

O domínio da União é residual. A finalidade é evitar o vazio dominial (se não for de alguém, será da União) e impõe o dever ao Governo Federal de respeitar os títulos constituídos. O Patrimônio da União não cumpre, como regra, esse dever e se especializou em promover, pela força do seu poder, a subtração das terras insulares dos particulares pregando a crença falsa e inconstitucional do domínio federal à qualquer custo.

Vale aqui lembrar que essa questão da propriedade das terras interiores nas ilhas não se confunde com o terreno de marinha, que pertence à União, não se discute, e tem seu limite na testada de 33 metros a partir da preamar média das praias.

A fazenda Ponta dos Castelhanos foi formada por desmembramento da antiga fazenda Espírito Santo, também conhecida com o nome de Tatuim ou Fatuim. Essa antiga fazenda tem longa cadeia sucessória, bem estudada e que remonta ao Século XVI.

A cadeia de títulos de propriedade da fazenda Ponta dos Castelhanos nos últimos 160 anos está totalmente reconstituída e provada. Merece destaque a transcrição 413-A, de 19 de outubro de 1897, existente no Registro de Imóveis de Valença (Figura 1). Poucas propriedades privadas possuem cadeia sucessória tão rica e bem documentada.

O Ministério Público Federal com atuação no assunto não tem aparente compromisso com a defesa da propriedade privada e insiste na crença da não verdade, exigindo que o Patrimônio da União exerça direitos de regime de ocupação que não se aplicam ao imóvel.

Lamentável que tantos agentes públicos insistam em não examinar e respeitar a propriedade privada, apregoando ou repetindo mil vezes mentira para transformá-la em verdade.

Aparentemente, existe tentativa articulada de transformar as ilhas em feudos da União. Isso é trágico! Transforma populações em meros ocupantes privando-os dos direitos que qualquer proprietário tem de vender, explorar, parcelar, construir, constituir hipoteca ou alienação fiduciária em suas terras. É um atentado à Constituição Federal!

Em tudo e por tudo, o domínio da União sobre as terras interiores da ilha de Boipeba é uma alteração da verdade dos fatos com requinte de abuso de poder.


*Luiz Walter Coelho Filho

Sócio-fundador do escritório Menezes, Magalhães, Coelho e Zarif Sociedade de Advogados.

Publicado originalmente no link: https://www.migalhas.com.br/

segunda-feira, 20 de março de 2023

A intimidade artificial virou o mal do século


Ronaldo Lemos*

Esther Perel é psicoterapeuta. Nasceu na Bélgica, filha de sobreviventes do holocausto. Hoje é professora da universidade de Nova York e especialista em temas como solidão e relacionamentos contemporâneos, incluindo relações amorosas. No festival SXSW, realizado em Austin, no Texas, que se encerrou ontem, ela roubou a cena. No meio de uma pletora de palestras sobre tecnologia, sua fala sobre comportamento humano foi a mais importante na minha opinião. Ela desenvolveu o fascinante tema da “intimidade artificial”. Seu argumento é que estamos vivendo nossas vidas em permanente estado de atenção parcial. Quando nos relacionamos com nossos amigos, amantes ou familiares nunca estamos 100% presentes. Nossa atenção está sempre dividida entre as pessoas e o nosso celular, mídias sociais, alertas de mensagem e assim por diante. Nesse contexto não é possível intimidade real. As mídias sociais e nosso celular funcionam como anestesia seletiva para as relações humanas. Queremos as partes boas do convívio, que são do nosso interesse, mas evitamos ao máximo atritos, conversas desconfortáveis, tédio etc. Sempre que algo desconfortável começa a se materializar, partimos para o mundo confortável e controlado do celular, que nos distrai do que é verdadeiramente humano. Essa é a intimidade artificial. Estamos todos vivendo coletivamente o experimento do rosto parado que o psicólogo Edward Tronick realizou nos anos 1970. Nele, uma mãe primeiro é gravada se relacionando normalmente com seu bebê de 6 meses. Ela sorri, o bebê sorri de volta. Ela fala algo e o bebê dá uma gargalhada. No segundo momento a mãe paralisa seu rosto. Ela olha fixamente para o bebê, sem expressar qualquer reação. O bebê então gargalha. A mãe permanece impassível. O bebê então começa a gritar. Nenhuma reação da mãe. O bebê então chora e grita desesperadamente, até que a mãe retoma suas reações normais e acolhe a criança. No mundo que estamos vivendo hoje somos todos simultaneamente a mãe e a criança. Como somos incapazes de dar atenção integral ao outro, estamos sempre em dívida emocional com as pessoas que nos cercam. Ao mesmo tempo, somos também o bebê, sedentos por atenção. Nunca houve uma carência tão grande por escuta e acolhimento como a que vivenciamos coletivamente no mundo de hoje. 

Esther nos conclama a nos rebelarmos contra a intimidade artificial. A exigir e a dar atenção total para aqueles com quem nos relacionamos. A darmos o difícil passo de aceitarmos o conflito e o atrito como parte das relações humanas, parando assim de nos anestesiarmos parcialmente o tempo todo. Sem isso seremos obrigados a conviver com relações que julgamos “defeituosas” o tempo todo. Uma pesquisa realizada nos EUA em 2019 apontou que 22% dos “millenials” têm hoje zero amigo. 25% dizem não ter nenhum conhecido. Eu Muitos têm um número de seguidores gigantesco em redes sociais, mas amigos mesmo, nenhum. Em gerações anteriores o número dos sem-amigos girava em torno de 9%. Não é por acaso que ansiedade e depressão são um dos assuntos que mais circulam em mídias sociais hoje entre adolescentes e também crianças. Na era da intimidade artificial, não são só as amizades que estão em risco, mas também as relações amorosas e familiares. Apertem os cintos para a sociedade da solidão, com consequências nefastas para todos os campos da vida humana.

*Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

domingo, 19 de março de 2023

Verde que te quero cinza


Paulo Ormindo de Azevedo
*

 O famoso poema de Garcia Lorca está sendo reescrito na Bahia. Sim, uma empresa do presidente da Fundação Roberto Marinho, de Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central que recusou convite para servir ao país como Ministro da Fazenda, e outros sócios famosos, está fazendo uma reforma agrária pelas avessas na Fazenda Ponta dos Castelhanos, na ilha de Boipeba, que segundo a Superintendência do Patrimônio da União pertence à nação. 

 Está expulsando a população de quase uma centena de pequenas roças e choupanas de pescadores instaladas desde o século XVII, dado o nome, para incorporar um resort de luxo, com campos de aviação e golfe, que depredarão a reserva de Mata Atlântica, duas pousadas e marina para 150 lanchas que ameaçam os manguezais e restingas locais. O empreendimento imobiliário, que ocupa 20% da frente marítima da ilha, equivalente a 1.700 campos de futebol, curiosamente é incorporado por uma empresa agrícola, a Mangaba Cultivo de Coco Ltda., e foi licenciado pelo INEMA sob a alegação que é uma medida para preservar a reserva. Trata-se do último ato na Bahia da política do ex-ministro Ricardo Salles de passar a boiada. 


A Globo, que fala tanto da preservação do meio ambiente, não noticiou o fato, ao contrário da invasão pelo MST de propriedades da Suzano, que desmatou o que restava da Mata Atlântica para cultivar eucalipto que exaure o solo e que acaba com a fauna local para exportar celulose e importar papel em rolo para a imprensa. A invasão injustificada do SMT, apesar de ser um protesto contra acordos não cumpridos pela empresa, foi prontamente reprimida pelo MPE. Espera-se que o MPE aja do mesmo modo por esta tentativa de invasão de colarinho branco muito mais extensa e grave em Boipeba. 

A questão ambiental não é apenas um problema mundial, é gravíssima no Brasil e está ligado ao racismo estrutural contra índios da Amazônia e negros urbanos que são os grupos mais discriminados da sociedade brasileira, e se reflete em fenômenos climáticos que não aconteciam no país, como ciclones no sul, chuvas de granizo no sudeste, desidratação do Pantanal e do cerrado e deslizamento de terras nas serras carioca e paulista com centenas de mortos. Não é possível que a população pobre não tenha acesso ao solo urbano e tenha que ocupar terrenos sem condições de estabilidade e acessibilidade, como morros, encostas, margens de rios e alagados, perdendo vidas e bens que construíram a duras penas. 

É urgentíssima no Brasil a reforma agrária, para garantir a segurança alimentar de nossa população, e urbana, para acabar com o flagelo das inundações e corrimentos de terra e formação de territórios de exclusão e resistência, novos quilombos, aonde não chega o estado e são disputados por gangues de milicianos armados que provocam centenas de mortes e perdas patrimoniais todos os anos.

* Paulo Ormindo de Azevedo é Arquiteto e professor, com doutorado na Universidade de Roma.

**Artigo publicado no jornal A Tarde, em 19/03/2023

segunda-feira, 6 de março de 2023

Tributo ao último planejador


Paulo Ormindo Azevedo*

Os manuais de empreendedorismo enfatizam que a chave do sucesso é o planejamento da empresa. Para administrar um estado ou cidade, tarefa muito mais complexa, não se exige nada. Governadores e prefeitos podem fazer o que lhe der na telha. Genericamente detestam o planejamento porque lhes cria uma camisa de força e limita o “tome lá, me dê cá”, que assegura sua continuidade política.

O Brasil já teve grandes planejadores, como Celso Furtado, que elaborou o Plano de Metas de Juscelino, quando criou a Sudene, dirigiu o BNDE, e redigiu o Plano Trienal de Goulart e de Ação de Tancredo. Outro foi João Paulo dos Reis Veloso que durante o regime militar exerceu vários cargos como a criação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Em 1968, foi nomeado secretário-geral do Ministério do Planejamento, assumindo a pasta durante os governos de Médici e Geisel (1969 a 1979).

O mais atuante deles foi, porém, Rômulo Almeida que no início do segundo governo de Vargas foi um dos criadores da Petrobrás (1950) e integrou o Gabinete Civil da Presidência da República, que organizou a Assessoria Econômica da Presidência da República. A partir de 1953, tornou-se consultor econômico da Sumoc, antecessora do Banco Central, estruturou a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) e o Banco do Nordeste, do qual foi presidente.

Em 1955 assumiu a Secretaria da Fazenda da Bahia quando criou a Comissão de Planejamento Econômico (CPE). No período de 1957 a 1959 reorganizou o Instituto de Economia e Finanças da Bahia e nesse último ano, já no governo de Juraci, representou a Bahia na Sudene e foi nomeado Secretário de Economia, quando criou a  Coelba. Foi diretor da Fundação Casa Popular, de Empreendimentos Bahia S.A., da Elétrico-Siderúrgica Bahia S.A., além criar e presidir a Consultoria de Planejamento Clan S.A. que idealizou o Polo Petroquímico de Camaçari, o Porto e o Centro Industrial de Aratu.

O herdeiro desta rica tradição foi seu primo caçula, o Eng. Luiz Antônio Schneider Alves de Almeida, filho de Landulfo Alves, formado nos EUA, que trabalhou com ele desde 1960 na Clan, na implantação do CIA e Porto de Aratu e como diretor-superintendente de Empreendimentos da Bahia S.A, quando expandiu a Odebrecht no exterior, em especial na CPLP. Casado com a artista americana Betty King, ele promoveu muito a cultura afro-baiana, em especial o Ilê Aiyê e sua sede.

Com a morte de Rômulo em 1988, se fez um vazio. Todos os órgãos de planejamento foram extintos e os secretários de planejamento passaram a ser políticos despreparados no setor. Esquecido desde então, Luiz Almeida morreu no último dia 05 de janeiro recordado apenas pela FIEB.

Cabe à ALBA promover, em convênio com a UFBA e UNEB, cursos de extensão multidisciplinares para formação de quadros políticos minimamente conscientes da realidade baiana.

*Paulo Ormindo de Azevedo é Arquiteto com Doutorado em Urbanismo e Preservação de Sítios Hustoricos.

SSSA: A Tarde, 05/03/2023

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Carnaval, que era avenida, virou cidade


Pedro Conde Tourinho*
Como serão os futuros carnavais? Baiana System ecoava essa questão, mais de dez anos atrás, nos seus primeiros registros fonográficos. Naquela época já estava claro tudo aquilot que não fazia mais sentido, mas em qual sentido a multidão seguiria?
O tempo corre no seu tempo, Exu matou um pássaro ontem com a pedra que só jogou hoje, e posso dizer que aquele Carnaval sufocado entre cordas, apertado entre estruturas, parado no tempo e no trânsito, enfim, hoje, em 2023, deu seu último suspiro: morreu. O que ainda tem disso aí é a raspa do tacho, está no compasso da espera e no pós prazo de validade de velhos modelos. O futuro mostra seu caminho, e o Carnaval, que era uma avenida, virou uma uma cidade.
 A Avenida Oceânica, Barra-Ondina, deu seu primeiro tom do Carnaval 2023 com Ivete Sangalo, transmissão nacional ao vivo na Globo e em todo lugar, Gilberto Gil, prefeito Bruno Reis, governador, Rei Momo, Deusa do Ébano, Veko do Cortejo, Filhos de Gandhy, pirotecnia e multidões. E as crias da Ivete. Esquece. Nossa atual grande avenida, é energia, multidões, pipocas e camarotes, luz, câmeras e ação. O Carnaval Barra-Ondina é uma explosão anual de supernova, frisson puro, palco, pressa, a sofreguidão do Carnaval que quer sim aparecer, a fricção e a energia daquilo que não cabe mais ali, mas que também não tem pra onde ir, ninguém quer sair. Baiana System, Leo Santana, viram do avesso aquele percurso, e o Axé da água salgada e da brisa fresca da noite torna irresistível a ideia de ficar.
Salvador é maior do que um percurso, não cabe entre a Barra e a Ondina, e esse foi o convite que a prefeitura de Salvador fez esse ano: não fique só na avenida, circule pela cidade, cole no centro. Numa caminhada entre o Santo Antônio do Carmo e o Campo Grande, toda a cultura do Brasil se manifesta em cada palco, cada aparelho de som ligado, na charanga e na fanfarra, nos bloquinhos e blocões, no palco do reggae e da resistência, no padê  do Gandhy, no privilégio de ver o nascimento de uma estrela, como Melly, na consagração  todo ano renovada do Olodum, o amanhecer com o Ilê, os afros, a grande essência, o combustível primordial da nossa cultura é de matriz africana, cortejo afro chegando, a rua em combustão, cantou encantado Arto Lindsay.
E chegamos à Praça Castro Alves, à emoção das homenagens à Moraes, ao nervosismo de Baco Exu do Blues enquanto tomava de energia e rap toda a vista do poeta. Essa praça, após um longo retorno de saturno, volta ao epicentro de todo um ecossistema de alegria: encontro de trios, de pessoas, de ritmos, de amores, axés, afoxés e de vida. Eu sou o Carnaval em cada esquina, do seu coração. Moraes, Moraes, o dono da visão, o verdadeiro arquiteto de nossa festa, deixou em cada música uma pista do mapa da mina da alegria, um guia dos passos da dança, uma receita de folia que transcende qualquer planejamento urbanístico, qualquer curadoria musical. "A gente não quer ser assistido, a gente quer se assistir", ouvi no manifesto da Batekoo, que tomou o chão da praça Castro Alves, olhos negros cruéis, tentadores, da multidão sem cantor. A multidão canta, balança o chão da praça, e Salvador se irradia a partir dali.
O carnaval não cabe numa avenida, o Carnaval é a cidade. Cada esquina é uma festa, cada olhar um ritmo, cada alegria é um coração batendo mais quente. O futuro do Carnaval não está na avenida, está em cada esquina, em cada praça, bairro, bar, palco, festa, encontro, em cada risco e em cada suspiro de vida. Depois de 2 anos de dor e de perdas, parece ter ficado ainda mais claro que a alegria é um direito fundamental de todos, e que não há limites, não cabe numa avenida, Carnaval é alegria e é cultura que circula e transpira em toda a cidade, e é aí que reside o futuro do carnaval: em toda a cidade.
*Pedro Tourinho é secretário de Cultura e Turismo de Salvador. Formado em Comunicação Social, é especialista em entretenimento e mídia.
** - Artigo originalmente publicado no jornal Correio da Bahia.


domingo, 5 de fevereiro de 2023

Trapalhadas Sotero-metropolitanas


Paulo Ormindo Azevedo*

Quando ACM transformou o Conder, órgão de planejamento, em cartório de obras do Estado, a gestão da RMS virou um cassino. Uma casa de apostas em que quem sempre ganham são as empreiteiras. Tentei identificar o jogo mais frequente e descobri que era o bingo de cartas marcadas, em que participam muitas empreiteiras e tem um crupiê governamental que canta as bolas. O valor dos prêmios depende do autor e do montante das emendas do Orçamento Secreto.

As cartelas são distribuídas com as empreiteiras e cada vez que uma delas preenchia uma fileira grita: bingo! Assim temos muitos pseudo-ganhadores e um grande ganhador que preenche toda a cartela. Depois que a Lava Jato quebrou as nossas duas maiores empreiteiras, passamos a ter uma só, os chineses. Eles estão na Ponte SSA-Itaparica, no monotrilho suburbano, na FIOL e no Porto Sul.

O planejamento virou um jogo de apostas. A maioria das capitais transformou suas redes ferroviárias em transporte metropolitano. Salvador está arrancando os trilhos e se isolando ferroviariamente do restante do país. O correto seria transformá-los em uma rede ferroviária funcionando durante o dia como transporte de pessoas e à noite de carga, ligando Salvador a Itaparica, pela contra costa, a Feira de Santana, aos portos de Aratu, Estação de Regaseificação, Estaleiro da Enseada, hubport de Salinas e Ferrovia Centro Atlântica.

Desorientado, o Estado abriu licitação para a construção de um sistema de Veículos Leves sobre Trilho, VLT, suburbano. Os chineses oferecem um monotrilho aéreo, que não transporta carga, e o Estado engoliu a espinha com muita farinha. Para enganar o Tribunal de Contas rebatizou o monotrilho de VLT. Um negócio da China, que tem seu orçamento triplicado mesmo antes de começar.

Enquanto o Rio de Janeiro e muitas outras cidades no mundo investem na hidrovia para aliviar o tráfego metropolitano, o Governo aceitou o projeto da Odebrecht e decidiu construir uma ponte rodoviária para Itaparica¸ restrita a ilha, que irá o substituir um ferry boat mal administrado e acabar com a navegação regional na BTS, modal forte até meados do século XX. A ponte terá forma de anzol para chegar ao centro congestionado da cidade, dificultando as manobras no porto de Salvador e inviabilizando o estaleiro de São Roque.


Quem circula na BR-324 percebe que o metrô de Cajazeiras é todo aéreo. Neste caso seria mais barato e silencioso um monotrilho, que não desmataria a Paralela nem criaria uma barreira viária e social. Em resumo, temos trem onde deveríamos ter um monotrilho e monotrilho onde deveríamos ter trilhos, uma ponte rodoviária onde deveríamos ter trem metropolitano e hidrovia e um BRT tobogã insustentável na Av. ACM pelada que sonha competir com o metrô perna de pau. Um mangue, que custa caro ao cidadão e desumaniza a cidade.

*Arquiteto e Urbanista

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

O Mundo dá Bananas a Bolsonaro


Rui Castro*

Sabe o fim do expediente no escritório? As luzes se apagam uma a uma. O último a sair desliga a chave geral e a escuridão toma conta. É como o mundo deve estar parecendo agora para Bolsonaro. Os refletores que se acendiam à sua chegada, os pisos encerados de palácios que ele conspurcou com seus cascos, os celulares sôfregos por selfies ao seu lado, tudo virou passado. Ex-presidente com desonra, as trevas que ele impôs ao Brasil durante quatro anos chegaram à sua miserável existência.

O planeta, de repente, parece estar ficando também despovoado. Sem a faixa presidencial, Bolsonaro perdeu centenas de senadores, deputados, governadores, prefeitos e demais políticos em cuja bajulação enxergava fidelidade cega. Deve doer-lhe um dente vê-los abraçados a Lula. Claro, eles não são bobos: segundo o Datafolha, 93% foram contra a invasão dos três Poderes. Quem vai apostar num perdedor?

Como se a derrota não bastasse para o mundo lhe mostrar a língua, o já infame 8 de janeiro em Brasília faz com que Bolsonaro, indiscutível responsável pela baderna, conheça hoje a repulsa internacional. E esta não se limita à União Europeia, à OEA e aos governantes dos países democráticos em massa. Seus ex-aliados da ultradireita também o veem como "tóxico" e querem distância dele. Putin, presidente da Rússia, Netanyahu, premiê de Israel, e líderes de Itália, Polônia e Índia condenaram "as violências em Brasília" e manifestaram apoio a Lula. E, dolorosamente, nem Donald Trump se pronunciou a seu favor até agora, como se lhe desse uma banana.

O folclórico empresário Luciano Hang disse "repudiar a invasão" e, sem ser , jurou não "ter doado" [dinheiro] aos vândalos. Entre estes, aliás, pululam os "arrependidos". E até Augusto Aras dá perigosos sinais de despertar do rigor mortis que simulou na PGR.

É para Bolsonaro ficar mesmo verde de ódio e amarelo de pavor.

*Jornalista e escritor, é membro da Academia Brasileira de Letras

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Comparação Insólida


Lourenço Mueller*

Da água para o vinho é uma diferenciação apropriada entre  dois amigos, sobretudo porque um gosta muito de vinho e o outro é abstêmio, e tem até uma frase cunhada justamente sobre a água...de côco, que, diz ele, só faz mal a quem NÃO bebe.

Ambos são éticos e honestos, gostam de jogar xadrez e amam o Mar acima de quase tudo, mas aqui cessam as semelhanças. Porque as diferenças, muitas, começam na gênese.

Um deles sou eu próprio, filho de um casal de origem italiana ( Costa) e alemã ( Mueller) por parte de pai e mãe que não souberam manter as duas fortunas herdadas de meus avós, confirmando o ditado ‘avô rico, pai nobre, filho pobre’. O que herdei foi uma extrema noção de amor e orgulho pela Bahia.  

O outro é descendente de ucranianos vindos para cá durante a guerra, passaram por maus pedaços até se estabelecerem, deixando no filho uma estranha sensação de não pertencimento ao lugar:este se esforça para que os próprios filhos incorporem a baianidade completamente, o que bem fizeram. Ele reuniu variada coleção de objetos (quadros, conchas, esculturas, cartas náuticas, filmes, fotos) ao longo de suas viagens pelo mundo com um barco a vela, o ‘Três Marias’, que acabou instalando num casarão do Centro Histórico (entrou pelo telhado)e fundando o Museu do Mar, um presente para Salvador,tudo às suas próprias custas.

O primeiro,só idealiza: planos, programas, projetos, casas, prédios, conteúdos...O outro faz.

Os que me leem com frequência já deduziram quem é o outro:


É Aleixo Belov,o navegador. 

Mas por que a insólita comparação? Parce que, enquanto Belov passou esse ano de 2022 navegando no Polo Norte, entre ventos e icebergs, este escriba sentou-se diante de um laptop cerca de 8 horas diárias o ano inteiro, escrevendo uma série de 5 livros que abordam, entre assuntos diversos, as três viagens solitárias do outro resenhadas e que em breve serão publicados.

Aqui eu foco em duas ações diferentes: na corajosa aventura marítima de um e na sedentária reflexão e pesquisa do outro.

Em que isso importa? Numa espécie de alerta psico-social: o cara fora da curva versus o homem comum, eu, que nesse primeiro artigo do ano aproveito para agradecer todo o apoio às minhas iniciativas de formação de opinião através do ativismo urbanístico, entrevistas, matérias e artigos críticos ou propositivos sobre a cidade, sobre o surrealismo de um governo insano, sobre o modal bicicleta e sobre um desejo incontido de elaborar um plano diretor para a Baía de Todos os Santos, em conjunto com um Cibergrupo chamado Kirimure, há 5 anos, e quinze neste jornal, como articulista quinzenal. Mais outros tantos atemporais.  

Não tenho ídolos, sou um iconoclasta. Mas considero alguns seres como paradigmas.Para a coragem, a ousadia e a inteligência aplicadas,Belov,que completa 80 anos amanhã, é um desses.

Em Tempo: Que 2023 represente para o Brasil e sobretudo para a Bahia, esse país dentro de outro, a renovação de sua governança, nome que abrange tantas coisas tão merecidas por nós.

*Arquiteto e Urbanista, coordena o Cibergrupo KIRIMURE - Artigo publicado no jornal A Tarde, dia 08/01/23

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Aleixo Belov, 80 anos - o Grande Mestre dos Mares



Roberto Benjamim*
Você acredita que esse engenheiro baiano, nascido na Ucrânia, construiu um barco com 11 m de comprimento – o Três Marias – , no quintal de sua casa em Salvador e se lançou ao mar, em 16 de março de 1980, numa aventura que durou quatorze meses, percorreu 26 mil milhas náuticas e visitou dezessete portos, sozinho?

Pois bem, Aleixo Belov foi o primeiro velejador brasileiro a completar uma volta ao mundo em solitário, num barco à vela, numa época em que não existia o GPS (Sistema de Posicionamento Global) para navegação. Ele se valeu da navegação astronômica, usando o sextante, se orientando de dia pelo sol e à noite pelos astros. Como se vê não era uma aventura para qualquer um…

Navegar é preciso!


Sua primeira volta ao mundo precisou de muito planejamento, organização, experiência mas, sobretudo coragem. Ele mesmo conta que a viagem foi cheia de emoções e muitos riscos. Ao regressar a Salvador 14 meses depois, Aleixo recebeu um Diploma da Marinha brasileira e escreveu A Volta ao Mundo em Solitário, seu primeiro livro, contando com detalhes essa aventura pelos mares do mundo.

Tendo apreciado a viagem de barco por tantos portos e mares e, se saído muito bem dessa primeira expedição, Aleixo ainda deu mais duas voltas ao mundo em solitário: uma em 1986 e outra em 2000 que ele descreve nos seus livros. E não parou quieto.

Em 2010 surpreendeu novamente, realizando um novo sonho: construiu outro barco, desta vez de aço – o veleiro-escola Fraternidade -, bem maior que o primeiro e, lá se foi para mais uma volta ao mundo, desta vez levando a bordo jovens brasileiros, selecionados num concurso nacional, para ensinar-lhes a arte da navegação e o gosto pelo mar.

Aleixo partiu para sua primeira viagem como engenheiro e velejador na busca de entender o sentido da vida e seus limites.


Em 2013 quando, zarpando mais uma vez de sua amada Salvador, fez uma viagem de cinco meses à Antártida – a bordo do Fraternidade – acompanhado por nove tripulantes. Uma aventura e tanto, com travessias perigosas e paisagens incríveis daquele mundo gelado, misterioso, belo e pouco conhecido.

A Passagem Noroeste

A sua última jornada a bordo do veleiro Fraternidade teve início em 5 de fevereiro de 2022, quando saiu da capital baiana determinado a realizar a travessia da Passagem Noroeste, entre o Alaska e a Groenlândia. Desde então, a tripulação passou por Natal, no Rio Grande do Norte, no litoral brasileiro, e pelo Caribe, Panamá, Havaí, Canadá, Alaska, Groelândia e no arquipélago de Açores, um território autônomo de Portugal, antes de retornar às águas brasileiras. Já aqui no Brasil, a embarcação ficará alguns dias em Natal para trâmites legais de retorno ao país, vindo, em seguida, para a Bahia.

Ao longo da viagem, a equipe superou desafios, como os ventos fortes entre Panamá e Havaí, além dos riscos de colisão com os grandes navios na passagem pelo canal que liga o Atlântico ao Pacífico, uma das rotas comerciais mais importantes do mundo. “Tudo tremia (com o vento) e metia medo que os panos não aguentassem e fomos obrigados a apelar para os rizos (redução de vela). Estávamos meio esquecidos desta manobra, mas deu tudo certo. A maior preocupação era com os navios, para evitar que um deles passasse por cima da gente”, relatou o comandante.


Belov ainda narrou sobre outras adversidades ao chegar às águas geladas do Ártico: “Saímos bem, atravessamos o Estreito de Bering, vendo, ao mesmo tempo, o Alaska por boreste e a Sibéria por bombordo. Já sabíamos que lá na frente, em Barrow, estava tudo fechado de gelo, mas fomos seguindo, confiando que o gelo ia terminar por derreter. Durante a última semana (no início de agosto), vínhamos pegando a carta de gelo pela internet e o degelo estava avançando. Mas, para nossa surpresa, depois que saímos, o degelo deu um retrocesso. O vento norte empurrou o gelo para o sul e piorou ainda mais o que já não estava bom”.

Ele acrescentou que, em determinados momentos, o veleiro teve que ficar preso a um bloco de gelo à deriva, esperando uma brecha no mar congelado para seguir adiante, o que, felizmente, aconteceu, possibilitando que o desafio de atravessar a Passagem Noroeste fosse alcançado, com sucesso, em setembro deste ano.

* Roberto Benjamim  é Engenheiro Civil. Foi aluno de Aleixo Belov na Escola Politécnica.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

O Maior Erro da Nossa História


Rudolfo Lago*

Desde o primeiro momento da opção por Bolsonaro em 2018 até o lance final do seu embarque para Orlando, onde se hospeda na casa de um lutador de MMA que tem um quarto decorado de mínions (a piada pronta é o traço cultural brasileiro mais característico), tudo o que se refere a essa escolha é baseado no erro. Bolsonaro nunca foi o que os brasileiros enxergaram nele. Começou e terminou não sendo. Na cabeça dos bolsonaristas, Bolsonaro era o militar que colocaria ordem na casa e terminaria com a bagunça da era petista. Na vida real, Bolsonaro quando se elegeu presidente não era militar há 30 anos. E tinha deixado o Exército após diversos lances de indisciplina. Ficou 15 dias preso depois que escreveu um artigo para a revista Veja (sim, essa revista calhorda da imprensa comunista) reclamando de salário. Depois, participou de uma trama para colocar bombas em quarteis, a Operação Beco sem Saída, com o objetivo de fazer as mesmas reclamações salariais e desestabilizar o comando do Exército. Bolsonaro chegou a ser condenado pelo Conselho de Justificação Militar (CJM), mas acabou ao final absolvido pelo Superior Tribunal Militar (STM). Mas foi para a reserva em 1988. Ou seja, nem militar nem o mais qualificado para colocar ordem na casa. Na cabeça dos bolsonaristas, Bolsonaro poria fim à corrupção do PT e do seu presidente “presidiário”. Vimos no parágrafo acima que prisão era algo que também fazia parte da experiência de Bolsonaro. E denúncias de uso indevido de dinheiro público na prática de rachadinhas, funcionários fantasmas, já povoavam a campanha de Bolsonaro e de seus filhos antes das eleições de 2018. Depois, durante o governo, estouraram escândalos de corrupção no Ministério da Educação e suspeitas em negociações para a compra de vacinas no Ministério da Saúde. Na cabeça dos bolsonaristas, Bolsonaro joga dentro “das quatro linhas da Constituição”. Bolsonaro passou quatro anos fazendo ensaios de afronta à Constituição. Na verdade, todas as atitudes mais duras tomadas pelo Judiciário, especialmente pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, são reações a essas tentativas de ultrapassar as “quatro linhas da Constituição”. Na verdade, o que os bolsonaristas pedem nas portas dos quarteis fere de morte as “quatro linhas da Constituição”. Não há uma vírgula da Constituição que justifique os atos terroristas acontecidos no dia da diplomação de Lula como presidente e a tentativa de explodir uma bomba próxima ao Aeroporto de Brasília na véspera do Natal. Na cabeça dos bolsonaristas, o país deveria “passar a boiada” na legislação ambiental porque, desmatando mais, abriria mais espaço para a agricultura e a pecuária e, assim, cresceria mais economicamente. O Brasil perdeu negócios no mundo. Importadores pararam de comprar produtos agrícolas brasileiros pela falta de garantias de proteção ambiental na sua produção. Regras e legislações foram endurecidas. O país perdeu recursos do Fundo Amazônia. Na cabeça dos bolsonaristas, a covid-19 era uma “gripezinha”, para a qual a vacina nada servia e que podia ser curada com o uso de cloroquina. Não foram poucos os que morreram acreditando nessa lorota. Bolsonaro decretou sigilo de 100 anos para a sua caderneta de vacinação. Até mesmo um aliado de Bolsonaro, o governador Ibaneis Rocha, declarou, em uma entrevista acreditar que Bolsonaro tinha tomado a vacina embora dissesse que não. Na cabeça dos bolsonaristas, Bolsonaro surgiria, enfim, para evitar a volta de Lula e do PT ao poder. Bolsonaro perdeu as eleições. E, na verdade, nunca de fato tentou contestar o seu resultado. Deixou a ensandecida trupe bolsonarista tomando chuva em frente aos quarteis enquanto embarcou para a mansão do lutador de MMA para o seu confortável autoexílio. Foram quatro anos em que o Brasil pareceu viver no mundo de “1984”, o romance de George Orwell, onde todos os sinais eram trocados. O Ministério da Paz promovia a guerra. O Ministério da Verdade tratava de propagar a mentira. Certamente, durante ainda algum tempo muitos não conseguirão sair desse transe coletivo em que entraram. Seguirão enxergando sinais onde sinais não existem. Esperando por 72 horas que se tornarão cem horas e depois mil. Aos poucos, porém, o Brasil retornará à normalidade. E as feridas dos quatro anos em que convivemos com o maior dos nossos erros serão uma cicatriz. Que seja larga, feia e visível para que para sempre nós possamos olhá-la e nos lembrarmos dela.

* Artigo publicado no CONGRESSO EM FOCO

terça-feira, 8 de novembro de 2022

200 ANOS DA BATALHA DE PIRAJÁ



O traço inconfundível do artista plástico Carybé, o mais baiano dos argentinos, apresenta uma luta em tom épico: soldados uniformizados misturados a homens do povo, vaqueiros de gibão e chapéu de couro, cavalos tombados ao chão.

A batalha, que completa 200 anos hoje (8), durou cerca de oito horas, reuniu cerca de 4.000 soldados e foi uma tentativa dos militares fiéis a Lisboa de furar o cerco terrestre que as tropas brasileiras aliadas a dom Pedro 1º impunham a Salvador para consolidar a Independência.

A luta contra o domínio português na Bahia, em diversos episódios, tem forte influência de protagonismo feminino, a exemplo da bravura da freira Joana Angélica, que morreu por resistir à entrada de portugueses no Convento da Lapa, Maria Felipa, por suas estratégias usadas contra os portugueses na Ilha de Itaparica, e Maria Quitéria, que guerreou como parte das tropas independentistas contra as tropas coloniais.

Uma versão da batalha de Pirajá, que ganhou o imaginário popular, veio de um poema de Ladislau dos Santos Titara, responsável pelas correspondências do general Labatut, que alçou à condição de herói o cabo-corneta Luís Lopes.  Diante das dificuldades da batalha, o comandante Barros Falcão teria ordenado que o corneteiro fizesse o toque de retirada, fazendo com que as tropas brasileiras recuassem. Mas ele teria feito o contrário, entoando o toque de "avançar a cavalaria e degolar".  O toque de ataque teria assustado os portugueses que se imaginaram em menor número de soldados e bateram em retirada de forma desordenada.

Embora o 2 de Julho seja a data oficial da Independência do Brasil na Bahia, neste dia, em 1823, não houve uma batalha. A saída dos portugueses da cidade foi o capítulo final de uma história de luta contra os portugueses, mesmo depois do 7 de setembro de 1822, dia oficial da independência do Brasil.

domingo, 6 de novembro de 2022

Incompetência e descaso na Logística Baiana


Osvaldo Campos Magalhaes*
Construída durante o governo Luís Viana Filho, 1967 e 1971,  como estrada de ligação entre a Bahia e Brasília, a BR 242 vai se tornando a “rodovia da morte”. 
Com o desenvolvimento de novas variedades de soja e milho pela Embrapa e a vinda de milhares de produtores de grãos da região sul do Brasil para o Oeste baiano, a produção de grãos e algodão cresceu muito nos últimos 20 anos e já ultrapassa as 7 milhões de toneladas , que são exportadas através de terminal portuário em Salvador. 
Mais de 170 mil carretas bi-trem trafegam anualmente pela BR 242, rodovia que não foi construída para receber tal volume de tráfego nem equipamentos tão pesados. Além de não ter qualquer controle de pesagem dias carretas, a rodovia não possui terceira faixa nas subidas, o que a transformou em armadilha perigosa para as centenas de milhares de carros de passeio e ônibus de turismo expondo as pessoas a riscos graves. 
Refletindo sobre a questão técnicos da Booz Allen durante a elaboração do planejamento estratégico ara a logística baiana no governo Cezar Borges propuseram a concessão da BR 242 , trecho de 89 km da Br 116 e a BR 324 ligando Feira de Santana a Salvador e Terminal de Cotegipe.

Lembrar que o PROGRAMA ESTADUAL DE LOGÍSTICA DE TRANSPORTES - PELTBAHIA, por mim coordenado, foi finalizado no governo Governo Paulo Souto e previa a reconstrução do trecho ferroviário entre o Porto de Aratu e Brumado e a construção da Ferrovia Leste Oeste entre Luiz Eduardo Magalhães e Brumado. O governo Wagner alterou o projeto levando a ferrovia até Ilhéus e prevendo a construção de um porto numa área de proteção ambiental, próximo à Lagoa Encantada. O Porto já mudou de local duas vezes e ainda não foi viabilizado.

A Ferrovia de Integração Leste Oeste, inconclusa, foi alvo da Operação Lava Jato, com envolvimento da OAS, ODEBRECHT, Andrade Guitierez, Queiroz Galvão e outras. As obras do Porto Sul, promessa do governo Rui Costa, não saíram do papel. Triste Bahia Enquanto isso,  o grupo cearense Dias Branco, associado ao grupo baiano TPC, construiu um moderníssimo Terminal de Grãos em Salvador, na baía de Aratu. Que opera com extraordinária eficiência. A soja que antes era movimentada no Porto de Ilhéus em um dia, passou a ser embarcada em menos de 2 Horas no Terminal de Cotegipe.  Esperamos que o governador eleito não cometa os mesmos erros de seus antecessores no que diz respeito à área da Logística de Transportes. Projetos como o Porto Sul e a ponte Salvador Itaparica devem ser reavaliados e discutido com especialistas da Sociedade Civil. São projetos inviáveis sob o ponto de vista ambiental e econômico financeiro. Devemos fortalecer a vocação logística e portuária da Baía  de Todos os Santos e a vocação turística e de preservação ambiental da Costa do Cacau.

Errar é humano mas persistir no erro é desperdiçar o dinheiro público.

*Engenheiro Civil e Mestre em Administração , foi o coordenador do PELTBAHIA. Foi Especialista da FIESP e Membro do Conselho de Infraestrutura da FIEB

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Porque América e não Colômbia?

Américo Vespúcio (1451-1512) foi um mercador, navegador e cartógrafo italiano de grande importância para os descobrimentos, pois escrevia cartas a seus superiores descrevendo os lugares por onde passava. Em sua homenagem, as terras descobertas do Novo Mundo receberam o nome de América. 
Américo Vespúcio nasceu em Florença, na Itália, no dia 9 de março de 1451. Era o terceiro filho de Anastácio Vespúcio e Isabel Mimi. Foi educado por seu tio, o dominicano Jorge Antônio Vespúcio, recebendo educação humanística. Esteve na Itália e na França, onde estudou Geografia, Astronomia e Cosmografia. Em 1949, a serviço dos Médici, Américo Vespúcio foi para Sevilha, na Espanha, para trabalhar na gerência de importante casa comercial, onde passou a auxiliar o armador Juanoto Berardi. Nessa época travou contato com Colombo e outros navegadores. Em 1495, com a morte de Berardi, Vespúcio assumiu a gerência da filial, especializada no abastecimento de navios. Travou contato com as ideias dos conquistadores espanhóis. Primeira viagem de Américo Vespúcio No dia 18 de maio de 1499, Vespúcio partiu de Cádiz, na expedição de Alonso de Hojeda, com uma frota de quatro naus, destinadas a explorar as terras já descobertas por Colombo. Atravessaram o Atlântico e chegaram próximo à costa da atual Guiana Francesa. Após uma desavença, Hojeda e Vespúcio separam-se, ficando cada um no comando de duas naus. Hojeda seguiu para o norte e Vespúcio para o sul, costeando o Brasil. Descobriu o estuário do rio Amazonas e foi até o cabo de São Roque, onde inverteu a rota e chegou até a Venezuela. Os dois navegantes voltaram a se encontrar no Haiti e regressaram à Espanha em junho de 1500. Convencido até então de ter percorrido a península do extremo leste da Ásia, descrita por Ptolomeu, Américo Vespúcio conseguiu que o rei D. Manuel I de Portugal financiasse nova expedição em busca de uma passagem para os mares da China. 
Segunda viagem de Américo Vespúcio 
Em uma segunda viagem, Américo Vespúcio seguiu na expedição comandada por Gonçalo Coelho que partiu de Lisboa no dia 13 de maio de 1501, chegando ao cabo Santo Agostinho em Pernambuco, no final do ano. Velejando para o sul, esteve na foz do São Francisco, na Bahia de Todos os Santos e em outros pontos da costa que foram sendo denominados de acordo com o santo do dia do descobrimento. 
KIRIMURÊ
Era o dia 1 de novembro, Dia de Todos os Santos na tradição da religião católica. Por costume, nomeava-se todos os acidentes geográficos de acordo com os santos dos dias onde os mesmos eram identificados – cabendo à baía, portanto, este nome. A relevância estratégica da Baía de Todos os Santos, associado a existência de colinas e acidentes geográficos à leste (relevo que permitiria o costume medieval de fortificação das cidades), foram decisivos para que Tomé de Sousa mais tarde escolhesse a região para fundar, por ordens do rei de Portugal, a cidade que seria a sede da primeira capital da colônia portuguesa – Salvador. Berço da civilização colonial lusa nas Américas, a Baía de Todos os Santos abrigou no século XVI o maior porto exportador do Hemisfério Sul, de onde eram enviados às metrópoles européias a prata boliviana e o açúcar brasileiro, sendo o porto de Salvador o que mais recebeu escravos africanos do Novo Mundo. Os Tupinambas denominavam a gigantesca baía por Kirimurê, que na língua dos povos originais que habitavam a região significava “ grande mar interior”. No final do mesmo ano avistou a baía de Guanabara e ultrapassou o estuário do rio da Prata. Foi o primeiro navegador a alcançar e registrar a costa meridional da Patagônia.
Américo Vespúcio Gravura do livro Colombo e Vespúcio (1898) Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro Em 1502 regressou a Portugal, convencido que havia percorrido a costa de um novo continente, pois seria impossível que a suposta península asiática se prolongasse de tal forma para o sul.
 Em 1505 regressou para Sevilha
Foi nomeado piloto-mor da corte, ajudando na preparação de mapas oficias e rotas marítimas. Neste mesmo ano recebeu a cidadania espanhola. Cartas de Américo Vespúcio Vespúcio adquiriu fama graças a uma série de documentos a respeito de suas viagens. A primeira consiste em uma carta em italiano, datada de setembro de 1504, procedente de Lisboa, aparentemente endereçada ao magistrado supremo da República Florentina, Pier Soderini. A segunda são duas versões latinas desta carta, publicadas sob os títulos de “Quatuor Americi Navigationes” e “Mundus Novus”. Existem também três cartas particulares dirigidas ao Medicis. Foi essa série de cartas, verdadeiras “crônicas de viagem”, embora cheias de fantasias, que deu maior notoriedade a Vespúcio, que doou seu nome ao Novo Mundo: “América”. Em 1507, o alemão Martin Waldseemüller publicou na França o relato “Quatuor Americi Vesputii Navigationes”, numa “Introdução à Cosmografia” na qual surgiu pela primeira vez o nome de “Terra de América”. Em 1509 o nome aparece no mapa-múndi impresso em Estrasburgo. Américo Vespúcio faleceu em Sevilha, Espanha, no dia 22 de fevereiro de 1512.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Os Europeus chegam a Kirimurê

Após a "descoberta" do Brasil feita por Pedro Álvares Cabral em 1500, o rei de Portugal, D. Manuel I decide averiguar quais as riquezas existentes naquele imenso território tão bem relatado por Pero Vaz de Caminha, participante da expedição cabralina. A primeira expedição exploratória da costa brasileira foi comandada por Gonçalo Coelho que partiu de Lisboa em 10 de maio de 1501. Com isto, a Coroa portuguesa pode ter notícias pioneiras sobre o contato de Cabral e também sobre seus direitos sobre terras brasileiras. Desta expedição participou como cartógrafo o italiano Américo Vespúcio. Nascido em 09 de março de 1454, Américo Vespúcio sempre viveu em meio a um alto estilo de vida, filho de família abastada achegados aos poderosos Médici, que construíram Veneza, política e financeiramente. Após este feito, em 1491 Vespúcio dirige-se à Espanha para trabalhar com Juanoto Berardi, sócio dos Médici. Juanoto era um dos principais financiadores da empresa marítima espanhola, comandada pelos "Reis Católicos". Alguns afirmam ter sido ele o colaborador para a expedição de Cristóvão Colombo quando este descobriu a América em 1492. D. Manuel I, contrata Vespúcio, a admiração da parte do rei de Portugal em relação a este homem culto iniciara com a leitura que o rei realizou de uma carta escrita em 18 de julho de 1500 de Vespúcio destinada a seu patrão Lourenzo de Médici. Em 15 de junho Vespúcio segue rumo ao Brasil, sob comando de Gonçalo Coelho, a esquadra era formada por três caravelas. De acordo com Ricardo Fontana, um dedicado estudioso do assunto, a partir deste momento, o desejo de novas aventuras começara efetivamente para Américo Vespúcio, pilotando uma das embarcações da esquadra..
 O primeiro contato com o Brasil 
 Em agosto de 1501 as 03 caravelas da esquadra ancoram na Praia de Marcos, litoral do atual Rio Grande do Norte. O primeiro contato dos marujos com os nativos do Brasil aconteceu somente após o primeiro dia já em terra firme. Contato este que, na verdade, foi desprezado por parte dos nativos que ignoraram todas as quinquilharias, oferecidas pelos homens de Gonçalo Coelho. 
 A antropofagia dos nativos brasileiros
Gonçalo Coelho concordou em deixar dois cristãos de sua esquadra ir averiguar os nativos por um prazo de 05 dias, visto que não houve uma recepção muito amistosa por parte dos nativos, passados estes dias, exatamente ao 6º dia os cristãos haviam desaparecidos, a esquadra estava prestes a deixar o litoral, Coelho e Vespúcio junto de alguns marujos decidem procurar saber o que houve, foi quando apareceram várias mulheres nativas, sendo que uma delas golpeou um dos homens da esquadra na cabeça, enquanto outras atacaram o restante com flechas. Dois disparos foram dados pelos homens de Gonçalo, com intuito de eliminar o ataque, os nativos correram para um monte alto, levando arrastado um dos marujos, os viajantes seguiram-nos e depararam com um cenário de impacto, o marujo capturado estava em pedaços, parte de seu corpo estava sendo cozinhado em um tipo de caldeirão grande, e outras partes do corpo já sendo mastigadas pelos nativos. O destino dos outros dois cristãos desaparecidos, com certeza fora o mesmo. Diante de tais acontecimentos, Vespúcio narra em sua carta denominada Lettera, o primeiro caso de antropofagia dos nativos da América, incluindo os europeus como vítimas. Tal registro ganhou estrondoso sucesso de publicação, pois esta carta fora enviada a seu amigo Piero Soderini, um dos principais mandatários de Florença. Os comandantes ficaram indignados com os acontecimentos, mas Gonçalo Coelho achou melhor zarpar imediatamente do local, contornando o litoral do Brasil. 
 Vespúcio atribui nomes ao litoral brasileiro por onde passou
Munidos de um calendário Litúrgico, começaram a batizar os lugares onde atracavam, com nome de santos do respectivo dia em cada lugar diferente, como por exemplo, em 28 de agosto com a vista do Cabo de Santo Agostinho, em 01 de novembro de 1501 à baía, denominada Baia de Todos os Santos. A região era chamada pelos tupinambás que habitavam no entorno da baía, chamada por eles de KIRIMURÊ, que significa “grande mar interior”.